domingo, 18 de julho de 2010

Leve leve-me

Estás ao caminho ainda com as pernas noutro lado.
Estás com a energia e a vontade prontas a sair mas, estúpida, adias o dia UM.
Continuas ridiculamente igual no que toca a pores-te a andar, e só corres quando o perigo corre mais que tu, mas na tua direcção.
Custa quando te acusam com aquele ar de "it's all your fault" porque não queres isto, e custa quando na sala te dizem "a culpa não é sua" porque a tua acção diz que queres isto...
Uma completa adita, uma completa estúpida em acção constante e imparável, rumo a...
Tens saudades do Sol e enfias todos os dias a cabeça na areia,
Saudades do que não te lembras e logo saudades do futuro que cada vez mais te parece um sonho para "depois"... e aparece-te em sonhos a gozar
Acordas com as lágrimas que ficaram pendentes do dia anterior e dizes "acabou". Dura minutos, horas, talvez um dia... e escondes-te outra vez, e curvas-te outra vez...e desta vez nem consegues combater contra esse lado que não é teu mas que se apoderou de ti.
Precisas que tudo seja um bocadinho mais rápido que nas ultimas vezes em que tentaste e não é (só) pela urgência de liberdade que te assalta e te faz morrer por dentro, é antes pela velocidade com que o outro lado te está a matar o corpo e o corpo do corpo.

terça-feira, 13 de julho de 2010

limite

Ela hoje disse-me o limite,

Até onde posso ir ou até onde não posso chegar,
Até onde fica comigo, ou o ponto em que decide por mim,
Até onde sou eu a decidir ou até onde... ou fujo mais uma vez...
deu-me um número como se a minha vida deixa-se de ser minha ou deixa-se de ser minha se eu o vir.
Custa ver a vida reduzida a números... não que eu não o tenha feito antes, ainda o faça ou tenha feito desde que me lembro, mas custa quando são outros a pegar naquilo que abominas, que desejavas tão profundamente que fosse diferente...
Não te pede que saias de casa, porque isso tu fazes,
não e pede que te esforces...
Não te pede que sejas útil à sociedade porque aí ÉS
Pede-te só que não te subtraias mais,
deu-te o limite...
e vergonhosa e silenciosamente, há uma vontade que queres calar, de lá chegar, de passares das marcas todas,
e não vai ser nada...
hoje há razão para o cansaço,
mas o de dentro é o mesmo de quando o limite não existia...
às vezes parece que o abismo é uma luta desenfreada para haver qualquer coisa palpável, que fale por tudo aquilo que não és nem nunca foste capaz de dizer.
"o que é que a está a deixar assim? O que é que aconteceu? tem de falar. O que é que aconteceu?"

Eu não sei

segunda-feira, 12 de julho de 2010

isto a mais

Não sei o que é que está aqui dentro,
mas eu sei que não é meu.

Há qualquer coisa que te faz boicotar sistematicamente a vontade. Ou a ânsia.
Sabes as coordenadas, sabes o que acontece se fizeres o que está certo...e o que está errado.
Conheces bem a recompensa, a ausência e o castigo... mas és um péssimo espécime para Pavlov.
Bem, isto é só um eufemismo... porque tudo não passa de pura estupidez...
Quando qualquer coisa te irrita aproveitas e choras... qualquer coisa, não é preciso uma grande coisa. E esqueces rapidamente o que te irritou para te desfazeres nas lágrimas impossíveis que o resto não te deixou chorar.
Vais lá chegar redonda, com duas camadas a mais e vais estar, tu, bem no interior da cebola. a camada do que te fizeste e a camada pelo que te deixaste fazer.
Transversal a tudo só as duas linhas que não se tocam: uma brilhante, outra negra.
Dois staments e a dúvida: qual é qual?
Esperas ansiosa e esperas com medo.
Só a verdade, trabalhar com a verdade, dizer sempre a verdade
Hoje prometo só isso
é que há qualquer coisa aqui dentro que não roubei mas que juro, juro que não me pertence.

domingo, 4 de julho de 2010

quase quase nada

Dá-me um minuto,
deixa-me multiplicá-lo em horas, de acções, não de tempo
Fica tu com o vazio e dá-me as mãos.
Deixa-me fazer.
Não quero mais olhar nem contemplar esta ilusão tenebrosa,
Não me dês nada, mas não me tires mais nada...
Nem a força do início,
Um novo início com sabor a velho...
E aquela velha dor,
mais forte que nunca,
mais forte que eu...
Já não há quase nada
O confronto
A verdade por meias palavras de alguém
E o fim, finalmente o fim...
Porque é que demoraste tanto?
Acabou, pára de te cansar a brincar nessas ilusões,
ei! acabou. Perdeste.
Acabou
Já não resta quase nada
Assiste agora ao fim... já não fazes mais nada

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Intention, Anscombe

Discípula de Wittgenstein

As intenções, as intenções...

QUAL É A TUA INTENÇÃO?

there is a difference in 'direction of fit' between cognitive states like beliefs and conative states like desire.

She is X'ing intentionally intentional action
She is X'ing with the intention of doing Y
or ... She is X'ing in order to Y
intention with which
or further intention in acting
She intends to Y
or... She has expressed the intention to do Y
expression of intention for the future;
(what Davidson later called a pure intending)

terça-feira, 29 de junho de 2010

Desistir

Uma hora em que estive calada
três ou quatro gotas salgadas e um mar por dentro
"esse silêncio foi sempre a maneira de mostrar a angústia"
esse silêncio não se cala e não me deixa falar
revolta por esta acomodação ao pior de sempre
o caos,
o que entra, no que sai,
a desarrumação total
o chão já te cola os pés... tropeças quando te tentas descolar: decadente
o banco do jardim cola-se a ti...preparas-te para que venha atrás quando te levantares e nem o banco nem tu se levantam: decadente.
empurras a dor do corpo, para que o corpo não sinta já mais que tu...e dessas, só te assusta que alguém veja, e olhas para ti, choras já não pela dor, mas por te teres deixado chegar a ti...
Hoje era capaz de entrar ali, onde nunca fui e pedir que me amarrem dizer que só quero que me obriguem... porque a culpa de querer é imensa. Odeio. Hoje odeio o mundo inteiro, amanhã passa e odeio-me só a mim.
Desculpe, desculpe, desculpe
hoje desisti

Dicionário

Pega na esperança desconjuntada, à volta
injecta-a sem pensar que dói
e se essa dor te doer, ainda estás aqui.
enrola os dedos na corda do céu
balança bem os pés
baralha-te na contagem e retrocede e avança quantas vezes forem precisas
pára de dizer que é agora
para de lutar contra, pára
de ter vergonha de seres vergonha
de seres roxa por parares de respirar para não te notarem, para não te lembrares
liberta a raiva e essa frustração labirintica
é este latejar, este latejar que não pára
o corpo diz-te tudo e agora diz-te de tudo
faz-te sentir: básico, lógico, científico, biológico, fisiológico
e o teu espirito pragmático grita de noite, depois de mais um dia igual: tens de parar tens que parar
Pensas naquele minuto, aquele, do futuro decidido, mas o mais incerto de todos
e não há arrependimento maior que não ter feito tudo e ao mesmo tempo um desejo imenso que o minuto passe, fim e a calma...calma, fim
A dor, esta dor, é um virús desmedido e veloz...tira-te a velocidade do sangue no corpo, dos pés no chão, do cabelo a crescer, das nódoas a deixarem de ser negras... tudo passou a ser dolorosamente demorado...e demorada é a expressão que ecoa por cada poro sem falhar um: foste tu

segunda-feira, 28 de junho de 2010

procura

Perdes o discernimento e o tempo, por momentos,
Voltas refeita e agora só molhada, não lavada... o banho de sal na cara cristalizou-te o avesso da pele...
Esqueci-me do regresso
Não existiu. Não houve regresso. Eu sei que fui.
Aqui outra vez,
mais uma viagem que não fiz,
livros que não li apesar de me ter demorado em cada página
Segredo-me esse sabor amargo e é impossível viver aos soluços
Já nasci e morri tantas vezes... e o tempo em vez de subtrair essas fugas, congela-me e faz-me olhar, sem me lembrar... que morri. Cola-me a ti, dor sem nome e sem cor
Fazes uma desgarrada instantânea...
Grita para aí nesse teu compasso de quem tudo sabe
brinca até te cansares
faz do meu corpo o teu objecto de eleição
e delicia-te nessa sensação de poder
Eu não vou ser-contigo
Chamam-te
E só te sinto
Julgo-me cega,
mas eu nunca te vou ver

põe a mão à frente da minha testa. estou farta de bater na parede

Por que és sempre aquela que se adianta e me toma?

Venha a solidão desmesurada, a loucura-foguetão com destino ao desapego...

eu não vou saber dizer,
ouve, ouve o que eu preciso de te pedir...
alguém
alguém...

domingo, 27 de junho de 2010

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Fim

Mais um fim feio
deste saio em vilã enfurecida, de voz oscilante entre uma oitava acima e outra abaixo do normal...
Desfigurou-me a tua insistência a tua insensibilidade e até a tua burrice de não entenderes nada de nada de nada,
Fui bruta quando passaste do ponto,
Fui agressiva quando pisaste a linha e invadiste o espaço que te proibi...o Meu espaço. O Meu tempo. A Minha dor.
Ri-te da minha intolerância, até porque já não terás de lidar mais com ela.
Chateia-te, revolta-te, odeia-me e sai daqui... por favor pára de me chamar "meu amor" e de falares como se tudo o que te disse da forma mais sincera não tivesse qualquer valor, fosse apenas um devaneio da minha insanidade...
E por cá... os meus, força... podem finalizar a piadinha "isso ainda dura? tu?"... tinham razão, toda a razão... posso ter mil "dotes", jamais serei parte de alguma coisa com cheiro a futuro.
E tu, para com esse controlo...conseguiste tocar no ponto que não permito, nem a t que chegaste ha meia duzia de dias com a maior dedicação e amor... Eu não o quero, eu não te quero. E hoje odeio-te, graças a ti. Ah, e obrigada. Foi bom. Chega. Fim. Adeus.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Pontuação

Apetece-me o fim,
Não trabalho mais nele nem em nada,
Apetece-me um ponto final, um parágrafo.
Chega de vírgulas, de ponto e vírgulas demorados,
Não é este o espaço nem este o tempo, nem esta a a praia, nem este o som...
Os olhos ardem demais,
tudo pesa demais...
Ontem o cabelo pesou e eu já não sabia o que fazer com a cabeça...
E não, não é novo, é de um 'há muito tempo' que eu pensava que nunca mais ia voltar.
O que é que eu faço
O que é que eu te faço?
Nada.
Ponto final.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

um bocadinho de pai

Não percebo tantas vezes o nosso choque...
Era a tua menina e não me importava nada com aquela expressão de "a menina do papá". Pedia-te colo para ouvir a conversa dos adultos, não queria brincar... Hoje não sei se eram mais as conversas que me interessavam se era o teu colo forte, eras tão grande, és tão grande. Eras a única pessoa que me fazia sentir sempre pequenina quando me começavam a chamar 'gazela' por ter crescido primeiro que as outras meninas. Na formatura eu ficava sempre no fim, longe das amigas, era por alturas e eu ficava ali ao fundo a observar os cochichos quando ninguém podia falar.
Nunca me trataste como uma menina, mas como uma igual a ti. Grande. Mas tu também nunca te levaste muito a sério, ainda te pesa imenso a adolescência que gostavas de ter tido e ficas aí, a ruminas essa angústia em vez de aproveitares a vida que conquistaste... Não me ensinaste que a vida podia ser prazerosa...não que não mo tenhas dito, mas dizem os psis que as crianças aprendem pelo que vêem fazer e não pelo exemplo. Não te critico minimamente...tu também não foste ensinado...
Lembro-me das conversas adultas, de te ver a chorar sem veres lágrimas, das coisas que me querias dizer mas que eu não te podia deixar dizer porque uma miúda não pode ouvir essas coisas.
Lembro-me de te descobrir e não te contar, lembro-me de tudo o que me querias dizer e nunca disseste porque não sabias como dizer. E lembro-me de ficar tão magoada pela forma crua e despida como dizias aquilo que depois, quando me vias a chorar, colmatavas com "não era isso que eu queria dizer"... Conhecemo-nos há 23 anos mas não podes exigir que eu te oiça e que transforme as palavras no que tu estás a pensar mas não dizes à espera que eu adivinhe. Vou-te contar um segredo: isso enlouquece as pessoas...
Disseste um dia que sentiste que aos 11 anos fui fazer uma viagem e só voltei muitos anos depois... doeu, porque eu senti exactamente o mesmo... a viagem que fiz foi por ausência de abrigo aqui... e sei que estiveste cá sempre, mas eu não sabia dizer, queria só que me pegasses ao colo como eu pensei que fosses fazer para sempre.
Sempre me irritei contigo quando te ouvia falar com aquela acomodação que sabes que não suporto, sempre te orgulhaste em segredo por discordarmos em tantas coisas, por veres desde muito cedo a minha consciência politica e social... Sempre olhámos um para o outro com uma cumplicidade que absolutamente mais ninguém entende...e ela sempre teve ciúmes, ambos sabemos.
Por seres o único que me faz desatar a chorar e tens a capacidade de me estragar o dia quando és inteiro desilusão sobre mim, por não perceberes nada do que se passa mas assumires isso, por sempre me teres dado toda a liberdade mesmo quando eu não a deveria ter, por nunca te teres oposto mesmo quando sabias que escolhia o caminho errado, por me ensinares, por não teres jeito nenhum para ensinar o trivial, mas o resto... por aprenderes comigo mesmo nunca admitindo... por ver o teu orgulho em mim, de soslaio...por continuar a precisar de ti...
Gosto tanto de ti.
Passei tanto tempo a tentar conquistar o teu amor que me perdi tantas vezes, chorei tantas vezes... às vezes podias dizer...
Gosto de ti
Eu não sou essa fortaleza que julgas, eu também choro papá... e gosto de dizer e de ouvir coisas bonitas, eu sou mesmo uma pirosa de vez em quando.
Hoje é o teu dia
Parabéns pai

