quinta-feira, 26 de maio de 2011

Quem me dera

Quem dera que chegassem as palavras para explicar,
as emoções saídas nas lágrimas tivessem letras a construir um puzzle ao qual já nem o conhecimento detenho...
Quem dera que o mundo fosse só o mundo, e a vida a-minha-vida-com-outros.
Quem dera que os dias passassem sem eu dar por eles e que os vinte, os trinta, os quarenta, não fossem peso, mas um não-dar-conta...
Quem dera ser capaz sozinha,
quem dera, quem me dera acalmar no balanço quando me embrulho em mim própria a tentar adormecer porque a vida lá fora está a custar demais...
Quem dera que a vergonha fosse por erros e não por impossibilidades às quais nenhum argumento serve porque "sim, tem razão".
Quem dera que amanhã haja frutos doces e chegue o fim das maçãs envenenadas...
Oxalá tenham coragem,
porque as minhas últimas gotas acabaram...

sábado, 21 de maio de 2011

em cena

Virou-me ao contrário e agora não há volta atrás.
Impedi-me de ser livre... mas foi muito depois de ter perdido a responsabilidade...
Já tenho tudo preparado na minha cabeça, como sempre... concluo o guião antes de o escrever... e darei as didascálias, uma por uma, a estes novos actores do improviso...
Compreendo a necessidade... e não o fiz por mim, mas por si, porque vai ficar "aliviada" depois da conversa... como um "passar a bola"... depois... Não sei.
A minha raiva e frustração têm tendência a ligar-se e a fazerem silêncio, tal é o furacão que vai aqui dentro... Não fui capaz de confiar mais, não fui capaz de me desmascarar a partir desse momento...
Vão entrar em cena para quê, se em 12 anos nunca o fizeram verdadeiramente... ?
E vão julgar-se muito capazes, curtir a o controlo, orgulhar-se de cada passo e pensarem "fomos nós.. sem nós ela não se safava"
É injusto e já sei que vai haver discussão... passado uma semana, como sempre, vão deixar de estar, ou quem se vai embora sou eu...

quinta-feira, 19 de maio de 2011

solidão

O tempo anda à sua livre vontade.
Acelera, retrai-se.
Como fazer mais se num instante me tombo sem saber de onde vem o excesso de gravidade?
O controlo, a auto-censura, a completa noção de prever e antecipar tudo a todo o tempo, acabou.
Acabou a farsa e vingou a clarividência do momento exacto, em que o corpo não me tem a mim.
Regressei a ele já duas vezes pela repetição do meu nome e a sensação não existe... o sentimento sim, mas esse não se pode dizer, porque quando o sentimento e o pensamento se fundem, assustam quem não está preparado para ouvir uma simples explosão de dor.
Causo-me náuseas de tanto falhar, tenho repulsa a esta determinada acomodação que se revela num estar inerte, um pouco longe e deslocado...
Cá dentro a diminuição da chama... aquela luz pequenina que eu própria acendi antes de me afastar do chão.
Fui para a Lua e avisei a toda a gente... sempre sem palavras como fui ensinada desde muito nova... as palavras são desnecessárias quando há coisas importantes para dizer. Revolvo-me nesta ultima frase e percebo a solidão em que isso me fechou.
Hoje sei e não existo..fugi daquela dor, e ela encontrou-me...disse-me que viveria para sempre aqui...
E tanto que lutei,
Faltam agora as forças,
mas um dia, um dia será diferente.

terça-feira, 3 de maio de 2011

corpo dorido

dói...
Tanto que não sei de onde vem. custa sentar, acordar, encostar... os membros estão nengros como se me apedrejassem violentamente.
Como é que se faz? onde é que eu fiquei?
Tirem-me daqui, não vejo nem oiço nada, não consigo reflectir, recomeçar, reencartar-me
"Quando é que deixaste de te amar"
Desculpe... não me lembro...

segunda-feira, 25 de abril de 2011

"eles" e eu

É no mínimo sarcástico o meu trabalho actual...
E o que escrevo para "eles", escrevo-o na minha pele também...
Mas neles, há a garra que me falta, as desilusões não devem andar afastadas... mas os sucessos são visíveis, dignos de um aplaudo em uníssono de Portugal e do mundo inteiro.
Passo entre eles, a dar mais uma dica e outra a quem diz as palavras que escrevo. Não consigo olhá-los nos olhos, mesmo que isso não seja necessário... A gigantesca montanha que nos separa coloca-nos praticamente no mesmo lugar... eu de um lado, eles do outro...
Os números, a balança, a vontade...
A vitória, as quedas e a derrota.
Longe de mim invejar-lhes a pele, mas a força, essa sim... daria tudo para a ter agora...
O risco que corro agora é mais alto do que o deles neste momento.
Não parei ainda, não entrei ainda no meu corpo para o tratar, para aprender a amá-lo, a amar-me.
A semana passada tive um susto e livrei-me de outro...as percentagens assustadoras não me tocam nem chocam como deviam... e esta semana, voltei ao número impossível.
tenho uma semana para voltar a levantar-me. pelo menos a ficar no ponto onde estava, ou sei lá onde... já recorro aos métodos de emergência e é difícil gastar dinheiro para aguentar quando "não há tempo"... Não é o dinheiro que custa gastar, é eu ter de munir-me para aguentar, mais um dia, só mais um dia, só mais um dia...

domingo, 24 de abril de 2011

são os dias

Queria uma concha, deitar-me embrulhada em mim,
adormecer...
Fugir do ruído todo, das preocupações dos outros sobre mim... Eu sei... mas nada mais posso dizer, a não ser "não te preocupes, estou bem"...
Custa a repetição, cansa... mas não cansa mais do que carregar o peso deste dia-a-dia, cada vez com menos esperança, cada vez com menos sonhos, menos prazer, menos lágrimas... pela inevitabilidade que agora parece a única saída...
Já soube lutar, já me armei com tudo o que tinha e não tinha, já me desarmei inteiramente e entreguei-me a quem me pediu para confiar...
A vida corre como os passos da corrida, um pé à frente do outro, qualquer que seja o destino... e às vezes pensar: para quê pensar? que futuro?
A minha carreira limita-se à sorte de ter quem me queira activa, com a determinação e empenho que este meio me conhece...
Mas... para quê?
Para quem?
Para quê?
Deixei de matutar nestas questões que só me atrasavam as horas...
Estou aqui. Estou viva. Pago o irs e a segurança social. Não dependo de ninguém, não peso a ninguém...
O Futuro?
O futuro...