terça-feira, 8 de junho de 2010

Grito

Às vezes sentes que andas às voltas,
A fugir do inevitável, que desejas e que não podes dizer alto...
Porque a "outra" odeia-te e trata-te mal quando os teus pensamentos deixam de ser só pensamento, quando passam a vontades claras na tua cabeça...
Tu sabes, no fundo tu sabes para onde tens de ir.
Não sabes se resultaria porque ainda não adivinhas o futuro,
mas sabes que as voltas todas que já deste te deitaram no chão...
Olhas para a parede-das-tentativas e só vez cruzes, o sinal de "caminho a evitar" dos jogos de pista. Foste tu que lá puseste as cruzes porque o teu espirito aventureiro te fez experimentar.
'cada falha equivale a uma obrigação de nova tentativa' foi o que tu disseste, e fizeste...
Mas agora o tempo urge, o buraquinho na ampulheta abre-se e o tempo corre mais depressa a fazer arranhões ao vento...
No fundo tu sabes que não tens muito tempo, embora te iludas que o tempo todo não vai dar cabo de ti. Odeias isto, queres aquilo e não lhe chegas...
"Aquela" energia não é mais aquela energia, a força deixa-te tantas e tantas vezes... poucos se apercebem, só alguns dos que mais te amam...mas não podem fazer nada. Estás longe, demasiado longe... e não saiste do lugar. Andas às voltas, és a de ontem... pela primeira vez sentes-te capaz de dizer "vou", dirias "vou, agora" se te dissessem "tens de vir" em vez de te perguntarem...
Tens medo e ao mesmo tempo um dedo de esperança quando entrares no novo sítio da verdade. Contas a história toda, sem os eufemismos de que és perita. Ouves e prometes-te a ti mesma e a ela... e falas, e olhas nos olhos sem esse medo e essa vergonha.
E se ela perguntar dizes para responder por ti...

sexta-feira, 4 de junho de 2010

subtracção

Arrumou-te a um canto, encarquilhaste, mirraste, desfizeste-te.
De vez em quando acordas e esticas um braço...
(ninguém imagina o esforço para pores um pé à frente do outro)
Ela cresceu, e gritou-te: "sai daqui, isto é tudo meu"
Entregas-te como se fosse o teu grande amor, mas a diferença é que não disseste o "sim!", não disseste nada, nem tão pouco querias... nem sentes amor...és uma devota sem escolha, sim, sem escolha. Não percebes como ficas...mas a verdade é que não tens para onde ir, porque foi ela que ocupou a tua sala, o teu quarto, a tua casa de banho, os corredores todos para ires de um sítio ao outro.
és violentada noite e dia, nos pesadelos, e estás sozinha, mas não te sentes sequer sozinha, porque não te deixa ouvir o silêncio...no limite ouves o som da morte.
Não, não és vítima de agressão nem podes ir fazer queixa. Porque está aqui...e quantas vezes não te distingues? quantas vezes duvidas da voz, se é tua ou não...
Quantas vezes verbalizas vontades que não são tuas como se fossem aquilo em que mais acreditas?
Vontade de te subtraíres deste jogo cru,
porque o teu espaço é cada vez menor... estás numa caixa sem te conseguires mexer...
Manipulas tudo, boicoteias tudo...
O que eu quero sei,
O que eu quero eu não consigo
continua a ser a única coisa que nunca consegui.

é essa a solução?
obrigue-me

quarta-feira, 2 de junho de 2010

correr

Tirem-na da corrida,
ela vai cair,
vai fazer uma lesão grave
nunca mais vai poder voltar à competição nem treinar, sequer.
Tirem-na da corrida,
ela vai bem, numa marcha agressiva, com cara de medalha de ouro, mas ela não vai aguentar,
ela sabe mas não vai ser ela a parar, os pés correm por ela
Tirem-na da corrida
não, ela não olha para o lado a ver quem lhe vai passar à frente...
Ela não corre com ninguém, nem vê a meta: não há meta
o olhar de soslaio é um grito tão grande que ninguém ouve
levanta-te da bancada
tirem-na da corrida

terça-feira, 1 de junho de 2010

pedir com vergonha

Todos os dias te curvas e dizes, em silêncio, "ganhaste".
Todos os dias repetes e já nem te dás ao trabalho de dizer "foi a última vez".
Tu sabes da tua fraqueza de espírito, enquanto bem sabes que não vale a pena contrariares aqueles que falam da tua força como se ela fosses tu...
Eles não sabem que o que te acorda é o hábito e não a força.
Eles não sabem que o que vêem teu é uma luta imensa em contra-relógio para fugires ao que tu "és"...
Eles não sabem que os elogios te doem infinitamente sobre a pele e o avesso, que te desnudam...que te percorrem os pesadelos e te fazem chorar.
Porque tu sabes que já não és tu que vives...
E eles pensam que cresceste por aguentares sempre mais... por seres hoje capaz de tanta coisa que nunca foste... por deixares pessoas entrarem e ficarem na tua vida... Não te sentes tão invadida, mas a verdadeira razão é por já não sentires que a tua vida te pertença... Antes tinhas medo que entrassem porque tinhas medo que te deixassem, hoje não o tens, porque simplesmente esse abandono que temias não faz sentido... Acontece a chegada e a partida, acontece simplesmente... e despojaste-te de tudo... tudo.
Já imaginaste a despedida, aquela em que podem falar e tu já não ouves... e hás-de poupá-los a essa perda de tempo...
Enquanto o relógio continua tonto, nestas voltas compassadas e desenfreadamente calmas, levas a tua calma...às vezes desesperada, às vezes com esperança que não dês pelo tempo...
O desejo mais solar que tens é que o tempo passe sem dares por ele...
Deixaste de querer o mundo em três dias... porque amanhã não há-de ser muito diferente de hoje...Viajas, ganhas mundo, vês e fazes coisas de gente grande, com vida... mas tu, tu, tu és igual... o desejo de fuga persegue-te, mas no fundo sabes...vai ser igual... combates esse pessimismo de costas direitas, e aconteces igual, és tu...
E queres, e dói-te quando dizem que não estás a querer. Tu queres, mas já não és tu quem manda...
Apercebes-te quando te dão a escolher, seja o que for... e custa perceber que não és capaz de escolher...a voz nao te sai, a vontade é turva...vem de vários lados da cabeça. Tu nunca foste assim...não és tu...e não, não é desculpa.
Hoje tens um desejo junto a este momento de lucidez...

ALGUÉM, alguém ouça o que não sabes dizer...

quando eu me calar é porque não quero mentir
quando eu não disser, é simplesmente porque não sei dizer.

... _ _ _ ...

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Acomodar-se

Jamais te acusariam de te acomodares, de seres inútil, inerte.
1
2
3
trabalhos.
a soma dá umas 18,19 horas por dia.
Boa conta.
Pensaste tu que isso lhe tiraria tempo...
Que a tua agitação daqui para ali a distrairia a meio do caminho, ela seguisse um e tu outro...ainda que um trilho cheio de pedras e lama e picos...preferirias.
Pegas no telefone para pôr trabalho em dia quando aquela voz se torna ensurdecedora, mas tem de ser logo ao início, caso contrário, é só a voz e já não és tu...
Escrever freneticamente quando as mãos te pedem para ires fazer outra coisa qualquer.
Metes os vídeos que o trabalho te pede para ver quando queres sair de multibanco na mão, assumes compromissos sempre com horários apertados, records, só para que o teu tempo fique lotado e não dê "tempo" nem espaço para absolutamente mais nada.
O plano não serve.
Pegas em mais um trabalho... a crise não te chegou ainda...acumulas responsabilidades e cumpres ao pormenor, não queres falhar, nem falhas...ali.
Mas o tempo cresce sem saberes como e tens tempo para isso e ainda mais...
e aí sim,
acomodas-te
inutilizas-te

és inércia

alguém?

levem-me
obriguem-me
peguem-me
abracem-me
amem-me
odeiem-me
desiludam-se
irritem-se
batam-me
vendam-me
olhem-me
gritem-me
apertem-me

perdi-me, esqueci-me, errei ontem e hoje, outra vez...
eu não sei
eu não sei
nada de nada de nada,
falta a cor e já falta o medo...
e há medo de não ter já medo.
Porque o medo guiava o instante entre o escorregar e a queda...
às vezes queres cair,
às vezes queres atirar-te
tantas vezes queres que te agarrem e não te deixem continuar.
a dor
diluíste-te nela

terça-feira, 25 de maio de 2010

existir

Ter tudo,
ver tudo de cima,
de lado,
à volta...
cheirar o vento,
embrenhar-me na sensação de não ter mais nada, acesso a mais nada senão à vista desarmada, a olho nu,
contentas-te com essa verdade
a única
compensas-te na ilusão de ter tudo sem ter nada, sabor a nada
o nada sabe-te ao tudo
porque não chegas a mais nada
há qualquer coisa mais...uma curiosidade,
mas nem te atreves a escorregar para cima dela...
não, não estás a fazer nada, não não estás a queres, nem a crer que chegas àquele sabor...

estás porque te dizem que existes,
existes porque dizem o teu nome todos os dias




repetem em voz alta
sorris antes de responder,
sempre

domingo, 23 de maio de 2010

a fugir

Isto fala por mim
Isto age por mim
Isto reage por mim

desculpas?

Arrependimento a seguir
estratégias para ser perdoada pelo que fiz e não queria ter feito, ter dito...

Se há uma palavra que descreve o que têm sido os instantes todos juntos é: fuga.

Sim, quero fugir
Sim quero ficar de outra maneira
Agarrem-me, agarrem-me
Não me deixes fugir outra vez
porque desta vez não sei se serei capaz de voltar

quinta-feira, 20 de maio de 2010

controlo

Não sei dele,
há palavras que não se podem dizer, eu sei...
mas às tantas sente-se que se deve lealdade, que nem todas as mentiras são piedosas... e se gostas de saber a verdade é injusto que só contes mentiras.
Sabes que a tua verdade gera preocupação em quem gosta de ti...contas coisas a meio para não te culpares pela mentira mas também para não teres o dobro do trabalho: contar e acalmar...
De repente, tens telefonemas de saudades e quando te perguntam contas...e repetes vinte vezes " mas eu estou óptima!"..ok, esquizofrenia outra vez... tu ouviste o que disseste antes e isto não combina... desligas o telefone e percebes porque te afastaste tanto... para não ter de dizer, para não ter de mentir... para poderes estar nua, sozinha mas nua, sem esse fato de bobo da corte preocupado em entreter.
Elogiam-te os conselhos, a dedicação a quem precisa...e o tabuleiro vira-se ao contrário quando dizes 5 palavras sobre o-que-se tem-passado...
O controlo a que te obrigas é aqui também, se calhar começa sempre por aqui e iludes-te que seja no resto.
Dói-me saber-te preocupada
Não te vou dizer, mas amanhã só "estou bem" e não te baralho com o resto...
Tenho uma pessoa para agradecer a sanidade de poder ser verdadeira uma vez por dia: OBRIGADA por teres entrado há tão pouco e tanto, por termos bem mais temas de conversa e por haver tempo e espaço para mim... tenho medo da tua frontalidade e da minha capacidade de fugir de ti... Mas mesmo que te deixe, que tu te fartes, o teu abraço real, foi cheio da segurança que eu não tenho... obrigada

terça-feira, 18 de maio de 2010

ir...

Sem chão,
Sem nada
Queres estar "sozinha" mas ela não te deixa...
Não a queres, não a suportas, mas dás-lhe colo e ficas tu no chão, a doer-te o rabo, a sentires a dormencia do corpo, demasiado pesado para os vasos que te mantêm "viva".
E agora?
E agora?
Dizem-te que vão dar-te um nome, outra ajuda..ajudar ao quê? Tu ainda não acreditas no que te disseram: "foi ele que não foi capaz de admitir que não te conseguia ajudar mais...e não te deu alternativas...tu nao podes ficar "limpa" agora, não podes deixar tudo..."
Não te podes deixar, porque ela leva-te... e nunca mais te encontras

sábado, 15 de maio de 2010

abismo

Não era nada disto,
Sabia da possibilidade mas, para variar, havia um bocadinho de esperança de um fazer diferente...
Parece que tudo acontece para me provar que o caminho está errado,
E eu continuo fiel ao abismo.
fito-o a ando, pé ante pé...
E vão dizer: estás tão bem...continuarão a dizer: estás tão bem...
E o abismo.
O abismo não chega.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

um fim, o 1º

Fui eu quem disse adeus
E fui eu quem mais chorou a despedida

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Respiras fundo de olhar molhado e eu olho-te daqui, a saber um pouco mais que os outros, porque bem ou mal, passei muito tempo contigo... hoje fico aqui fora porque a agitação é demasiada, a pressa e a repulsa em proporção directa fazem-te ter vontade de gritar, de fugir e de cair, ali, às 6 da tarde...
Vais porque tens que ir. Vais porque já não se aguenta este mal-estar provocado por palavras encravadas a meio da garganta. Vais porque precisas de bater com o punho na mesa e dizer: não está a dar. E não, dormiste hoje sobre o assunto e confirmaste que não é de revolta adolescente que se trata... é legitima a tua frustração, eu percebo, percebo. Tu fugiste muito, desconfiaste mais que sei lá o quê, não cumpriste tantas e tantas vezes, mas bolas! tu é que foste procurar ajuda... achas que se não a quisesses te davas a esse trabalho? achas que se não a quisesses trabalhavas que nem um cão para poderes pagar 1000 vezes que lá vais ouvir tudo pela enésima vez e tentar...só mais uma vez, só mais um bocadinho? Tu queres, ele reforçou aquilo que ainda tinhas dúvidas...tu prometeste empenhar-te e cumpriste, ele prometeu ajudar e falhou... Não sinto que tenha disponibilidade para ti, não sinto que tenha mais opções para ti, e tu queres mudar... tu queres outro alguém que te alimente o reservatório da esperança que precisas para pôr um pé à frente do outro, vulgo andar... E ele não te dá nada disso. Anos e anos a sentires que ele fazia tudo e que a culpa deste impasse era tua, que não mudavas de dr por respeito a quem te disse que te ia ajudar... mas já não aguentas mais, hoje tens a certeza que lutas, que te empenhas, que te esforças todos os dias mesmo quando falhas e cais e choras tudo até não poderes mais. Ainda assim não consegues enfrentá-lo com esta frieza de discurso porque - ele não sabe - sentes uma culpa gigante por ele não te ter ajudado. Hoje esta culpa não te faz sentido, mesmo que não a consigas evitar... não sais de cabeça erguida porque não era isto que querias...a responsabilidade, não a culpa, também é tua... Mas tens direito a lutar por ti, a procurar alternativas ainda que falhes, ainda que saias delas igual ou pior... mas pelo menos sais dessa terrível estupidez de não ter tentado... quero tentar tudo, como lhe disse no dia em que acreditou em mim, eu faço tudo para que isto mude 1 milímetro que seja.
E neste momento, se há tantas coisas que me sinto incapaz de conseguir mudar, há outras que ainda estão na minha mão.
começa por aí!

Já estou mais ou menos de volta, mais ou menos mais calma.
Vou com a dúvida de estar profundamente enganada... mas não me posso culpar por não ter tentado, mais e mais e mais uma vez.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

amanhã, ponto.

Amanhã vou dizer-lhe que chega.
Já tentei, já arrisquei, já me desacomodei.
Como me disse eu não paro, nunca parei, fui muito mais longe do que se esperava nas condições mais duras... Consegui impor-me a disciplina ambigua...um mundo entre o dentro e o fora, um abismo entre o direito e o avesso da pele.
E os resultados, onde estão?? um bocadinho, só um bocadinho... consegui o resto, mas falta-me a única coisa que nunca consegui...e que cheia de vergonha pedi ajuda.
Faltam-me mudanças radicais, mudar, mudar, mudar... Não vou para o Tibete nem vou tornar-me vegan, nem vou viver para uma comunidade naturista.
Vou sair.
Vou deixar o resto.
Vou deixar de ligar ao resto.
E vou-lhe dizer: não resultou e já perdi a esperança. E não, não é uma decisão a quente, vem já quase fora de prazo...foram 6 anos a pensar nisto. Tive momentos de pura esperança, de muito desespero também... desisti mil vezes, mas nunca por completo, confiei muito pouco ou quase nada e neste momento, desculpe, mas não sou eu que estou a falhar.
Tenho pela primeira vez a certeza que dei o máximo, que o que não faço a mais é porque NÃO consigo. Chamem-me os outros o que quiserem, mas perdi. E não, não é uma questão de força de vontade...foi o dr a ensinar-me isso... e custou-me ouvir que dessa eu tinha de sobra, bastava olhar para tudo o que tenho conseguido nos ultimos anos... Sim, consegui...tanta coisa que não me sabe a nada porque esse medidor está congelado pela dor do resto.
Tentar infinitamente pelo mesmo método parece-me muito pouco para quem se diz especialista, para quem já teve centenas de casos nas mãos, para quem já ajudou tanta gente. E tenho sempre de ser eu a destruir a espécie de alegria com que me encara quando falo na "minha vida"...porque isso é o que acontece e em nada rima com o que se passa cá dentro.
Vou-me embora para lado nenhum, talvez um dia encontre uma maneira de encontrar um caminho menos escuro, menos cheio de tantas teias e labirintos...
Neste momento não contava com muito de si, só disponibilidade, a ajuda que me prometeu, só... e não a tem, eu compreendo que não tenha tempo mas eu também não consigo perder mais tempo.... O que vou fazer com ele? com o tempo? Nada de especial...vou continuar com todas as ocupações e os stresses que fazem o tempo correr mais depressa. Mas não me dê mais esperança que depois não acompanha...
Eu não vou sair daqui sozinha, e vai custar a dizer...
isto é só o que quero dizer.
Amanhã...

terça-feira, 11 de maio de 2010

PARAR

dormir
descansar
desligar
esquecer
deixar


deixa-me

domingo, 2 de maio de 2010

Loucura

Entre medo de chegar e medo de ultrapassar, demasiado...
Entretive-me nesse desassossego e detectei minuciosamente os pontos alvo, resultantes de uma semana que devia ter sido de "viragem", mas que havia sido... igual... com avanços demasiados pequenos para combater a solução de um futuro breve, essa, sem meias-medidas.
Subo com medo de estragar, punhos cerrados para não se notar que tenho as mãos a tremer... eu sabia que estava inundada... e já me estava a mentalizar para não acreditar...era um bocadinho menos, não era preciso entrar em pânico, estava tudo bem... "está tudo bem..."
Fiquei com a sensação que ia cair dali, eu não estava a aguentar aquele chegar-ao-equilíbrio porque eu própria não estava muito bem para me equilibrar...
E quando ela disse:

Perdi.
Perdi-me
Eu não lhe vou dizer, mas eu sei o que devia fazer

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Viragem

Antes dos beijinhos de despedida, disse-me : "pode estar a chegar o ponto de viragem"
Virar para onde? esquerda? direita? quantos graus? do avesso? e depois? sou quem? sou como?
Quero, quero imenso,
Quero, só sei que quero,
mas quero com muito medo ainda, parece que não quero tudo, ou não quero o todo...
Pareço hipócrita, dissimulada...
Mas ele disse que hoje, que a semana passada foi a vez mais genuina em que me ouviu, disposta a TUDO, mesmo com medo... ele não odeia o meu medo como eu...compreende-o e aguenta-o. Também me aguenta a chorar e quando lhe confesso aquelas que julgo as monstruosidades inconfessáveis.
Eu quero confiar nele. Embrulhar-me sem laçarote e dizer-lhe: está (estou) aqui. Faça o que for preciso e entregue só no fim, quando estiver pronto... prometo que venho buscar e não abandono.
Hoje fui meio a medo porque afinal não correu como esperava, mas não fui desesperada porque...sei lá, porque sim. Porque fui.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

prometo

fizeste a conta depois: 15,3.
E não, não era por isso...
Tens semanas e de semana em semana tens de subir o número, parar com o "número", resgatar-te. Vale tudo.
Disse hoje com as palavras todas, e chorei com as lágrimas todas. Ele viu e ficou. Ouviu e ajudou. Falou, ouviu-me, ouviu o meu silêncio também... Deu-me hipóteses. Só duas para não baralhar. É que ele também conhece a minha dificuldade de optar... obrigada por não ter de explicar tudo e por completar as palavras que eu não sei e não sou capaz de dizer.
Duas hipóteses: a primeira já e sempre, a segunda daqui a semanas. Quero esta, não porque a outra seja mais difícil, mas porque esta é comigo...implica muito menos trovoada, muito menos... não quero fazer tremer ninguém, não sei como o o faria... Quando vinha no carro imaginava... acho que não seria eu a dizer, acho que não teria coragem... talvez inventasse umas férias e deixasse toda a gente zangada a pensar em como sou egoísta e irresponsável... antes isso.
Dói-me pensar na dor de alguém por minha causa, dói-me muito mais que a minha própria dor...
Mas eu vou, não sei como, mas se for preciso, se eu falhar outra vez, eu vou.
juro
juro-me que vou

quarta-feira, 21 de abril de 2010

dizer fim de outra maneira

Expões-te ao ridículo perante ninguém
Amas as zonas negras como quem contempla
Sabe-te bem a dor e abstrais-te por momentos do estado degradante que te faz estremecer do coração à ponta dos dedos.
Um dia dá-te uma coisa: ou morres ou pior, apanhas o susto da tua vida e vais sentir-te humilhada pelas palavras que ninguém vai ser capaz de dizer, e pelos olhos e a cara inteira cheia de "que ridícula", "pode ser que aprendas" "é o resultado que merecias..."
Já as ouves na tua cabeça, porque a urgência te corre à frente das pernas e não precisas de dar mais corda: antes de acontecer, já sabes como (e onde) vai acabar.
Agora és tu. Decide: ou antecipas ou esperas... Ninguém vai perceber uma situação ou outra, por isso pega nessa inteligência e usa-a pela última vez... reduz a dor, embala-a um instante, dá outro nome ao final... retira-lhes a razão óbvia, mais que óbvia, não os deixes dar nome de outro alguém ao teu fim. Não foi isso, foi a dor... Nunca ninguém vai perceber.
és ridícula.
Coragem de escrever fim em vez de um resto grande de folha em branco... só para espantar o voyerismo de quem te agoirou com a loucura... Tu calmamente, com a paz de sempre (a de fora) respondeste "eu sei que vou ficar bem"
Hoje contestas as dúvidas, transpiras em cada poro a energia que geras sabe-se lá de onde, para aguentares um dia inteiro... Jamais admites que te toquem (é que a máscara pode cair)... e só suspiras, só respiras fundo, sem medo, quando não há mais perigo à volta...
Agradeces-te quando permites calor por perto, e agradeces infinitamente só a presença, sem esforço e sem o teu esforço...sabe-te bem de uma maneira qualquer, também não interessa muito como, mas é bem melhor este misto. confias. respiras fundo. sabe bem respirar fundo.
Ainda assim, um único desejo feito, com palavras inteiras.
Ninguém quer que queiras isso.
E "quero lá saber"