quinta-feira, 21 de abril de 2011

a noite do dia

Alguma coisa ou alguém,
uma corda, uma mão, um abraço apertado e quente...
O frio entrelassa-se nos ossos,
e a termogénese protege-me do congelamento total...
O cérebro não age, reage,
os músculos dão conta do recado mas pedem-me as contas ao final do dia, e castigam-me.
O coração avisa-me da lentidão que necessita a cada passo que dou e eu respiro fundo...
espero que o oxigénio me renove as forças e estou mais presente do que nunca em cada fase de todas as funções vitais...Como se a pele fosse tão fina, tão transparente...
Engano o resto,
ou penso que o faço...
Riu-me simpaticamente das poucas frases que dedicam à preocupação de quem nada sabe do que se passa.
um passo mais
um músculo pede ao vizinho para trabalhar...
O dia acontece, a noite rouba-me e o escuro protege-me...posso ser EU, com todas as dores...

segunda-feira, 18 de abril de 2011

a rede

Sem rede e a tentar subir alto, alto...longe do chão, do fogo no chão do chão que desaparece assim que o pisas...
O medo, de não ter rede é o resultado da queda...de mais uma queda depois de cair tantas vezes... e magoa, cada pedaço...dorido, aleijado, sofrido...
E ninguém imagina, quando a gazela corre, o quando lhe custa erguer, saltar, para o pedaço de terra a seguir... ou a aterrar ou atrapalhar-se nas suas próprias patas e cair... ser atacada em vez de fugir ou atacar para sobreviver.
Hoje,
tirar-me-á a rede?
Vai deixar-me?
Sem perguntar é tudo aquilo que quero ouvir,
e uma esperança,
um nó,
um aperto profundo em que todos os órgãos se retorcem...
Hoje talvez espere os números de amanhã
E saiam,
em debandada do cenário de guerra aberta...
direi só que percebo,
que entendo,
chorarei depois...

quarta-feira, 13 de abril de 2011

chega?

Preciso de ir. de partir.
Preciso de ter a sua palavra a confrontar e calar as minhas. preciso de ordens e não de sugestões.
Preciso de assumir o meu 'hoje'. Preciso de largar o passado e construir no amanhã o meu futuro, se for para o futuro existir.
Preciso da sua visão pragmática que tanto me escapa por ora,
Preciso de assumir que é mesmo do cansaço e que não 'emburreci' nem fiquei mais lenta por alma e graça do Espírito Santo.
Preciso que o corpo pare e que a cabeça comece a trabalhar.
Preciso de desligar o piloto automático que me mete a 100000 à hora... o resultado já nem é como era...
A máquina queixa-se
O corpo grita a cada dia...
Tem toda a razão.
Onde é que fiquei?
O que é que aconteceu?
Quando é que o desamor se colou à minha pele?
para quê uma pistola dentro da boca prestes a atirar?
Não penso. Ajo, como posso e me obrigo a cada dia, com um esforço vindo de uma força que não é a minha...
parar... parar é morrer

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Ambiguidade

Antes de adormecer fecho a janela até meio.
Quero que o sol me diga bom dia já que o corpo está amuado comigo e não temos conversado...
Confesso que também estou zangada com estas dores de virar a anca de um lado para o oposto...
Estou zangada,
Estou furiosa,
Estou acordada.
Gosto dos dias maiores, dilatam as horas.
Odeio o crescer dos dias, durmo menos e a dor dura mais...
Preciso de uns olhos, preciso...
(Não peço)
Tenho medo do próximo encontro e é incrível como tudo o que tenho escrito são encontros onde acontecem coisas tão importantes que mudam o rumo... do jogo...
é entretenimento, é programa, é televisão... mas são pessoas...
Sempre me custou pegar em pessoas e transformá-las... mesmo que sejam elas a vir, muitas a pedir...muitas a querer só aquilo que eu fujo... serem vistas!
Este novo trabalho faz-me lidar com vidas trancadas dentro de um corpo que reconhecem e odeiam...(onde está a diferença)... Depois de todos os meus dramas éticos, tratei a forma de ligar com aquelas pessoas - é o poder que me dá escrever - são heróis. Heróis por lutarem, por desistirem e regressarem à luta...
Rendi-me e tenho inveja dessa garra.

domingo, 10 de abril de 2011

o medo invertido

A acertar a ordem e o passo.
Não há outra forma...
As dores da compressão exprimem-se negras, resvalam para o verde até desaparecer, a cor e a dor.
O destino é incerto, o caminho sinuoso,
A falta de mãos e de braços, o aumento do vento a zumbir e a fazer-me coçar as orelhas compulsivamente, pela impressão que deixa cravada.
As pernas levantam-se, uma de cada vez, os pés pousam um de cada vez... e o cansaço, a maldita fadiga de quem só tremeu de nervosismo e não fez sequer um km.
Há uma parte orgulhosa por me ter posto ao caminho, por ter saído da gruta onde o escuro me toma e me cega...
Abri os olho e vi, quis ver e quis levantar-me...
O medo...o medo...
pelo menos por agora virado para o caminho certo..
não tenho de ter medo do que antes havia tido, do que tenho na maioria das vezes, do que me persegue horas e horas, o meu trabalho a 24 horas.
Ganhei pela primeira vez o medo certo,
e por mais estúpido que seja, gosto deste medo e preciso dele...
Sabe bem este medo... há uma cumplicidade, menos solitária nestes medos que todos temos...
Este medo aproxima, este medo é o medo dos outros que me olham...
Deixei por ora o outro medo, mas sei e estou preparada para voltar a recebê-lo...nada, nem o medo passa assim...
E ainda assim, sei que nada nem ninguém, o pode mandar fora e despedir-se dele senão eu...
E ninguém melhor que eu para se despedir... Por milionésimas vezes me despedi... disse adeus, tantas vezes sem palavras... É duro gostar e mandar embora... mas foi preciso, ou julguei que o era...
Essa é a solidão controlada.
A outra... na outra, eu não tenho mão...

terça-feira, 5 de abril de 2011

4, 3....

Abaixo do limite,
muito abaixo,
nem lhe disse hoje depois da "ameaça" da semana passada...
E eu quero, juro que quero, mas ninguém acredita porque as pessoas são as acções e eu fico, só a ver, só a deixar o tempo correr... e cada esforço é cada vez mais em vão, como se o corpo me estivesse a "ajudar" a dar-"lhe" tudo, a dar-"lhe" a minha vida... de uma maneira tão simples, de uma maneira tão francamente simples e veloz...
E eu não tenho já forças para correr e me apanhar.. e não paro... e não ajo todos os dias como Quero, como QUERO... e ninguém acredita... mas eu QUERO...
Que me arranquem do corpo, que me levem, que me abracem...que me devolvam o meu eu de dentro, que me ajudem a encontrá-lo....perdi tudo... do 4 para o 3.... não era nada disto...nada disto que eu previa...e tenho medo, tanto medo... embora aja como se não o tivesse, embora esteja em cada dia como sempre estive... mas sou eu cada vez menos sem mim... Quanto tempo é que sobra?
Às vezes não sei se prefiro que o tempo acabe já...
Porque o medo é que dure a vida inteira...e isso é demasiado tempo...