Não sabes mais, não sabes ser mais

sábado, 17 de abril de 2010

Isto de amar

Tenho pesadelos com o dia em que saberás a verdade...
Não, não matei ninguém descansa... não tem nada a ver com "alguém"
Tenho um medo frio da tua reacção, do gelo e do degelo, depois...
Tenho medo que o teu abraço não me chegue da mesma maneira. Eu não posso mudar o que sou e tenho, não posso mudar o que fui, não sei bem onde vou chegar, mas tenho uma certeza, talvez a única: eu tenho palavra no que vou ser.
Existe a possibilidade de convivermos os dois com as fragilidades de que eu não conseguir dar cabo, não sei do que serei capaz... E é injusto, sou injusta quando te tiro do meu espaço de tempo que tinha reservado para nós...
Troco a companhia, por ninguém
Ausento-me totalmente e retorno já arrependida mas incapaz de te dar de volta o que nos tirei...
Sabes, tenho medo de nunca ser o que queria ser para ti...
Porque nos sonhos, lá, existe um futuro, e eu estou-me a rir... Eu bem sei como a minha vida nunca parou, e só passado algum tempo me apercebi da "proeza"... fi-lo para não enlouquecer, para provar sei lá a quem que ao contrário de todos os prognósticos havia muita coisa que eu seria capaz, ainda que...e que... e que...
Não me orgulho porque não consigo, não me orgulho porque deixei a tarefa a metade... ou melhor, consegui aquilo a que me propus para o mundo, mas nunca fui capaz do que me comprometi comigo... O tempo ainda não acabou e nunca fui uma miúda de acreditar em "impossíveis", mas o desespero...o desespero... desse nunca te vou saber falar...não tem nome... o nome incompleto ir-te-ia deixar sempre com a ideia errada do que se passa entre a minha pele e o meu corpo...
Apetece-me já agradecer-te... e não o faço com medo que me aches, para além de tudo, louca... nunca fui tratada como tu me tratas, e é difícil aceitar, é difícil continuar viva como antes quando me desarmas com o beijo mais doce do mundo, com a tua verdade sobre mim... Já não faço como antes, não desminto... que direito tenho eu ou que necessidade terias tu de me mentir? é o teu olhar sobre mim e eu tenho de aprender a respeitá-lo... ainda que custe, e custa ouvir coisas bonitas...
é difícil aceitar o teu Amor...

quarta-feira, 14 de abril de 2010

culpa

Só cansaço, só...
Não é mesmo mais nada porque não há nome, e cedo aprendeste a desgastar até ao fundo esse desequilíbrio que vem de dentro para tudo o que não tinha nome nem lugar...
E o teu sem-lugar, a tua utopia, ficou-se na estabilidade que não irias lá chegar, pelo menos neste embrulho que te prende e intriga quando te metes à frente do espelho, que te ensinaram: reflecte.
Reflecte...mas reflecte o quê?
Dizem-te que não vês, mas o sr doutor disse que não precisavas de óculos... depois disseram-te que sim, vias, mas vias outras coisas...transformavas em matéria aquilo que mais te doia... porque ninguém a via, persentiam-na raramente... só. E o teu corpo não era o teu corpo mas as tuas mágoas, e o que odiavas não era o teu corpo mas o que estava lá dentro, o que ficou lá dentro e que sempre te proibiram de pôr cá para fora.
Disseram-lhe "tens a obrigação de ser feliz"... Uma obrigação demasiado pesada, uma obrigação que não o devia ter sido... umas raizes bem bem revoltadas, embrulhadas, cristalizadas que agora tentas picar e retorcer.
Sim, ela não pediu a ajuda que lhe podias ter dado...
Não, ela não tinha obrigação de o fazer...era uma criança, não sabia nada de nada de nada de nada...
Sim, hoje ela tem a responsabilidade de se pôr de pé depois de cair, mas não a culpes...nem com as palavras nem com os olhos
Não, ela não teve culpa
não teve culpa
repete comigo
não tive culpa

domingo, 11 de abril de 2010

Medo

Podes gostar um bocadinho menos?
eu não sei o que fazer ao que tu sentes e dizes e mostras e demonstras
não sei e assusta-me e mete-me naquele ponto em que as pernas andam à conta de um querer muito forte para que tu não percebas
E um dia vou ter de te contar...
E tu? Vais devolver-me esse medo, vais concretizar o pesadelo da impossibilidade?
Tenho medo medo medo...
Porque se eu não paro, poderás saber da pior maneira...e vais pensar que se te menti nisto, que te menti em tudo...
Não
Não
Não te vou deixar magoares-te por minha causa, e não quero mais essa culpa para o meu monte
Sim
Sim Sim, sou egoísta... Prefiro que me julgues assim..
Só tenho medo

sexta-feira, 9 de abril de 2010

te-me

Acho que vai acontecer,
nem tu, nem tu vão dar por nada,
nem vão perceber,

Faz sentido,
Senão para ti, nem para ti,
faz para a única pessoa para quem a ambivalência se tornou pele
e na pele se fez e desfez, pintou e apagou...
E de pele arrepanhada, pintada de sangue por dentro, grita
Ainda assim com postura,
Sempre compostinha, perfeitinha inha inha
irritante o raio da miuda!
Tu não és real, deviam odiar-te-me
deviam apanhar-te-me
E vai acontecer...e nada acontece em simultaneo...eu vou rir-me de ti, de mim

segunda-feira, 5 de abril de 2010

mata

um dia vais pagar por tudo o que fazes todos os dias, por tudo o que não fazes, por tudo o que adias...
Testas o corpo ao limite porque és perita em limites...os da matemática, os do corpo, os do coração...
Aprendeste que podes sempre mais e mais e os sustos não te assustam, não te impedem, não te param... Aguentou? vai aguentar sempre... o para sempre é maior que tu, e és ingénua e demasiado imatura se continuares a acreditar nisso...
Um dia os sentidos vão-te falhar e não vão regressar com a rapidez a que estás habituada,
um dia vais-te arrepender, como nunca te arrependeste, e vais chorar, como nunca choraste...
Um dia vai ser pior que o dia de hoje, e as mãos trémulas não vão ser capazes de acompanhar o raciocínio...se fores ainda capaz de raciocinar...
Já te apercebeste do quanto isto tudo te atrapalha...não, não é igual ao das outras pessoas...o medo não é igual, é ocupado também... a solidão é ocupada e o silêncio... como querias ouvir o silêncio...
Como querias decidir sem isto à mistura, como querias ser capaz de cantar, de dançar, de chorar até... sem isto à mistura...
E enganas-te a ti própria quando dizes "isto não te impede de absolutamente nada..."
Sim, é verdade que és autónoma, trabalhas, empenhas-te...e consegues não ser absolutamente mais nada, ou és...em latência, em potência...
Isto pesa,
isto corrói,
isto mata

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Aconteceu outra vez...

Para-me
Agarra-me com toda a tua força e diz que está tudo bem
Diz que não me vais deixar fazer isto
Diz que não te importas com o estado miserável da minha cabeça e do meu coração
Ou então não digas nada
Já percebeste como me custa aguentar palavras, ainda mais as meigas, por mais estupido que te possa parecer..
Abraça-me, deixa-me sem respirar, respira por mim enquanto eu vou e venho...
Deixa que a minha vergonha caia entre os nossos corpos e aquece-me, tu sabes.. "estás gelada"
é absurda esta persistência, esta resistência... porque me tratas bem e só por isso, por mais nada...
E eu percebo, percebo todas as razões que agora de te são distantes mas que vão estar na tua cabeça no dia em que não vais saber como me dizer...
E eu vou dizer-te só que entendo, vou-te dar um abraço, pedir-te desculpa...
Isto pode parar agora? Posso viver um bocadinho por favor?
Posso entrar naquela sala, pedir àquele senhor dr AJUDA? Eu vou ter de dizer, eu vou ter de contar, eu vou ...
Aguentar, aguentar... Foi o "sempre"... Mas não vai ser para sempre.... Não vai...

quarta-feira, 31 de março de 2010

Obrigada

Por nunca me ter deixado quando eu fiz TUDO para que dissesse "chega"
Por ter sido a única pessoa a dizer com as letras todas "e acredito em ti"
Pelo Abraço
Pelas conversas intermináveis
Por saber o momento certo em que me podia tirar da espiral
Por ter ouvido e ouvido os mesmos medos, as mesmas certezas vezes sem conta,
Por me ter calado
Por me ter levantado a cabeça,
Por me ter dito tudo, sem medo de me ferir...
Por ter esperado quando eu desaparecia
Por ter-me recebido sempre
Pelos telefonemas
Por ter-me lido,
Por me fazer questionar as lágrimas e a raiva toda,
Por me dizer ... "é difícil!Pára"
Por me ter feito parar quando eu pensava que não havia volta...
Por ter-me dito sempre a verdade...
Por estar quando eu deixo de estar "aqui"...
Por me dizer tudo o que eu não vejo nem encontro... e desculpe, a desilusão, o esforço imenso...Desculpe...

terça-feira, 30 de março de 2010

Mão

Agora não és tu. Estás a ser resolvido a par do tempo... não tenho pressa, não tenho nada...
Hoje é o resto. O resto grande. O tudo, o dia e a noite e os pesadelos...
Falo de ti, do não-eu, do que queria que eu não fosse...
E chamas aos desmaios sorte, porque os sentidos todos se ausentam, pelo menos esses instantes que não sabes precisar no tempo das pessoas, esses...são sem ti...
Nem medo... foi sorte
E se um dia o estado em que voltas te trai?
E se um dia todos ficarem a saber...
às vezes, no desespero, procuras a mão que nunca soubeste pedir, ou que pediste sempre com palavras trocadas, porque te julgas indigna, tu, TU tinhas de ser capaz!
Nada mais te atrai... querias só aquele ponto, nem êxtase, nem felicidade, querias só despreocupação...
Que se lixe!
Nunca, nunca conseguiste dizê-lo...ou disseste, mas nunca, nunca o sentiste...
Vais ter de ser capaz de usar as palavras todas,
é irónico...
Fazes da tua vida o calcorrear de verbo em verbo, escreves apressadamente sem nunca seres suficientemente rápida para acompanhar as frases que te percorrem o cérebro... e quando chega o teu momento, em que te pões a jeito para te ouvirem... BRANCO, silêncio
E a pouco e pouco lá te surgem algumas palavras dispersas... há dias que as dizes, não sem antes as deixares passar pelo filtro do eufemismo...
A gravidade deita-te ao chão. "É grave"... Tornas-te incapaz de continuar...sentes medo e raiva e o coração dispara... depois, apatia... Não sentes mais nada.
Vens para a rua, desarrumas a gaveta... sentes à superfície da pele mas nada te entra...
Chamam-te calma, quando calma é o que desejas e nunca sentiste... talvez porque a gastes toda neles (os que dizem senti-la vinda de ti)...
Não és tu, é o resto, é ao resto: sai
Sai
Preciso de dizer, dizer
Antes que...





A dor

domingo, 28 de março de 2010

dói...

Sai da minha cabeça
Não és tu...
tu também...
Ontem não estavas aqui tanto, mas ficaste...
Confusão e medo, com pitada de raiva...A mistura explosiva que me faz fazer-me isto tudo...
Porquê? que é isto, que é esta ansiedade de chegar não sei onde...
E a vontade insubordinada de querer o Nada, já, agora, aqui...
Calma, só a calma...por favor...
Porque é que nada a substitui...nada, nada...
Nunca será possível assim,
E devia dizer-te já...
Mas não tenho coragem, não tenho...

a impossibilidade de amar

Ainda que nada disto faça sentido
há dúvidas...
Será possível?
Será que esta anestesia passa? E o que vem depois?
Será que trocarei o-do-costume com jantares à luz das velas e conversas infinitas com o céu como tecto?
Será que esta dúvida vai ser sempre a minha única "certeza"?
E será que alguém resiste?...
Um medo atroz do fim do eu-comigo, pânico da hipótese que hoje me obrigaste a por em cima da mesa...
Não me faças isto, não te faças isto...
E de onde vem esta vontade furiosa de te mostrar o pior de mim, aquilo que nem sequer sinto só para que te vás embora e não fiques... Quando nem sequer tenho a certeza que a a tua evasão que desejo...
Invade-me esta dor,
toma-me inteira e faz-me fazer-me mal dos pés à cabeça...
Será possível começar desta maneira?
Será possível?
Odeio, odeio, odeio... Não quero mais isto, não quero que tenha acontecido o hoje nem o ontem... quero ter recusado tudo, que batas com a cabeça na mesa de cabeceira e te esqueças... que percas o telemovel e que não saibas o meu número, que a net desapareça e todas as possibilidades de contacto deixem de existir...
Não, não quero nada disto... mas penso, quero de uma maneira qualquer, ou há um lado meu que quer.. qual? tenho tantos...Tu não queres uma pessoa assim... não queres... Vais-me odiar, chamar-me todos os nomes... E eu vou só pedir-te desculpa por ter aceite os teus convites, por ter recebido o beijo que eu já sabia que não te podia dar, porque tu, depois, te ias arrepender...
Estás tão enganado
Eu não sou nada daquilo...
Deixa-me,
Não me pegues sequer...
Eu nunca vou saber...
dar-te, dar-me.
Odeio tudo, dos pés à cabeça, o meu embrulho e tudo o que guarda...
Odeia-me, peço-te...
Eu nunca vou conseguir
Nunca...
É impossível...
Tudo o que ainda não aconteceu...
E quando souberes do que me ocupo, envergonhadamente, vou dizer-te que sei... é impossível amar alguém assim...

sábado, 20 de março de 2010

ponto de interrogação

sentir que amargamente te corróis...
o fel, que te corrói até sentires bem aquela dor... o corpo ri-se de ti, já não chora.
Chamas sono à exaustão, preguiça ao desnorte, burrice à incapacidade de te concentrares.
e não te chegas a levantar... é um escorregar ininterrupto, porque continuas viva...
semicerras os olhos a medo, a ver se o quarto é o mesmo em que te deitaste nem sabes como, depois de mais um escorregadela-forte-quase-queda.
Até quando?
Acelera-te o dentro do peito e aguentas, tremem-te as mãos e continuas a escrever, a vermelhidão mostra-te o percurso repetido... observas, tocas, vês ainda mais de perto como se fosse um bicho raro... estranho, ausente, pelo qual não te nasce qualquer tipo de sensação ou emoção...
Reves-te mais tarde, no dia seguinte... e pensas no medo que alguem teria se sentisse aquilo que te tomou...
Cai!
estupidamente, desesperadamente,
entrega-te pela primeira vez...

vergonha

Um pedido envergonhado,
tinha de ser.
Não foi em forma de pedido... foi verdadeiro.. só.
Sem contar tudo tudo, foi o suficiente para me devolver o perigo.E surpreendentemente não me deixou sozinha com ele... não desistiu como eu lhe pedi, não me disse nenhuma das frases que me vêm à cabeça gritadas, que eu imagino que me vá dizer porque está farta, porque já não acredita, porque eu já não mereço. E afinal quem está farta sou eu.. sou eu quem se repete que não merece, quem não acredita, acima de tudo sou eu...
mas confesso... custa acreditar.
Custa ver-me ceder, dói observar-me de cima,
Agora, aqui...
A falhar calmamente, dolorosamente...
Não me impeço, não contesto...
Acedo, subservientemente
Envergonho-me e dou voltas e voltas à procura da próxima palavra...
Apetece agradecer e despedir-me, para sempre...
Não, não é isso que apetece, ou é... essa é só a vontade que nasce da vergonha...
VERGONHA
Vergonha do que tem sido cada dia,
do que me ocupa intensamente cada momento do dia,
vergonha de não saber sair, de não saber parar,
Vergonha do espelho, de mim nele, de mim sem ele.
Vergonha de entrar, de contar...
Gratidão por não me desprezar como eu merecia...
e VERGONHA, VERGONHA ao quadrado, ao cubo, infinita...

Medo, acima de tudo...

quinta-feira, 18 de março de 2010

aquela miuda de quem falam

É engraçada a descrição que fazem de ti...
Sim, de ti, porque sou incapaz de me rever...
mas é engraçado, não deixa de ser...
A miúda que marca toda a gente... A miúda mais low profile do mundo mas que a ninguém fica indiferente... A miúda com quem toda a gente quer trabalhar, a mesma miúda com quem toda a gente queria ficar nos trabalhos de grupo... e é engraçado porque não era por ser a marrona que fazia os trabalhos e punha o nome de toda a gente no grupo, não era nada disso... era a miúda que tinha ideias "fora", que preferia trabalhos feitos em video em vez das - demasiado - comuns cartolinas. A que se preocupava mais em divertir toda a gente e imitar os anúncios da planta e do detergente da roupa para por nos intervalos do filme, que eram afinal o trabalho de grupo... Fazem-te elogios à calma gigantesca que faz passar à equipa mais stressada depois de duas directas para o trabalho estar pronto... A miúda que diz a piada fora quando está toda a gente com "cara de cu" e que nem se apercebe que disse uma piada... e a equipa riu-se! Chamam-te desenrascada, profissional, criativa, demasiado despachada para a pouca experiência, muito astuta para a tenra idade... A miúda a quem carinhosamente chamam miúda e com quem ameaçam em tom de gozo chamar a ASAE porque não tem idade (corpo) para trabalhar... Gozam com o desleixo com que às vezes apareces vestida...dizem que as calças (as únicas que consigo vestir quando o espelho manda mais que tu) são do irmão...e gozam quando apareces bem vestida e bem arranjada "mas ela hoje...".
Iludes-te que é tudo ilusão... porque naqueles dias de conversas francas em que não podes fugir quando o tema de repente passa para o teu capítulo... darias mais nas vistas se fugisses e por isso ficas. E falam disto tudo de uma vez, qual sumário dos últimos meses, desde o dia em que chegaste... E com carinho! Apetece-te chorar, por um lado... custam os elogios... apetece-te berrar: não! não estão a ver bem, ou se acham isso sou eu que sou uma mentirosa... e duvidas... será ironia, será que é de outra pessoa com o teu nome?... mas não havia mais ninguém!
Não queres nada daquilo, mas ao mesmo tempo esforçaste-te como te esforças sempre, para que gostassem de ti...
E gostaram.... e tu gostaste que gostassem... mas não aguentas.. custam aceitar...os elogios... e custa que te custem.
E ouves, quando te vais embora, "vamos ter saudades"... e pensas "é o que dizem a todos"...
Mas ligaram, ligam... querem-te ver
A custo vais, a custo ouves de uns e de outros, sobretudo ouves, ouviste das pessoas mais importantes... "és uma miuda que marca"
Obrigada
achas só demasiado ridícula esta ambiguidade de queres ocupar o mínimo espaço possível e do resultado...
Sabes que mais? és uma sortuda!
pois sou
quem me dera saborear, que essa "verdade" fosse Verdade...
Tenho medo de nunca sentir o sabor...
à parte disso... falho e falho outra vez... a esperança mirra, a dor aumenta... e não queres saber de mais nada... nem te importa essa miúda... só querias que ela fosse um bocadinho verdade... a redoma está mais grossa que nunca.
não sei sair, nem sei pedir ajuda...
quem me dá a mão?

um segredo: dói

quarta-feira, 17 de março de 2010

Não consegui

O despertador toca, tiras os 3 cobertores e colcha de cima, tomas bahho, lavas os dentes, secas o cabelo, penteias-te, veste-te apropriadamente para receberes o dia, sais de casa, ligas o carro, enfias-te no transito, entregas o teu melhos "bom dia", ligas o portátil, conversas sobre trabalho e o trabalho ocupa-te. Não o suficiente, mas ocupa-te. Desejas que o dia passe, desejas que o dia espere para fazeres o trabalho do dia, desejas que o dia passe para que seja só o trabalho a ocupar o dia.
Sais e... pesadelo outra vez.
Não te impede de nada, de absolutamente nada... que bom? Não.
O pesadelo até ao final do dia, da noite. O sono que chega bem depois porque és incapaz, incapaz de desligar, incapaz.
Medo outra vez. Amanhã outra vez. E medo.
Eu não quero, eu não quero

domingo, 14 de março de 2010

começar

Não sei começar.
Não me interessa recomeçar.
Quero começar.
Por mais que te pareça, não voltas ao ponto inicial quando estragas tudo e parece que atiraste todas as vitórias ao ar. Começas apenas... se fores capaz.
Porque voltar atrás era não teres passado por tudo o que conseguiste superar até chegar aqui... era não teres conseguido o suficiente para poderes dizer "perdi tudo".
Aprendeste com tudo, és diferente hoje por isso tudo. És mais... pior, melhor... mais.
Era ontem o começo e não foi...
Hoje também não.
Tenho um medo desta roda...
Preciso. Está aí?
como é que eu lhe chego? como é que eu peço? como é que se diz?
medo medo medo medo medo medo medo medo medo medo
tenho medo que o começo nunca chegue. Porque o passo é meu... e não sei, não sei...

(a)pagar

Limpei tudo.
depois de tudo, das lágrimas incluidas,
O mesmo ritual de regresso, sem me lembrar como foi que começou, o que tirou o travão depois do pensamento de que não mais voltaria
Um pensamento demasiado leva ou uma obsessão demasiado aguda para uma fraca como eu a controlar
Irritam-me os passos todos, conhecidos tão bem como... não, nem como a palma da minha mão a que sempre chamo o oposto do que os outros vêem.
Acreditam nos meus olhos estragados
Mas o que está podre é o resto
Tudo, mais que tudo
Quem dera ser... Ser, só Ser, estar...Estar
Deito-me com o peso do que tirei de mim como se ainda cá estivesse tudo, porque o peso da incerteza é gigante
Aquela sensação que me desligou do mundo e de mim por instantes chegou outra vez aqui... e se desconfiei na altura do contexto e até lhe atribuí causa e razão... hoje percebo o porquê: é a máquina a queixar-se sem palavras dos anos todos.
Conto?não conto? a quem? como?
Existe algum medo, alguma vontade e muita, muita vergonha...
Eu sempre disse que não havia de ser por isto. Podia ser por outra coisa qualquer, mas isto não...
Apetece-me confessar-me a dificuldade desta fase.
Gostava de ter alguém aí... alguém aqui...
Foi demasiado dorido aquele percurso escuro e gelado, com mochos a gozarem comigo naqueles ruidos que fazem medo a uma miuda pequena (porque o era apesar de me chamarem "demasiado adulta e crescida para 12 anos). Ainda hoje me dói a falta de ter uma mão e um colo daqueles com quem não tens de falar porque entendiam tudo... lembro-me de pensar "sou eu que estou na adolescência e os adolescentes acham que ninguém os entende e por isso acho que não percebem...mas no fundo sabem de tudo e só não dizem, só não mostram nem acompanham nem perguntam, nem vão à procura, nem obrigam, nem me chamam a razão, nem... porque me amam e acham que esta é a melhor forma" Foi duro ouvir uns anos depois que não faziam ideia e de replicarem: "mas é grave?assim tão grave? mesmo?...mas ela explicava (mentia...) e sorria (o quanto custava) e era ela a acalmar-nos (um trabalho exaustivo de 24h que tanto me desgastava e - desgasta...
Incontrolável é o que continuo a fazer, a fazer-me, e incontrolável é também a procura do preenchimento lá detrás... percebi ontem o que me disse... da frustração, do cansaço, da procura noutros lugares do que nunca vou encontrar... porque era lá detrás e era neles, com eles. Porquê? porquê?
É TANTA! não cabe aqui... e acabo comigo como se estivesse a dar cabo dela e ela não sai, é peganhenta, goza comigo e reinventa-se mais um bocadinho alimentando-se do que me tiro a mim.....
A dor