domingo, 3 de abril de 2011

Primavera

O sol aparece mais, os dias duram mais, as flores, estão mais bonitas, o mar chama-nos... A primavera - e a quaresma para quem Acredita - são ou deveriam ser a preparação e o começo do renascimento, de quem ficou a dormir, voltar a acordar, de quem ficou no escuro voltar a espreitar a luz... de quem ficou na caverna, pôr a cabeça de fora. Sim É isto. Só isto. Tudo isto. Acima de tudo, começar de dentro para fora, do ninho para a imensidão do céu... Tenho saudades da primavera (não me julguem estúpida porque já estamos, porque sim, nela) mas da minha primavera... Sei que os passos terão de ser meus, sei que tenho de ser eu a espetar no cimo da montanha essa bandeira. Onde é que ela ficou, onde é que eu a deixei?

terça-feira, 29 de março de 2011

menos um

Foi o que ela disse.
Foi o que disseram depois como que a acertar no ponto, a verem através da pele bem mais do que as veias...
O limite, outra vez o limite...
O querer e o não fazer, o desespero e a harmonia do acto, como se estivesse tudo para o mesmo rumo e ninguém percebesse o quanto quero sair daqui de dentro.
As mão acompanham o cruzar dos braços.
Olho de baixo, do fundo...
e anuncio ao invólucro que não tem mais mãos que o toquem...
será o chão. A terra, a tijoleira ou a alcatifa a ter-te inteira, num sítio qualquer, num instante qualquer... porque nada disso importa, nada disso existe...
A cabeça diz que não, o corpo conforma-se e adianta-se à pressa de não ter tempo para deixar tudo pronto antes de partir... de cair, de desfazer-se como um puzzle onde faltarão sempre peças para ser completado.
"Quando é que foi?"
"porquê?"
Perguntas e perguntas baralhadas num cérebro de pássaro que já não se reinventa para encontrar a história e as marcas...
O boicote persiste, hipoteca-te, destrói tudo...
e no fim, depois de todos os lamentos, pedidos, dores de quem só observa...
é como a queda do Ícaro no quadro do Brueghel...
cai, afoga-se... e a vida continua (sem ele), continua... segue em frente,
mesmo que um dia alguém lhe sinta a falta... é só um lugar desocupado, preenchido depois pelo espaço a menos que se queixam sem dizer quem dele precisa para Ser.
É a antítese... o futuro promissor e um passado demasiado dorido para sequer um passo em frente... (onde é a frente?)
E pouco a pouco, as pistas são cada vez menos, os pesares, os pêsames depois...
E um pedido que nunca será satisfeito... o pedido das desculpas.

quarta-feira, 23 de março de 2011

o corpo e a alma

Faz do corpo uma mensagem.
Assustadora, ou pacífica por sempre terem conhecido, mais ou menos, assim...
O que faz perder corpo ao corpo, o que faz voltar a descer vertiginosamente, a voltar onde jurei nunca mais ficar um segundo que fosse...
O resultado não será o mesmo e por isso não posso chamar-lhe retrocesso... é uma descida assustadora, porque os pés deixaram de ter chão para pisar.
Hoje disseste-me "Gosto muito de ti", mas de que "ti", se nem sequer sabes o que se passa cá dentro... se vês por fora o que te faz ter medo de vir a ter ainda mais medo por aquilo que pode acontecer... e tu nem fazes ideia do que pode mesmo acontecer... nem eu. Mas a mim contam-me, e ouço-o como se estivessem a falar de outra pessoa qualquer.
Não é frescura da juventude, de pensar nestas idades que se é imortal, que a vida é longa de mais ainda, para se pensar num fim... Mas não é isso (quem me dera)...
É a experiência de anos, de cair e levantar no momento a seguir, de estacionar nas urgência e de no dia a seguir estacionar à porta da faculdade para fazer um exame, de estacionar no dia a seguir para mais uma maratona de horas de trabalho, de muito trabalho, sem fim...
O corpo aguenta bem mais que a alma, mas esta não se vê... só eu a sinto graças a Deus.

terça-feira, 22 de março de 2011

até ao fim

A descida vertiginosa acontece. Sem a provocar, sem sequer pensar muito nela...
O tempo acontece, acelera agora que não dou pelos dias passarem e até me esqueço de pagar a segurança social...e lá vem a multa!
Este novo trabalho não será multado por mim, vou aguentar, não quero saber o quanto custa ou o que posso hipotecar com isto. A minha vida não vai mais parar, vai com o tempo, rápida.
Não me interessa nada, fora ou dentro de mim... Eu aguento como sempre aguentei e faço absolutamente tudo o que for preciso e apenas o que for capaz de fazer. São momentos que me esperam e são momentos a que eu vou fugir sempre que for preciso.
Não vou ao chão, não vou cair,
aguentar-me-ei até ao fim
até ao fim...

sexta-feira, 18 de março de 2011

O sempre amanhã

Por mais anos que passem, o dia anterior será sempre com batimentos cardíacos desregrados e e guardanapos molhados de água e sal.
Saber O número, saber a mudança, como se ela acontecesse num só dia, interessa aquele dia, aquele número poderoso e agressivo.
Tenho medo e tenho ansiedade a mais para esta altura...
digo coisas parvas só para não ficar calada e pensar menos,
porque amanhã é O dia.
estou cansada destes dias, de ouvir e dizer sempre o mesmo, de sentir-me a morrer por subir e depois inspirar, não ter tempo para pensar se quero ou não ter os olhos abertos. Querer e não querer ver, querer e não querer, desejar, repudiar inteiramente tudo. Tudo.
Querer não sair dali, que sejam 10 a mais, já ou 10 a menos de repente e me levem, me tapem a boca e me achem inapta para tomar qualquer decisão. Não querer ter de querer saber...
Ir só.
Chegar só.
Conversar só.
Despedir-me, só.