sexta-feira, 12 de março de 2010

Uma miúda

A miuda está apavorada, a tremer de medo.
Amanhã vai sair e ver pessoas.
Amanhã vai ser um bocadinho pessoa e ausentar-se dos comportamentos de não pessoa... dos pensamentos queria mas não consegue, mas dos comportamentos sim... vai fugir.
Amanhã vai dizer palavras para fora, daquelas palavras que só tem dito para dentro.
Amanhã vai (querer) ser capaz de dizer tudo o que se tem passado, ou quase tudo.
Amanhã vai ter muita vergonha de dizer o que tem feito
Amanha vai contar o que aconteceu e o que desejou que tivesse acontecido
Amanhã vai-se sentar numa poltrona muito confortável e contar (pela milionésima vez) os pelinhos da alcatifa enquanto se prepara para deixar cair a máscara e Ser, só...
A miuda amanhã ai ser crescida e dizer que tem medo.
Amanhã vai ser capaz de dizer que há dias sem fim que não é capaz.
Amanhã vai pedir ajuda com as palavras todas.
Amanhã vai ser capaz de substituir os "não sei".
Amanhã vai dizer que precisa de ser capaz de falar porque o silêncio não lhe chega para dizer o que quer (e precisa).
Amanhã vai ser capaz de aguentar a vergonha de se revelar um pequeno monstro...
Amanhã vai ser capaz de dizer o que não tem sido capaz e de dizer o que se tem tornado capaz de fazer e que tanto a assusta.
Amanhã vai contar o desejo que a persegue, os sonhos e os pesadelos.
Amanhã.
Quer que o amanhã chegue. Precisa que seja já amanhã. Precisa de não fugir do amanhã. A miuda.
A miúda está com as mãos a tremer porque é uma asneira nos pés aos cabelos, porque caiu hoje outra vez e magoou-se... E a última vez que tinha caído havia sido... no dia anterior,e no outro antes, e no anterior a esse.
A miúda tem a clarividência total do perigo e mesmo assim vive num estado de procrastinação...ainda não, ainda não, ainda não...
A miúda precisa de adormecer e de acordar amanhã

quinta-feira, 11 de março de 2010

A dor que nunca te saberei contar porque não se pode dizer

quando era pequenina, talvez no 1,20m, coleccionava autocolantes. Pensava em colá-los nos cadernos para ficarem mais giros, nos livros da escola para lhes dar o meu toque, na secretária para ficar mais "fashion"... coleccionei-os sim, mas nunca os colei em lado nenhum porque não os queria gastar, não me queria precipitar na escolha do lugar para os pôr, achava sempre que teria uma ideia melhor, um lugar mais especial para os colocar... e esse lugar nunca chegou, passou só o tempo de os usar e hoje já não têm a importância que tinham, os cadernos, a secretária e os livros nunca ficaram tão giros quanto poderiam... No entanto ainda os tenho, os autocolantes! - porque a secretária, os livros e os cadernos já não existem. Depois pensei que um dia os daria aos meus filhos - lembro-me que queria seis, não fazia a coisa por menos...nessa altura já devia ter 1,43m, pela altura em que fiz o meu 1º bilhete de identidade!
Talvez eles já nao lhe dêem valor, talvez eu nem sequer tenha filhos, talvez não consiga ter filhos, talvez não haja sequer pai para eu me perder no desespero de não saber se lhe poderei dar um filho.
Talvez.
Talvez devesse ter arriscado e usado os autocolantes "naquele" momento...talvez. A verdade é que passou também a altura de coleccionar autocolantes e outras coisas palpáveis...
E ao fim de algum tempo apercebi-me que havia colecções bem mais interessantes, com prazos de validade, intransmissíveis embora "partilháveis".
Lembro-me de querer e de concretizar e lembro-me da confusão que me fazia ouvir "quem me dera ter jeito" "quem me dera ter tido oportunidade, quem me dera ter aprendido..." bla bla bla...
Lembro-me do dia em toquei viola pela primeira vez
lembro-me de ir emoldurar a minha primeira pintura a óleo
lembro-me de fazer a capa para o 1º livro que escrevi
lembro-me da 1ª medalha que ganhei no atletismo
lembro-me de sonhar e de acontecer
lembro-me de como coleccionar sonhos era divertido. Não tinha nada de espectacular, nada de magnífico. Era natural, uma espécie de jogo, de ocupação, de desafio.
Era engraçada a sensação de poder chegar onde quisesse e fazia-me comichão a forma como toda a gente se acomodava à vida que não gostavam e deixavam os sonhos lá no sítio deles (que nunca soube onde era, porque os meus vivem na palma da minha mão.
Lembro-me de tudo ser acompanhado de um desejo ardente de me distrair. Enquanto seguia os sonhos, o outro lado adormecia e eu vivia um bocadinho... O que ninguém podia ver continuava a não existir, e eu era só o outro lado... este era mentira porque era só a minha verdade.
Tinha vergonha do que não era e saudades do que nunca fora.
Os pesadelos começaram a ser verdade antes de eu os desejar e talvez por isso tenha deixado te ter sonhos e de os perseguir.
Cheguei a chamar sonho ao que se tornou o maior pesadelo.
Quando lhe chamei pesadelo apercebi-me das camadas amendrontadas de mim que estavam por trás dele.
Tudo o que escondera escancarara-se perante a minha ilusão de que o que o os outros não viam, não existia... esqueci-me do resto... não existe para eles, os outros... mas para mim, sim.
Hoje quero querer sonhar e quero não querer o que me grita na cabeça, no coração e na mão dos sonhos.
Toda a destreza da cabeça se esvai no necessário.
Tentei e reinventei formas de me dar outra e outra hipótese de me julgar digna de poder tentar outra vez, hoje sabe-me a despedida sem medo cada abraço e cada sorriso...
Não tenho medo do que já fora um pesadelo
Talvez esse seja hoje o meu maior sonho.
Talvez seja em forma de estrela o meu agradecimento a Deus,
E o meu sonho é que o perdão me chegue em forma de abraço...
Não sei ser mais

terça-feira, 9 de março de 2010

Tira-me

Não quero mais.
Não aguento mais.
Não tolero mais.
Não consigo mais.
Não sei mais.
Não suporto mais.
Esgotam-se os recursos e as cartas na manga.
Nem reencantar, nem resgatar. nada.
Juro que não pedi, nem procurei, nunca, nunca desejei.
Soubera eu a fórmula de aqui chegar...
talvez na causa encontrasse a forma de sair, de me pirar daqui para fora.
Ao invés,
retenho-me,
detém-me
fica comigo inteira
Não quero mais nada
mais nada
tira-me tudo, absolutamente tudo,
deixa-me sem nada se for preciso...
mas tira-me a única coisa que eu jamais saberei subtrair-me...
O único motivo que hoje me faz querer não querer.

quarta-feira, 3 de março de 2010

certeza ocupada

"não posso, não vou conseguir falar sobre isto, precisava só de dizer..." foi desta maneira, de palavras mudas.
Despedi-me... até ao regresso.
Embarcarei em silêncio, descolarei com "aquele-sorriso", "feliz".
Na verdade com esperança que é desta que me descolarei do vício irreparável.
sentir nas asas as nuvens a saber a algodão doce, docemente acordar longe. Não na cama de sempre, nem descer as escadas as escadas de sempre rumo ao degredo de sempre.
na cabeça desenham-se a meio as formas de evitar, o coração desejar com o fôlego todo que não seja capaz de obedecer...
Dói-me até ao infinito esta rotina.
Talvez tenha razão quando me diz que o desejo é aniquilar as partes, essas... e talvez esteja sempre a fugir do errado, talvez...
Recordo-me do dia em que vi pintada em mim a raiva...o sabor de sentir, a delicia de me acontecer do início ao final...
prazer nenhum, desejo intenso.
Preciso de parar e reparar-me.
Não sei como voltarei e isso agrada-me,
gosto da expectativa e gosto até do medo de que tudo permaneça igual...
por enquanto é só medo e neste estado tudo é melhor que a certeza,
será? não será?
preocupo-me. Preciso dessa ocupação.

terça-feira, 2 de março de 2010

não sei pedir com as palavras todas

Tive um amanhã igual ao pesadelo
Aquele que acordada me dava o riso irónico, histérico por dentro, a saber a fel...
Odiei tudo, e a zanga toda em forma de nada foi só o necessário para a sensação de duas horas de um dejá vu.
Odiei o que disse, o que impedi de acontecer e dei-me inteira, mais uma vez á única sensação inteira, à única emoção que detém tudo...menos o medo.
Evitei a vida, rendi-me por antecipação...calei o desejo rendi-me à vontade, não à minha, mas que vem de mim, que existe no âmago de onde eu me retiro para observar o estado degradante a que te expões...a ninguém, a mim...só.
Chega o dia em que a cama te toma até não te aguentar mais e te despejar dela...só que ela não chora como tu, quando te despejas inteira...mais uma, e outra...vá só mais uma...ninguém vê.
eu vi..tu? ninguém... ok, continua...mais uma.
Adormeces desterrada, despersonalizada. Vi-me adormecer.
Revoltas-te por dentro, ó por dentro porque o corpo pesa demais para qualquer manifestação.
Fugir...
A vida acontece-te no dia a seguir. finges que refazes. tu? ah, ninguém...pode ser.
Outro lugar, as pessoas de sempre, a máscara xpto que já não serve. inventa-se outra pelo caminho. vai haver tempo... ali não acontece.
E é desta forma absurda que te julgas impotente e incapaz. Mentes-te descaradamente e reoltas-te nas lágrimas que já não existem. porque n ã o é s c a p a z.
Ri-se a outra, paralisas tu.
Pagas para poder ser verdadeira, é um preço que vale a pena, não vá a loucura tomar-te inteira e nada mais servir...
chamam-lhe vida.
Adoras toda a capacidade de expelir verbos pela boca. dos "outros", dos teus, em relação a ti...a ti? ah...ninguém... serve...encaixam todos porque não há medida. o início e o final anularam--se ha muito, jamais saberás o termo de ti.
Desejas infinitamente, que uma milésima de da verborreia te assentasse...
Felizmente a imaginação não voou e se mentes, que mintam de ti... fecho os olhos, é quente essa ideia.
bom trabalho miúda.
está feito?
posso parar agora?
leva-me agora para lá?
já?
o sonho das estrelas cadentes é só esse...
desculpe, não tenho coragem de lhe pedir com as palavras todas.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

pesadelo de amanhã

Foi diferente, como não era há muito.
Estranho também, mas possível... e só por isso obrigada à força vinda de não sei onde e ao despertar a meio do tempo de não fazer aquilo para fugir, de ficar onde o pecado acontece mas de saber fazer diferente.
A cabea obriga já a um amanhã igual a ontem. A estratégia desenha-se negra, por mim...eu recuso-a, mas uso-a. Odeio-a mas não sei como fugir. Está aqui, ali, ali, ali também.
Sinto-me pequena, uma formiga. Um elefante formiga, que ocupa espaço a mais, mas diante daquilo é um pouco a mais de um nada, e é esse nada que se consome, em diálise, porque sobrevive sempre aquela parte, necessária para aguentar com os resultados.
Depois a fadiga imensa, o desejar desenfreado que a partir de agora já sou só eu. A solidão é o sol comigo, mais nada, mais nada...
Até quando?
Quando é que eu imponho a data e desisto, quando é que a entrega é maior que o medo, a confiança mais cega que o pernoitar conjunto e desenhado em forma de coração negro...
Não imponho a pergunta porque mais ninguém me dará a resposta.
Quero um amanhã diferente daquele que já existe em forma de pesadelo na minha cabeça.
Quero, só...
mais nada, nada, nada...

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

novo

recomeçar.
reencartar-me.
recomeçar de um ponto diferente. começar.
há novos desafios, novas pessoas, novas "vontades" necessárias às novas responsabilidades.
Quero conseguir. Quero ser optima, quero receber elogios, que se surpreendam...
Aprender a separar, ser reconhecida naquilo e ocultar ao máximo o resto...nao sei, não consigo resolver. tenho medo, um medo atroz que de tão peganhento se torne "para sempre..." mas o que fazer? Apenas acreditar que o lado aplaudido também é meu, que de nada serve a punição de não aceitar as palmas por haver outro lado...negro, envergonhado, frágil...

sim, é tudo meu...