quinta-feira, 17 de março de 2011

A Ti, sorte em ter-Te

Sinto um fio que me atravessa a espinal medula e ultrapassa o rijo crânio...vai até lá acima, acima das nuvens, acima do que é visível aos olhos...
A alma cabisbaixa e mesmo assim o fim não rompe.
Deus ama-nos independentemente de tudo, está para além de tudo e perdoa e dá colo a todos.
Ter fé, acreditar em Deus é uma sorte. Eu sou uma sortuda e desejo sempre que partilhem desta minha sorte... Há dias em que o mundo acaba e o sono nos leva, e mesmo assim ele está lá... nunca me zanguei com Ele, mas poucas serão as pessoas que tantas vezes como eu pediu o seu perdão.
E peço perdão a cada dia, e peço a cada dia que me tire o dom que me fez nascer mulher, cidadã, filha, trabalhadora, futura mãe, esposa, avó... Peço sempre perdão pelos papeis que não sou capaz de ter um "excelente" na sua execução.
Quando a cama parece o único abrigo seguro, la vem Ele, dar-me mil telefonemas com propostas de trabalho, uma força impulsiva de me inscrever num curso novo... e quando o trabalho fica feito e a dor aumenta de novo, lá vem ele, dar-me mais um projecto para desenvolver, e quando ainda sobra tempo em que as lágrimas não param lá vem Ele dar-me aquilo que me dá prazer fazer, em que o dinheiro é um mero instrumento para ajudar quem precisa...
Passo a vida a considerar-me sortuda, por tudo o que me acontece, por tudo o que não procuro mas me encontra...
Sou sortuda sim,
Sortuda por ter fé...por acreditar nEle acima de todas as coisas.
E espero...
respiro fundo...
e há dias em que não aguento e Tu já sabes o que te vou pedir... o único desejo que nunca concretizaste... e pergunto-Te encharcada por dentro e por fora... e Tu não respondes, Tu esperas e obrigas-me a esperar...e os pequenos milagres acontecem...esse fio que tu seguras, e que só vais puxar no fim de tudo... mesmo que te implore, o meu tempo é Teu. E peço-Te perdão outra vez.
Vou precisar de ser forte para o que aí vem, desta vez não vou deixar que o corpo me atraiçoe, vou cuidar dele o melhor que sei e consigo, mesmo que falhe, mesmo que a perfeição que desejo não chegue..porque ela, só a Ti pertence...
Tu sabes o meu medo, eu sei-Te aqui, mesmo quando parece que me deixaste.
Sorte em acreditar em Ti, sorte em ser conTigo e de esperar pelo dia em que me pegares ao colo para finalmente poder descansar...
Por favor, continua a acreditar em mim.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Quando tudo cai

Ontem senti-me assim, desamparada, abandonada, incompetente, escrava, no fim...
Ontem fui espancada por dentro, arrancaram-me a esperança e deitou sangue, ficou em ferida... Não chego lá para a tratar, para pôr creme, para desinflamar..
Ontem apagaram-me a chama... e no fim fiquei pedra, rija...
Ontem vi-me de fora, como se o corpo partisse de mim... porque eu saltei e ele não veio comigo.
Espero o corpo a apagar-se outra vez, espero que não esperem demasiado tempo, espero que vejam que não sou eu quem lá está, no corpo...
Não me rendi mas não consigo arriscar...
Mostro tanta força, mas é só medo virado do avesso.
Ontem deu por mim o fim, uma hipótese de ficarmos por aqui...onde resta amparar os passos para não acabar de vez... Ou esse pequeno espaço de vida ou a vida inteira caso me carregue até lá chegar.
Ontem resumiu-me a uma decisão... e eu não conheço as palavras das respostas...
Conduzi para casa de baixo de um dia de sol, mas com uma chuva torrencial que depois percebi,
eram os meus olhos e a solidão.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Mais.
Ninguém vê, vêem antes o que eu não vejo e depois pedem-me coisas que não percebo.
Não estou habituada a esperar, antes a lutar e conseguir, furar o chão até ao centro da terra com a minha bandeira.
Preciso de laços e que os abraços não fossem cada vez menos,
Há uma sensação de dureza nos passos, uma rigidez feita dor de cabeça para não desviar do caminho... e quanto custa...
Nunca esperei parabéns nem me exalto com as congratulações dos passos em frente.
Quero mais,
Quero já ou quero nunca!

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

abandono e desamor

Lembro-me da esperança inteira,
às vezes ainda coloco as mãos a fazer de concha...e está lá, mesmo que vá caindo por entre os dedos...
Não me amo e abandonei-me numa praça de um sítio qualquer cheio de gente,
quero sentir o mar, inteiramente
quero apanhar chuva e molhar-me inteiramente,
quero sentir que eu sou minha, inteiramente...
Não sei onde fiquei, de onde vem tanto medo, tantos travões a fundo.
A verdade é que o que te sai da boca não te sai do coração,
e magoa, abre uma ferida bem grande, cheia de falhanços, escondidos pelas crostas sobrepostas.
As noites são iguais, ou são diferentes mas com um final igual,
sem apetecer amanhãs, sem acreditar, cada vez com mais dúvidas, mais desamparada, com menos braços que amparem a queda.
Ninguém sabe,
esqueci-me sempre de contar tudo...
e a minha história vai-se fazendo de capas e contra-capas diferentes... já não tenho livro sem capa.
já não sei rir por estar feliz,
não consigo chorar por estar triste.
E a vida lá fora continua sem mim.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

cubo de gelo

Estou com um pé no ar e outro a pender para a frente. Meio desequilibrada, ainda com um caminho longo pela frente... não vejo o fim mas o caminho já não é tão escuro. Quando as estrelas todas se escondem por trás das nuvens, fica mais frio, mas em vez de cega fico muda, e é esse não saber dizer, não entender que me revolta. Pergunto-me tantas vezes porquê... Dou os melhores concelhos como se tivesse estudado e decorado um dicionário de trás para a frente. Quando me tenho à frente, tudo se esvai... É certa a tendência que temos a valorizar mais os erros que as vitórias, como se as vitórias fossem a nossa obrigação e por isso não faz qualquer sentido serem elogiadas ou sequer tidas em conta.
Em Setembro não era neste ponto que julgava estar no fim de Janeiro... mas o calendário sempre teve a mais que eficaz maneira de me trocar as voltas...talvez por serem também feitos de números. Nunca acertei... mas se por um instante isso me alivia, esse alívio logo desaparece na próxima subida "à maldita".
Vim com as regras, e hoje está tudo melhor, melhor para mim, a minha querida médica também sabe disso... Porque cumpri, porque a cada resvalo se segue um retorno ao que havíamos combinado. Mas é como se estivesse estagnada, num cubo de gelo que me faz ter tanto, tanto, mas tanto medo...
Tentámos dar-me mais tempo, para ver se eu conseguia relaxar e deixar-me levar pelo que tinha aprendido e me tinha feito sentir melhor...
Todos os projectos que fiz para este tempo, não aconteceram e tenho medo de ficar sempre aqui.
Lembro-me de dia 5 de Setembro em que falei com uma grande amiga e que combinámos doar toda a minha roupa ridiculamente pequena, para eu nunca mais a poder vestir, para eu nunca mais comparar, ou num momento de fraqueza sentir "saudades"....
Não comprei mais roupa que é suposto não me servir, mas também não pude cumprir aquilo que combinei de sorriso nos lábios e uma força verdadeira de "é desta!", eu vou vencer porque EU quero.
E Eu quero.
Mas eu não sei onde é que eu estou...