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

ser sem querer

Não sei se é bom
Não sei sequer o que é, se chegará a ser alguma coisa
Importa-me antes a sensação de acontecer...
De estar para acontecer. De pressupor um futuro quando a iminência do fim deita por terra sempre qualquer plano mais sério. E ainda que seja duvidosa em mim a persistência da força maior da novidade arrisco-me a dar-lhe o prato maior, o peso mais pesado... arrisco-me a devolver-lhe vontade, daquela. Daquela que se canaliza do primeiro momento ao último na vontade intensa em que o sono leve a melhor...em que a calmaria seja eterna. Não é uma vontade inabalável de viver a proposta, é antes uma curiosidade pela novidade... ou pela repetição num estado diferente...ou vontade... vontade de sentir
sentir antes de partir
Às vezes pergunto-me se o bilhete já estará pago, se o futuro - aquele, sim, esse mesmo! - não terá alternativa...porque o vejo todos os dias...só não percebo a data, nem a hora... pergunto-mo se será a minha mão, se alguém me dará a sua. Quando? o desespero invade quando me tento esvaziar de mim... ele em mim e eu perco-me...
quero
agora

eu sei... não posso
quem é que está a falar?sou eu que quero?é ela que quer? sou eu que não a quero? e se eu não puder ser sem ter?





não-ser... essa é a única certeza
nesse dia,
peço perdão e espero que entenda...

sábado, 13 de fevereiro de 2010

procrastinação

Desarma-me sempre
Irrompe-se de dentro, vindo de lado nenhum.
Talvez nem seja meu, nem seja eu ou seja esta só a desculpa eternamente resgatada.
Existe dor e medo e frio
anestesio-me inteira,
vejo de cima a morte lenta feita de tudo a que se lhe dá direito.
o cheiro, a cor, o sabor.
A falta de tudo,
A modificação substantiva,
A rir-se...
lentamente
Raiva a cores.
Até nela a vida
a sobrevida
sentir

sentir
sem questionar, escolher, seleccionar exaustivamente
Procrastinar
A vida dividida em segmentos,
festa em tudo,
orgulho alheio,
vergonha minha,
por nada a mais que isto, só disto...
ri-te, envergonha-me...
Quem?
Procrastinaste sempre...
toma, é teu.

Aceno só.
Recuso e engulo em seco, imóvel...
talvez um dia... (?)




tenho medo de já não acreditar

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

sabor

Vi ontem o passado,
o outro mais antigo
aquele abismo fascinante em que vais cair e que ninguem te pode agarrar,
em que nenhuma mão serve,
porque não há força, ou porque toda ela está canalizada no olhar.
"vou chegar até ali, só até ali"
e não desmaias nem morres a meio porque o limite é sempre superior
e já devias saber disso
experimentas o sabor
com a desculpa de saber que já não te saiba a nada mas com a vontade de experimenta-lo de novo,
saudade mórbida de uma coisa sem outra
aguentaste
sabe bem o limite depois do medo aterrador de não aguentares
aguentas
aguentaste sempre e ontem não foi diferente
também não arriscas demasiado
ficas entre o escorregar e o cair

e ficas bem
ficas sempre


não te interessa absolutamente assunto nenhum, nada de nada, ninguém.
absorve-te totalmente.
nem sequer a vitória de não ter acontecido mas a proeza futil, desgraçada, amedrontada, assustada, cheia... de dor...

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

momento

Foi.
Até agora.
Se será sempre não sei,
para sempre é demasiado tempo e as entrelinhas entre o instante e o seguinte têm a mania de nos trair...
Preciso que a atenção seja chamada à razão,
que a outra morra
que a outra desista, que eu desista
dela
Nunca desisti,
apenas cedi, um dia a seguir ao outro,
dor após dor
na esperança desalmada que o prazer existisse
ainda qe momentâneo, ilusório
só para sentir



tenho saudades do que nunca conheci

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

avesso

não digo a ninguém mas prometo.
Prometo.
termina daqui a 15 minutos.
Foi a última vez.
não quero mais e ainda que o contrário seja um misto de fascínio de fim e de pânico...
ainda que me arrependa e que volte ao mesmo ponto virada do avesso.
preciso de insistir antes de desistir, mais uma vez...
preciso de sentir
o que quer que seja
o que quer que seja
preciso de existir,
por mais errado que seja,
por mais inútil que esteja
por maior que seja a distância
do conforto gelado
vai ser a última vez

domingo, 7 de fevereiro de 2010

quilometros

Preciso.
Preciso de saber de que é que preciso mais, de lhe dizer "isto".
É absurdo este descontentamento quando a mudança nunca é efectiva, muito menos definitiva...
por aqui...não funciona
por ali...medo, medo, medo, medo
por outro lado qualquer,
mil e uma maneiras
sim..."continuar, continuar, continuar..."

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Desejo

Sinto a pressa no peito
A correria de ficar de pernas presas e de imaginar só... tudo o resto, nada a mais.
De quê?
Frio suado da inconstância, da disfonia ensurdecedora de almejar que nada mais seja igual a ontem.
Farta
Enfartada
Cheia.
Entupida e enjoada, enojada.
Investir demasiado em não ser para além de, não mostrar mais do que,
A energia brutal que se gasta em conter.
E a dor de não se saber, de não se poder ser, de não haver sequer espaço para,
A sublimação exagerada,
a defesa.
Antes,
Depois,
no fim.
Sem saber sequer o que dizer, porque não se quer mais nada...
No fundo desejar,
Desejar...

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

é agora que já chega?

Não posso.
Será que tenho de mentir e aí desiste de mim?
Sinto uma fraqueza com uma sombra tão grande que me deixa cheia de frio.
Encolho-me e recolho o que resta da alma,
Recuso o resto... (a alma só precisa de saber, não precisa de sabor)
Hoje divido-me, e escolho, qual miúda mimada, onde quero existir.
hoje o corpo não me serve.
Olho-o de longe. estou a vê-lo agora e sofro, de olhos semi-cerrados, de vergonha alheia.
Não tenho nada, não sou nem quero ser dona de absolutamente nada.
Aproveito o instante e a desculpa para enaltecer o asco que me levanta os pelos da pele só de ver... aquilo.
não quero a esperança nem a enésima reviravolta que nunca saiu do do mesmo lugar. não quero isto nem nada do que consigo imaginar como "futuro". Já acertei demasiadas vezes no passo à frente, antes de o ter dado...
julguei-me pessimista e encontrei-me realista,
E o que assusta não é o cenário negro, não é a tragédia, não é a destruição nem as grandes revelações, preocupações, não é a verdade...
é antes a harmonia que sempre encontro, entre o que é e o que tem de ser,
o equilibrio, entre o que se passa e o que tem de se passar... e isso não falha
nunca falhou...
houve apenas momentos de pura desconcentração,
talvez um desejo subconsciente...
passou


está tudo bem
- sim, está sempre!

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Sai daqui.

Era capaz de dizer que odeio.
Mas seria demasiadamente......... ridiculo
está aqui, persegue-me, eu corro, fujo,chamo, recordo, relembro, adoro e existo em harmonia plena entre a vida e o anti-vida, pior que a morte, desejo qualquer coisa, qualquer coisa, qualquer coisa...até parar
exausta
ainda não desisti
sussurro
ninguém pode ouvir
"há momentos que a prefiro ao oposto" como se não houvesse alternativa
reclamo à razão
sim, essa que dizem existir-me em demasia!!
mentiras
revolto-me
e...para quê?
igual
igual não... já sem "aquele" prazer,
porque não é isto,
porque não é por aqui
caminho errado outra vez...
"tu consegues tudo"
hoje berro em silêncio, não posso dizer a ninguém...




sim, é que a única coisa que queria eu nunca consegui

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

preciso de SOL

preciso de sol.
há alturas em que os recursos de dentro se gastam..e custa admitir - porque há quem não possa falhar.
Aproxima-se a clarividência despida, desgrenhada de a terem acordado a meio da noite.
hoje a noite não tem energia suficiente para poder chegar ao dia e pede ajuda.
Acorda a minha enquanto eu continuo a fingir que durmo.
Encher para adormecer reconfortada e a noite ão ser interrompida, para não haver mais tempo para pensar.
Lembra mais a dor, cheia, no momento em que tudo se decide: e antes de encher já sabes que vais acabar sem nada...só com o que não se vê,
a culpa fica inteira, nunca morre sozinha
Agradece-te

sábado, 16 de janeiro de 2010

alerta laranja

tenho vontade
e demito-me.
Gritar chega, nem tanto por estar farta, só por saber que tem de mudar (será capricho?) Não sei, nem com ela nem sem ela, esqueci-me.
Pede-me que encontre perdido nas gavetas a distância que me separa daquilo que fui, porque é que deixei de gostar, de querer gostar ou só de querer...
É DIFICIL, SIM É DIFICIL
embrenho-me na birra,só por hoje que ninguém vê nem pára nem olha,
Se eu soubesse não tinha pedido que mo dissesse!

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Faz falta

Sensação de a mais. A mais tudo o que há.

Devolvo-me os berros todos. Arrepio-me.

Violência a mais no silêncio castrador de não aperceber a quantas ando. De querer rápido.
Não consigo esperar mais. Não quero.
Faço a birra e espero a lucidez.
Falta-me o chão e o colo e a calma e as palavras e o vento e o silêncio cheio e calado
Preciso

Tudo a mais

A disfonia instala-se e perco-me.

Onde?

Para onde?

Sei que sei

Não quero ou não encontro, ou nunca mais encontro o único ponto que acalama e faz falta.

Preciso neste preciso momento o que já sei que não é agora.

Falta-me

domingo, 27 de setembro de 2009

Chorar

Desconfio de tudo. Desencanto-me desta Graça e anestesio-me na imaginação de dar valor a tudo o que me aconteceu. Consegui. Não sabe a nada.
E retiro qualquer orgulho,
E ... qualquer conquista porque é sempre pela metade se eu não tiver o resto. Preciso e não sei se quero... Parece longe, longe, longe... Nem é sequer o objectivo, é antes a vontade
Não, não, não, não
Hoje, a palavra-que-não-posso-dizer,
O único desejo ardente

Gostava de não ter mais, de não ser mais.
Desespero por esta calma de "isto" nunca mais se ir embora, de eu nunca mais a mandar embora.
Será que esse dia vai chegar?
Não quero mais
Não posso mais.
Não aguento mais.
Preciso de si
Odeie-me, deteste-me, desiluda-se e destrua-me...não tenho tempo, já não sei fazer
Há tempo?

terça-feira, 18 de agosto de 2009

reencanto

Reencantar.
Quero daquela e um bocadinho da outra e uma pitada daquela lá de cima,
de tudo menos do que há, que houve, que foi sempre diferente de quem só não queria ser igual.
Demorar para que o tempo te deixasse suspender entre um instante e o próximo, e recomeçar dali.
Reencantar a dor e transformá-la em força.
Chamar entusiasmo ao marasmo e reerguer-te da vontade enfurecida de desaparecer para sempre. Para nunca mais.
a dúvida é imensa,
o desespero de não chegar a Hora devora inteira a esperança, que mesmo assim persiste, na plena assumpção da sua missão.
Vou.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Demorar

como se não houvesse mais tempo
E como se o tempo, a correr, te fosse sussurrando (gritando?) ao ouvido e ao coração;
Queres só que corra
só que não tenhas que andar,
Só que os pés não pesem nem que o andar se sinta...
E corres só para não teres que ser tu a andar...
Ainda assim... sim... não sabes ser de outra maneira,
A apatia é momentânea, demasiado dolorosa para demorar...
Demoras-te por dentro,
Continuo a não saber o que fazer com tanto tempo, não este... aquele tempo...

quarta-feira, 20 de maio de 2009

ser de outra maneira

Pode mostrar-se aspereza, este estado de permanente acutilância no que pareço dizer.
É antes uma espera vivida na rapidez do que não quero (posso) mais sentir...que não faz sentido, que não é justo...
Peço desculpa pela minha inconveniência constante,
se te desiludo fora do tempo e se vez agora as razoes que querias ter enumerado...

Sou mais que eu,
diferente por te ter ainda mais que queria
por não te poder ter nem desocupar o espaço que queria que fosse já outro, mais calmo, equilibrado entre aquilo que tu nunca ou sempre quiseste e que eu julguei de outra maneira.

domingo, 10 de maio de 2009

.

Não sei bem do ponto
perdi o passo
atrasei a distância
Engoli inteira a vontade de ser de outra maneira
amainou a mudança
ressuscitou
talve nunca tenha partido

terça-feira, 28 de abril de 2009

Porque...

A saber decor
Sem saber palavra
Sem saber nada de nada
A saber-me cada vez maior
A saber-te cada vez melhor
A dar-me como nunca
A sentir-te a falta
A saber-te
Foi o meu acto de Amor

terça-feira, 14 de abril de 2009

Um Beijo

Tudo o que cabe dentro de um beijo
NUNCA
Foi o que eu lhe disse
NUNCA
vento e o resto à mistura, sempre atabalhoada de quem se confunde com o que sempre foi e que agora se atreve a escorregar sem querer, no meio das lágrimas que já se tinha esquecido: afinal podia chorar...
Precioso, demasiado precioso a saber a mar e a sal e a...bom...maravilhoso...
Agradeço-te para sempre, e abraço-te mesmo que nao queiras...em mim, comigo, sem ti se for preciso...
Demasiado, a saber de ti mais do que alguma vez pude querer saber de alguém...
Tenho-me mais por poder ter-te um bocadinho...agradeço-te muito mais que aquilo que possas pensar...
Gosto de ti...
Para sempre.

domingo, 12 de abril de 2009

Igual

Num ápice bem inclinado e cortante, como que a fazer ver de perto que tudo pode voltar ao que já apetecia ter como "antigamente".
É duro sentir a acidez do momento
Digo adeus, na última antes da próxima e adivinho a distância próxima... Não quero, não preciso, não gosto, não posso... E abraço, amasso, revolvo, embrulho e dou-me de presente.
Inteiramente
Até quando?
Peço sem palavras que me obriguem, abram a cabeça, retirem o Bicho e me devolvam tudo o que isto roubou...e nada...ninguém ouve,
Como sempre
Como nunca...

terça-feira, 7 de abril de 2009

Largar-"te"

O vento cheira a novo e só na espera entre uma rajada e a próxima vem aquele leve perfume de terra batida e pisada...aquela
Tremo inteira de novidade, de sabor adocicado de tudo aquilo que ainda a medo me atrevo, só a provar ainda...Acordo a meio da noite com o sabor do sonho que afinal foi verdade, agradeço sem palavras porque elas jamais chegariam...são do Homem,
Atrevo-me a rir antes do resultado, estabeleço a meta cada vez mais abaixo e sempre acima de mais. Nao me congratulo nem me invado em extase, mas antes demoro no respirar antes, durante e mesmo quando já foste e nao sei ainda se voltas.
Acredito mais no suportar da falta que no regresso e acalma-me assim o pessimismo estratégico de quem se renova a cada vitória, que de desesperada, se torna muito mais saborosa.
Uma espécie de segredo cheio de tramas e rendilhados nas dobras, cuja consistencia se apega a esta estranha maneira de avançar...Encurta-se o espaço entre uma queda e a próxima...e de tão inesperado, de tanto descrer berrado contra,
a surpresa de mais ninguém vai ganhando algum sentido
ainda que o medo seja Senhor e que o fim seja o meu também

terça-feira, 10 de março de 2009

Deixar

Estou prestes a partir, a sair de um envidraçado muro sem poros, só distância, sem calor, só desapego e pressa desesperada de não haver nada mais a seguir.
Não sei se o regresso será diferente, se será só retorno... apenas voltar ao mesmo socalco abrilhantado pela água da chuva...enlameado dela.
Não me sento
Já não me sento
Sinto apenas a graça de ter qualquer coisa para além da certeza
Odeio essas verdades ilusórias, graves no tratamento do tempo em que se constrói uma vida e um alguém
Quero antes a expectativa, o medo arrepiante de não saber se será ainda pior...a derradeira oportunidade... só de ter outra e outra...

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Planar

Nem sequer sei se poderia ser de outra maneira,
ou noutro lugar...
Apetece-me segredar-te tudo aquilo que calei naquela altura mais dolorosa, em que a corrente prendia, bem vincada, os espaços intermináveis entre esta e aquela asa...
Voei sem querer,
Ainda meio a medo - da queda ou da planagem
Ou talvez a viagem fosse o que mais assustava.
Não sei se cheguei nem se é meio caminho de hoje
Interessa-me antes a calmaria de derreter a pele da barriga em risos...de fazer adiantar o tempo sem mais agonia que a de sempre,
De fazer variar o relógio a custa dos restícios que intercedem entre a pele e o corpo.
Gosto sobretudo desta dança...
mesmo que não seja mais nada e que para platónico, não baste mesmo Platão...

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Lucidez

Existe um medo latente
A que tu chamas consciência de poder vir a ser-se
Ou nem sequer acontecer...
Só porque não há referências,
nem vontade rasgada de ser-se como antigamente
É antes o desespero
A necessidade da impossibilidade de alternância.
Quero abraçar-me sem que esta minha sombra,
desenhada à mão, num carvão leve e dedicadamente cravado...
E do sangue nasce a sede
E da sede morre outra vez a esperança...
Ressuscita-se ainda antes
ou antes parece ressuscitar-se
E o medo é só dela
Só dela o medo de nunca ter existido

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Corar

às vezes parece
outras recuo-me inteira dessa turbulência
dessa existência exagerada num momento qualquer escolhido primorosamente para não ser absolutamente nada a mais que... isso
Às vezes divirto-me a sonhar de olhos bem arregalados,
outras recordo tudo aquilo que nunca me deixei viver
de repente desaprisiono-me e recolho-te
levo-te
Porque nada mais interessa,
nem se queres ir ou pertencer...
Essa novidade é demasiado boa para que te deixe destrui-la
Nem me interessa a verdade,
Interessa-me só esta leveza de egoísmo inocente
De borboletas com cores que não existem,
de cócegas minhas e da tua ideia, avermelhada pela minha compulsão de riso desembrulhado.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Confiar

É sem certezas.
Sem pressa.
Confio ou quero - mais que tudo - confiar.
Desamarrar-me do lodo, da calma languidês que atravessa o andar...e o olhar até.
Sem demasiada esperança, mas sem desesperar...porque o pé não se perde...tenho medo mas sei...não há dificuldade nenhuma em conseguir o de sempre...mais ou um pouco a menos do mesmo de sempre
A persistência em tudo...fotocopiada na melhor qualidade para o maior vazio, tão cheio de nada. Para quê resistir à liberdade?
Inspiro a vontade, expiro em persistência de vasos activos...Revolto-me de corpo e esqueço a cabeça... Porque a esqueço. E de tanto me querer esquecer não consigo lembrar-me de outra coisa... Ah, o resto.
Inverte-se a dor para angústia desesperada, nada a acrescentar.
Vontade...
Nada, absolutamente nada a mais que a inversão daquilo que quero hoje.
Quero!
Não grito, nem digo, nem sussurro, nem sequer omito...
Quero querer.
Quero.
Obrigada pelo quente.

Obrigada...vou saber "dizer" de outra maneira...

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Amanhã

Apetece-me abraçar de olhos fechados, como que a fazer força para agarrar bem, mas na verdade a impedir-me de ver.
Quero tudo, abraçar-me inteiramente ao novo...
Não pelo novo,
Não me interessa mais nada...páras de procurar o novo quando percebes que não queres absolutamente mais nada que não matar o passado, enterrá-lo sem funerál, cantar-lhe a missa do sétimo dia em absoluto silêncio...
Sem rancôr.
Só das marcas...

Obrigada, hoje a ti

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

STOP

Parece em vão a tentativa de perceber o que é que ainda me separa.
Parece vã a festa e inglória a caligrafia alinhada...Que contava que uma vez...
imerecidos são os abraços sem braços, daqueles...
E tenho medo outra vez, do outro, daquele sem cara, desfiguradamente desencarnado e deslaçado..
deixa este medo,
o suor que me apaga o quente depois do corpo pedir

"já chega, não aguento mais"

E acordo e arranjo o desarranjo de fora porque o de dentro não consigo. E saio vestida e calçada a sentir-me nua, ao descoberto.
A escolha precipita e o medo deixa-me aflita, completamente inerte.
A fraqueza dá-lhes a possibilidade de verem melhor, a miudez de se rirem mais...
InCompletamente.
Mais um dia, mais uma vez, sem nada...Só o resto, a mais...A rebentar de "a mais" a sentir que o a mais me entra pela boca e me cala...
A mais a mais a mais a mais a mais a mais a mais a mais.
A água suspende tempo e um pouco mais se junta e um pouco mais subtrai espaço ao meu espaço.
...O desespero de sentir que não cabe mais nada

Obriga-me a parar

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

do resto da tua vida...

Começa e depressa
se acaba o sabor até aqui tão ansiado
e desejado,
em fluxo e refluxo, veias e artérias a despejar aos capilares a sede a doce, brindada.
A bebedeira esvai-se e o leve toque de quem não bebeu do copo denuncia a indiferença.
Nada mais.
Nada a mais que ontem nem que aos anos passados.
Apetece gritar ao mundo a alegria efusiva
e apetece berrar à dor, baixar-lhe os braços, arremessar-lhe o mundo inteiro que me obrigou a carregar às costas.
E custa.
Mais e mais e mais por não saber sequer onde meter mais um pouco...
Peço sem conhecer e suplico de olhos mais que cerrados´
E o coração não acalmou,
Sobe o volume da banda sonora integrada, tudo a mil...

Não me acuses

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Mais uma primeira vez...

Não largo o antes por respeito.
Medo até...
...não foi mais um ano a passar por mim...
Orgulho-me da absurda recompensa,
do desafio.
Já não é a brincar.
Vocês...
Sem ordem, desordenadamente em abraço apertado, quente e sufocado.
Obrigada pela falta que sinto quando se ausentam...é nessa altura...
Sim.
Como a Deus,
Sim a apetecer gritar,
Sim gritado e revolvido em pelos arrepiados.
Gosto de gostar tanto, desalmadamente, de coração atrevido a querer saltar do corpo e a viver por aí.
Atrevo-me a repetir: SIM

sábado, 27 de dezembro de 2008

O suor percorre e segura-me os braços...quente, a arrefecer o trabalho intenso a que me prestei...na esperança de valer a pena e no desespero de não ter sido suficiente.
A mais, a mais o à volta, de lado, atrás e à frente...por todo o lado o lado a mais sufoca-me e é tudo a mais porque de não querer ser, a relevância eleva-se à minha frente...e ri-se.
Tremo e o suor aumenta, aumenta o calor e aumenta a espessura desta linha de água que cruza os poros todos, como que a mostrar-me que não se esqueceu de parte nenhuma de mim...E torna brilhante o desejo de não se ver...O corpo aparece, a pele, o odor a ser e depressa cresce o cuidado. Outra vez.
Chega.
Tenho já medo da próxima vez que ainda não chegou e choro-lhe o resultado como se fosse impossível fugir-lhe, inevitável o contacto directo, de pele e alma inteiramente prostradas a ela.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Já é 'depois'

Não sei bem se é do contágio,
se é simples plágio de outro alguém, este meu que agora corre
Se esta ânsia
Se esta constância de agitação equilibrada fala por mim ou eu por ela,
nela.
Talvez.
Ou então...
Não sei. Quero e invento e digo a verdade pela primeira vez. E julgam depois que é mentira, ou se acreditam, que é novo...que estou diferente. Que sou.
E é mais um ano que acaba, e soma apressa-se porque não quero.
Não quero dizer que é mais de metade da minha vida,
Não quero sentir que perdi mais de metade da minha vida por isto...nisto, com isto...
Sem nome ou com,
rotulado, com cores e código de barras...
Que às vezes estava errado,
(E quantas vezes foram aquelas em que o preço estava errado?)
Em que o piiiiiiii foi ensurdecedor até aos ossos,
Quantas vezes me reclamaram?
E não me ouviram...
nada mais que a muda obrigação,
na simples, concreta e directa assumpção ...
Nada prova e nada revela,
é subtil, a trova...
O passar do tempo...
Ai as horas e o silêncio nelas.
Agradeço-lhes o saber
adiantado como sempre,
O Muito Tempo.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

corpo: 34 graus e meio

Há dias em que há medo do passado, dias em que o presente é mais passado na ansiedade de querer o futuro mais depressa.
Depois há a calma, na altura precisa em que sentimos o presente como produto directo de uma soma.
" dois e dois são quatro "
Faltam umas décimas na soma que teima em subtrair-me, ainda.
Há o tempo, a falta dele e o que ainda tenho para correr contra os vícios de sempre.
Recomeço no ponto exacto em que me dei o "Sim".
Caminho outra vez.
O coração treme-me, estremece o corpo à volta.
Frio o corpo, aquecido...reaquecido agora...
Obrigada...

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Esperançometro

É saborosa a novidade...saboroso o medo e salgada a angústia. Doce ainda a incerteza, picante a persistente vontade de ir um pouco mais além...
Dá-se hoje valor ao que ainda não se conseguiu, simplesmente porque o centro se desenraizou.
Agradeço-me a hipótese de falhar.
E que bom é reerguer de uma queda diferente...
Que bom se o chão for já outro e a queda for mais demorada.
Minto se disser não me importar com a recusa...
Mas a desilusão é só fruto de uma expectativa sem nada que a sustente.
Dou-me ao luxo de me iludir...porque o resultado - sem fim à vista - me deixou chegar.
...aqui.
O longe mede-se em esperança.
Sinto a força da diferença e sinto-me diferentemente forte.
O pesadelo dos pés pesados ainda mói e atrasa,
mas de vez em quando já largo as botas, e lá vou eu: pés descalços para a chuva.