cubo de gelo

Estou com um pé no ar e outro a pender para a frente. Meio desequilibrada, ainda com um caminho longo pela frente... não vejo o fim mas o caminho já não é tão escuro. Quando as estrelas todas se escondem por trás das nuvens, fica mais frio, mas em vez de cega fico muda, e é esse não saber dizer, não entender que me revolta. Pergunto-me tantas vezes porquê... Dou os melhores concelhos como se tivesse estudado e decorado um dicionário de trás para a frente. Quando me tenho à frente, tudo se esvai... É certa a tendência que temos a valorizar mais os erros que as vitórias, como se as vitórias fossem a nossa obrigação e por isso não faz qualquer sentido serem elogiadas ou sequer tidas em conta.
Em Setembro não era neste ponto que julgava estar no fim de Janeiro... mas o calendário sempre teve a mais que eficaz maneira de me trocar as voltas...talvez por serem também feitos de números. Nunca acertei... mas se por um instante isso me alivia, esse alívio logo desaparece na próxima subida "à maldita".
Vim com as regras, e hoje está tudo melhor, melhor para mim, a minha querida médica também sabe disso... Porque cumpri, porque a cada resvalo se segue um retorno ao que havíamos combinado. Mas é como se estivesse estagnada, num cubo de gelo que me faz ter tanto, tanto, mas tanto medo...
Tentámos dar-me mais tempo, para ver se eu conseguia relaxar e deixar-me levar pelo que tinha aprendido e me tinha feito sentir melhor...
Todos os projectos que fiz para este tempo, não aconteceram e tenho medo de ficar sempre aqui.
Lembro-me de dia 5 de Setembro em que falei com uma grande amiga e que combinámos doar toda a minha roupa ridiculamente pequena, para eu nunca mais a poder vestir, para eu nunca mais comparar, ou num momento de fraqueza sentir "saudades"....
Não comprei mais roupa que é suposto não me servir, mas também não pude cumprir aquilo que combinei de sorriso nos lábios e uma força verdadeira de "é desta!", eu vou vencer porque EU quero.
E Eu quero.
Mas eu não sei onde é que eu estou...

domingo, 9 de janeiro de 2011

voltar

Não te sentes perto nem de parte,
mas o à parte é esse olhar de fora, como se fosses uma câmara oculta que detecta os movimentos corporais, faciais, que querem dizer coisas que não sabes muito bem o que querem dizer...
Há contentamento, mas não há aquele calor que querias...talvez ainda não tenhas feito o suficiente para isso...
falas de ti, dos projectos, aliás, sempre foram "os projectos" o assunto híbrido que tenhas para contar e falar uma noite inteira se fosse preciso...
Hoje tentas-te tornar mais humana, mas não é fácil integrar essa vida na tua vida, aquela, própria, dos teus minutos e segundos inteiros.
Fazes parte, tu sabes que fazes parte ou não te chamariam nem convidariam para continuares a fazer parte...
mas chega ao fim e dói um bocadinho, não sei bem onde, muito menos por quê.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

simplesmente

É difícil,
está a ser difícil,
não há mais mãos, não há mais gritos vindos cá de dentro...
Sei o caminho mas os pés prendem-se, tropeço em mim,
vou e volto para "a festa".
Não como imaginei, não como lutei... Será justo? poderei eu falar de justiça?
e vou dizer, dizer, não me calo porque esse silêncio ensurdecedor já não me dá nada... preciso de dizer e às vezes é difícil esperar pelo dia e pela hora marcada...
Sim, fiz progressos, mas não era só isto que eu queria...queria nascer também...
Passou o tempo de ser aquecida, cuidada ao pormenor... agora sou eu.. não se trata de uma luta de números - nunca se tratou por mais crente que estivesse - sais ou ficas? vens ou ficas? caminhas ou sentas-te no chão molhado das tuas lágrimas?
Ainda não estava pronta, ainda não estou...ainda tenho dúvidas, ainda tenho muito medo... e de onde é que isto tudo vem? porque é que a cabeça não pára? porque é que dói tudo tanto ainda?
Não estou onde estava, mas este caminho ainda não tem sol suficiente para eu ver os buracos todos...e quando me afundo, quase quase me afogo...

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Natal

Há muitos anos que o Natal se tornou ambíguo....Não falo do consumismo decadente, nos olhos das pessoas transformados em euros porque têm de dar àquele, à outra e ainda uma lembrancinha a não sei quem "para não ficar mal visto"...
Dessa parte já passei do amor ao ódio, um processo que só a idade(?) permite... eu adorava receber presentes, para mim era o máximo quando ficava desde as 7 da manhã a ver tv e a escrever num papelinho quais - dos anúncios - é que eu ia pedir. A escolha era difícil, e eu nem ligava ao esforço que os pais faziam para nunca me "desiludirem"... à meia-noite, rasgava os embrulhos, e só queria ficar a brincar... pedia sempre em silêncio para não ter sono, só esta noite...mas o pedido talvez fosse pedido fora de horas e acabava sempre por adormecer...mas não falhava: cedinho, bem cedinho lá estava eu e os brinquedos... depois vinha a mãe ensonada a trazer-me nestum bem ralo (a mana é que gostava de o comer super empapado). Eu deixava aquilo ali a arrefecer, e a mãe voltava para a cama depois da sua tarefa cumprida de alimenta a sua cria - eu.
Desde que fui atacada por esta monstrinha-amiga-da-onça-carinhosamente-e-totalmente-dominadora... o Natal mudou...Foi na transição de receber presentes diferentes, em que pouco ou nada pedia...porque o meu presente preferido não constava na lista do pai Natal nem do menino Jesus... o cheiro da casa, da cozinha no Natal, passou de reconfortante a vigilante....o conforto deixou de o ser... o medo era mais que muito. Lembro-me de se zangarem comigo pela falta de entusiasmo quando abria os presentes - e nunca pude dizer que não era pelos presentes....é que a mesa era grande, e por mais que eu metesse doces nas bocas das outras pessoas, a mesa parecia sempre cheia... e eu cheia de contradições e medos e a sentir-me profundamente sozinha... e nunca contei o segredo...que bom era ter a família junta - sempre fui de juntar gente em minha casa nestas Festas, porque acima de tudo, para mim são festas de família... Mas de sonho, às vezes realizado pela minha persistência, passou a pesadelo... eu estava ali, mas não estava... inventava maneiras de me "enturmar" numa equipa que já era minha, mas que a "outra" me roubava o lugar.... tentava tocar viola, brincar com os mais pequenos...mas muitas - tantas vezes - ela ganhava...e o final da Noite de Natal era igual a outro final qualquer - talvez só com mais lágrimas, mais raiva e muito mais sozinha.
Este Natal celebro também o meu nascimento... Não é uma Páscoa para mim, não ressuscitei... nasci de outra maneira e atrevo-me a dizer que me apetece que chegue o Natal, a família... a mesa vai lá estar na mesma...mas não será a maneira de lidar com ela que vai ditar o que vou sentir... Abraços, quero abraços! virar os meus sobrinhos de pernas para o ar, dar-me a oportunidade de gargalhar com eles, de lhes montar os brinquedos novos, e de rezar, agradecer a Graça que me foi dada...Esta sou eu, a .

sábado, 18 de dezembro de 2010

diferenças

Agora há dias assim...
Em que só apetece fazer. Sair, empreender nem que seja em ideias, mexer, escolher, passar o tempo com coisas boas sem chegar ao fim do dia com aquele sabor de "passou mais um dia. ponto."
Quero mais passar pelos dias, não os quero a passar por mim.
Quero gritar por alguém se for preciso e eu não quiser estar sozinha.
Ter direito a isso, a mais e mais...
O ardor passou,
O corpo hoje não me faz lembrar nada porque o frio é tanto que não sou a única a senti-lo... há essa comunhão, ainda bem...
Ao mesmo tempo o mundo ainda está lá fora e eu mal saio da redoma para continuar o percurso lá fora.... Aí há regras. "Ainda não".
está bem, mas 'ainda não' até quando?
Pareço uma miúda a fazer birra: "mas eu quero..."
Mais uma vez a Graça de Deus vem dar-me ajuda...cumpro as regras todas e tenho mais um alento para me deixar estar a recuperar... estou a fazer coisas que gosto...tudo com calma, a calma que me pede...

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

dores do corpo

Tudo se paga,
e dou por mim a obrigar-me a viver e a ignorar a dor do corpo,
Eu sei, eu sei que fui eu...
Investigo, encontro os pontos comuns ao que se passa aqui dentro, a este ardor...
Porquê agora? Agora que me vejo e sei melhor, agora que renuncio de cabeça erguida, em que ganho bastantes mais vezes que aquelas em que perco...
São dos anos todos em que fui fraca, em que me curvei...
Virá ou estará já em mim o resultado, aquilo que ninguém via de fora - elogiavam-me o cabelo farto e luminoso, as unhas fortes - e depois aquele ardor, hoje maior, insuportável...
Tenho de saber o que é isto...seja o que for é justo e encararei da mesma maneira...
Agora que começo a ver o sol, a dar-me ao prazer de aproveitar o calor do sol de Inverno com um casaco e um livro, esta dor parece querer fazer-me lembrar para sempre do mal que me fiz.
A raiva ainda me diz que mereço, a esperança faz-me pensar que há solução...
A razão faz-me sentir medo

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

disfonia

Amanhã será mais um dia de Verdade.
É estranho olhar para a minha agenda e compará-la com alguns meses atrás.
Nem escrevo consulta, passo logo ao assunto... e o resto, o que antes estava em primeiro é agora secundário. Pouco a pouco há algumas coisas a voltar...num tempo que me parece sempre lento... a imagem que melhor ilustra esta sensação é estar a conduzir e carregar a fundo no acelerador e no travão ao mesmo tempo.
Não fossem os números terem ainda grande impacto na pele, e a ansiedade seria apenas vontade de contar, confiar...
Mas confesso, os números assustam ainda, a balança é uma espécie de medidor de bem-estar, ridículo, ao mais alto nível!
Será que este medo vai desaparecer ou ao menos amainar? Serei eu capaz de o enfrentar, de continuar, de persistir até chegar "LÁ" sem olhar (muitas) vezes para trás?
Eu quero, quero muito mesmo... quero muito ser eu a minha prova que não faz mal, não vai doer mais do que dói hoje...
Racionalmente é fácil: "o que é que tens a perder?" é o que eu me repito... é que entregar-me verdadeiramente é baixar as barreiras todas... e eu sei, vejo-as aqui, no espelho, dentro do carro enquanto as pernas se juntam debaixo do volante.
A minha ausência, as "férias" que passei na luz, foram bem mais que parar. Fui para lá com um sinal de STOP integrado... era esse o objectivo. Hoje vejo a qualidade de vida que ganhei... mesmo sem estar a trabalhar, sem receber um tostão (mal-ditos recibos verdes), e cheia de proibições... É importante cumprir, estas regras são a minha liberdade, e há muito pouca gente que pode perceber isto... Graças a Deus, porque é sinal que não viveram com esta coisa impregnada na pele, no avesso dela, no sangue...
Tudo o que aconteceu de bom desde o meu "sim", devolveu-me imensas coisas que julgava perdidas para sempre, e afinal foi só esticar o braço...
A verdade é que amanhã gostava de contar como tem sido difícil, tudo o que dói e dói muito ainda... mas às vezes sinto-me tão... ridícula... Como se não tivesse direito, como se a resposta a "como é que está?" não pudesse ter outra alternativa a "bem!".... Porque a verdade é que, sim, consegui tanta coisa... mas ainda não passou, tenho medo, preciso de uma mão de vez em quando... mas será que tenho esse direito? Não devia agora ser só a minha parte? Estou a dar o meu melhor, estou a dar-me à vida... ou uma espécie de resgate...
Hoje está tudo acelerado aqui dentro,
e eu quero e não quero o amanhã

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

passos

Hoje vou ter uma reunião de trabalho, daquelas, à séria (na minha profissão).
Fui eu a escolher o sítio, a organizar as horas.
Antes, o trabalho era o meu pilar de salvação. Se não o tivesse cairia (pensava) na entrega ainda mais total a "ela".
Sempre trabalhei com afinco, a bem da verdade, o mesmo em que ponho a tudo o que vim a fazer ao longo destes anos de puro sofrimento a que eu dava voltas e voltas, só para doer um bocadinho menos... Na altura não dava valor, valor algum a qualquer coisa em que me metera... Os exames nacionais com maçãs, a faculdade com sopa, o trabalho com frutas, jejum, caminhadas imensas, intensas... dores no corpo, almofadas debaixo da cadeira, feridas quando não havia almofadas... e vozes, vozes longínquas... "ela vai morrer" "como é que ela consegue" "dava-lhe 16 anos"... tudo em eco, tudo numa forma em que nem sabia nem interessava se era ou não para mim. Hoje contam-me de como fui e de como afligia as pessoas que mais gostam de mim. Tenho uma grande amiga hoje que me disse há pouco do medo que ela teve em aproximar-se de mim... até os professores diziam que eu ia morrer, e não percebiam... é difícil, eu compreendo...
E piorava, e melhorava milimetricamente...eu não ouvia, talvez por defesa. O medo trouxe afastamento - criava medo - dizem... e eu lia tudo sem saber muito bem para quê. Os dias seguiam-se, um 18 no exame de matemática, a finalidade do curso no tempo certo e com as notas apropriadas, o início repentino do trabalho como se me tivesse caído do céu, a sucessão de convites, a acumulação de empregos... e a cada passo sempre uma pontinha de esperança "é quando... que me vou sentir melhor"... procurei sempre fora e a resposta estava tão perto...
A chave foi a verdade, o primeiro passo a confiança... Ouvir repetidamente as regras, às vezes bem rígidas que desde Setembro são uma espécie de oração... O tempo é diferente. A passagem dele dá por mim à procura de mim, deles, dos que deixei... Só tenho ordens para trabalhar um bocadinho, em casa... mas hoje vou ter uma companhia à tarde para pôr em ordem o trabalho a que quero voltar quando a médica achar que já posso. Ela é que sabe de mim...
Mas estou com aquele frio na barriga, um medo de ser pior agora o que fora antes de recomeçar a trabalhar... de onde vem esta ansiedade? é mais uma ambiguidade, a vontade de me deixar debaixo dos cobertores com o portátil em cima da cama e o início de um novo projecto de trabalho...
Faz parte
Vem aí tanta coisa

domingo, 5 de dezembro de 2010

Dias

Parte da lentidão se deve ao medo.
Se há um lado que se quer impor e acelerar o processo, há outro antigo que dita a lenga-lenga: mais vale passos pequenos, mas seguros, em chão firme.
Tenho dormido imenso, há um cansaço que se apropria de mim, depois curva-me as pálpebras até que as pestanas e juntem, levemente, suavemente... como se falassem entre elas, baixinho, para eu não ouvir...
O Acordar fora de horas, impensável noutros tempos faz-me um filme em fast forward de tudo o que eu podia ter feito para manter o metabolismo activo, os músculos a sentirem-me, eu a tomar conta de cada um deles, mesmo com as precauções todas e as regras que passaram do papel para uma espécie de tatuagem, de outra maneira, bem vincada no meu peito.
Sei bem que de nada me vale esta contra-corrente a que às vezes sou incapaz de escapar... mas uma coisa que eu pedia é bem mais certa, mais real hoje... que os instantes entre uma queda e a próxima se distanciem ao máximo... e é isso, tudo isto sem milagres. Enfrento as escorregadelas com cada vez menos medo que se tornem um ciclo. Aquela ansiedade, já não é "aquela", e não me dou inteiramente como antes me entregara...
Faltam-me partes para recuperar a minha vida, talvez venham só quando se puderem substituir por aquelas que nunca existiram e sempre cá estiveram. O tempo custa, uns dias mais que outros e tudo se torna numa espécie de jogo...há o medo, o risco, há a coragem... De alguma forma ainda estou presa cá dentro...dizem que leva tempo...pedem-me persistência e paciência...pedem-me ajuda para me ajudarem....
Eu agradeço, dia a dia, todos os dias, aos especiais
Obrigada por ainda ser, quando tantos pensaram que não seria mais... E há ainda uma espécie de duplo, que fala comigo...eu sei... quem dera que fosse só isso, assim, de repente... mas este tempo é o tempo a cobrar-me, do tempo que me roubei.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Ser livre

Amanhã é mais um dia de "verdade".
Sair do quentinho e do dia-a-dia acompanhado por mulheres e homens que têm Amor ao próximo como apelido é necessário, mas também trás medos...
O espaçamento entre cada visita aumenta um bocadinho... por um lado para me livrarem da pressão, por outro para provar (só a mim) que caminho escolhi e o que estou a fazer para seguir, sem desvios nem encostos à bananeira.
O medo é Senhor de vez em quando. E hoje está aqui, sentado ao meu lado enquanto escrevo.
Não consigo olhar para ele de frente nem ler-lhe nos olhos a razão da sua presença tão real...
Olho-o de soslaio e vejo números à volta, vejo-me a mim também... a sorrir, a tremer, a chorar...
A bater o pé ininterruptamente até chamarem o meu nome...
Tirar cada peça de roupa como se tivesse a desmascarar-me... confiar-lhe o meu corpo e o seu rumo.
Tenho confiado e só por isso cheguei aqui... preciso daquelas palavras seguras, de a ouvir falar e falar também eu consigo como se o corpo não fosse meu...como se fosse um "tamagotchi". Eu tive um em miúda... e alimentava-o, acho que era essa a minha principal preocupação, e ele crescia, era matemático... Preciso que me simplifique a esse ponto... porque eu vou com um pré-diagnóstico, mas a verdade é que vou sempre e nunca, nunca acertei!
Quero o amanhã... quero-o agora e tenho medo (aqui ao meu lado) que o amanhã não chegue, ou que o amanhã não me dê mais medos de presente...
Amanhã eu e o medo vamos. Quero deixá-lo à porta e, quando sair, que ele fique lá ou que já não me reconheça nem me persiga. A liberdade... a liberdade

caminhar

Procuras para fugir e desejas que os planos todos te saiam ao contrário quando sabes... vais falhar.
A luta não é serena, é desigual, provocadora
tantas vezes impulsiva e deixa-te assim, para aí
nas formas mais disformes de desejares que a cama te sustente e te sugue o suor e as lágrimas.
oiço de um lado que a parte mais difícil já passou, de outros que esta é a crucial, de outros que ainda está para chegar...
O cansaço acalmou-se, o sangue corre mais depressa e o corpo baralha-se até à exaustão. Queres fazer, não podes fazer, mas pior é sentir que não consegues fazer.
Os passos parecem consistentes, estás melhor, bem melhor... mas a um milímetro do abismo, como antes... Será isso insegurança ou lucidez?
Serão melhores os dias de embriaguez de riso solto em que tentas com o máximo esforço livrar-te "dela"..ou os dias que sem mais nada a dizer te deixas repousar e vir tudo cá a cima?
É este, é este o caminho... mas há dias em que me faltam as pernas...

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

caminho

Livro-me das mágoas e das nódoas negras como nunca...
Saio e volto a mim num instante e depois descanso.
Ando a aprender a descansar, a ter tempo...
E esta "calma" fala comigo, fala directamente com a minha calma...
Sem dar por isso a mão do Senhor lá de cima ajuda-me a relaxar as pestanas, sem pressa de acordar a seguir porque esse a seguir, sempre à pressa, aquela metamorfose da decadência à sobrevivência é a cada minuto mais remota, mais me causa repulsa... e quando caio, no instante anterior já sei... aquilo chega... e o "cada vez menos" não me dá qualquer sensação de "estou a conseguir"... No dia a seguir é de novo o dia 1. Não quero mais momentos "dela" a fazerem parte de mim e, ao mesmo tempo encurta-me o caminho. Ainda estou longe, muito longe, mas tenho cada vez mais força nas pernas para caminhar...
É por aqui,
E quando tenho dúvidas vou até quem me contenha e me diga tudo o que já sei mas que preciso de voltar a ouvir.
Obrigada

terça-feira, 23 de novembro de 2010

pesadelos e sonhos

Não sei porque é que o sono não me tem guardado,
precisava de balançar mais um bocadinho... já não acordo sem medo de voltar ao sonho, algun são sabem bem e sinto que acabam sempre demasiado cedo.
Não tenho tido pesadelos. Eles prendem, amarram à cama com um colete de forças. Mal vens à tona ele curva-te a cabeça e, sem querer, lá estás, outra vez. Esperneias mas a cabeça pesa demasiado, como a dos bebés...é proporcionalmente maior que o corpo e mergulhas mais e mais fundo. Alguns pesadelos são demasiado conhecidos e nem assim encontro a porta da saída...e perco-me por caminhos escuros, cada vez mais escuros, até adormecer e acordar tempo (quanto?)depois...
O sonho é liberdade, liberta-me da cama, não penso na roupa nem no corpo nem me interessa se estou penteada ou não... vou e nada me amarra,vivo tudo o que digo e oiço...
Hoje não me lembro do que aconteceu ao sonho, nem se estava a sonhar...
Preciso de ajuda para dormir mais,sonhar mais... sair daqui...porque quando acordo sou incapaz de sair do mesmo lugar. E acordada os pesadelos não me agarram... Aprendi a sonhar de olhos abertos.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

essência

Os medos mudam, mudam muito, mudam muito mais que as pessoas que têm medo...
As pessoas não mudam,
mas as pessoas são as escolhas que fazem...
Escolhi um caminho que dá medo de pisar...oferece-se perante ti, pede-te os pés, as mãos e o corpo inteiro...e de repente tenho medo... outro medo, um medo diferente
É incrível como os medos mudam tanto e os seus invólucros tão pouco...
Os medos de ontem não são os de hoje...por mais que às vezes se mascarem e pintem a cara toda de verde para me enganarem...
Eu sou a pessoa de ontem, mais o hoje... não me anulo ao mudar de caminho... nem me alegro com "estás outra!"... sou eu, mais um bocadinho, menos outros bocadinhos...
Sou eu e sabe bem saber-me cada vez melhor... Mesmo com medo.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

balançar

A diferença é um abismo.
Mas em vez de uma chegada em slide, foi preciso descer descer bem fundo... não se via nada, ouviam-se uns ecos distorcidos de vozes mais ou menos conhecidas.... mas a descida continuava, o escuro era cada vez mais escuro e o frio injectava-se nos ossos...
O coração encontrou umas mãos penduradas,
O tempo, diferente, passou-me da descida ao outro lado do abismo. Sem as mãos jamais teria conseguido...
Os primeiros dias foram só adormecer em rochas estáveis... não havia muito a fazer, pouco podias tentar... tu sabias... sabia
Sem tempo para esperar, a subida foi difícil, não havia onde meter os pés, e as mãos escorregavam tanto, do suor, do cansaço... Usaste mãos que não foram as tuas para os primeiros passos... só os pés foram sempre sempre teus.
Aprendeste a retorcer os músculos inteiros, que se iam subtraindo pela falta dos quilómetros que antes percorrias no planalto... mas serviram. Houve um dia em que ergueste a a cabeça, outro em que esboçaste um sorriso outro em que as palavras diziam melhor os medos do coração...
Há dias em que olhas para baixo, e a atracção do abismo paralisa-te... suspende o tempo, desafia-se a gravidade e sobes, mais um passo, mais um...
Ainda não vejo bem a relva fresca, mas o escuro já não é tão escuro... os ecos são cada vez mais nítidos e a tua voz ganhou força, daquela mas ao contrário...
Tenho medo e quero isto...
Quero o medo à minha frente.
Estou aqui, de pé, de pés e mãos firmes... e quando escorrego o vento balança-te... só. Apenas balanças...

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

entre nós

Gostava de saber se é verdade,
Se pode ser assim, de vez em quando...
Se é ele que te faz discutir coisas tão claras na tua cabeça só porque gostavas que ele não pensasse dessa forma.
Será que é possível consciências e clarividencias do mundo, tão diferentes, amarem-se...
Gostava de saber se é mais amor ou gratidão...
gostava de saber s aquilo que eu acho que falta existe mesmo, ou se é só isto...
Precisava descobrir se quando te trato mal ou simplesmente não dou sinal de vida, é para que venhas à minha procura ou se estou certa no que acho: não quero estar contigo.
Gostava de saber fazer este balanço... mas tenho só mantido à tona a forma como recomeçámos.
Porque é que os estereótipos fazem de ti "ela" e de mim "ele"
Custa pensar que não é isto que quero e continuar a ocupar o meu e o teu espaço e tempo...quando sinto plenamente que falta "aquela coisa" que nem sei que existe..
Porque é que à distância me parece tudo tão ideal e quando estamos juntos tudo se desvanece num instante...
Gostava de às vezes não ter tanta pressa para saber que "é isto"... mas tenho e não a domino...
Não faz sentido seres a única causa de abandonar-nos... de ser tão fácil imaginar-me sem ti e sem doer por isso.
Já nem quero que entendas as minhas dores, nem me interessa que saibas quando vem tudo a deitar-me ao chão... porque tu não me vais agarrar... não sabes, não percebes nem podes...
Gostava que fosses tu, mas cada vez mais o que tenho não me chega...
E sonho com aquela vontade que tu tens de me ter... porque só em sonhos me parece possível...e às vezes nem és tu que lá estás...
Precisava que não aguentasses tanto o meu desinteresse e as minhas negas...
Facilitavas-me a vida se eu não te chegasse... mas quanto mais tempo passa mais tu avanças mesmo que eu recue... vês em tudo isto uma probabilidade de 100% quando para mim dizer-te adeus às vezes parece só uma questão de tempo...
Custa ser tudo agora, tudo ao mesmo tempo... tanta coisa para decifrar, para aprender... e tu baralhas-me. Será de ti? serei eu...
Amanhã vai ser um dia difícil, e não quero ninguém... nem a ti... E tu ainda percebes e aceitas que tanta da minha vida seja só minha...
O que é que eu quero?
Qualquer coisa que não seja isto...

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

presença

A luta é dura, ao minuto...
cruel.
Vira-te e revira-te a cabeça num instante,
e há dias em que nem o desespero te vale... há dias que custam tanto vivias só do outro lado...
Tenho-me surpreendido, pelos diasque se transformam em semanas em que, sim!, foste capaz...
Quero saborear esta vitória que por agora só custa, só te dá mais tempo ao dia, e no fundo...sentes que é a tua obrigação, nem mais nem menos. e sentes, sente-se vergonha por sentires que cada bocadinho é difícil.
Há tantos passos que se fazem de ti sem mais ninguém à volta. A mãos, os braços e os abraços desaparecem ou estão todos ocupados...
Ela não manda mais que tu, mas ainda tens muito medo...e quando te proteges sentes-te ridícula...e eu precisava de me proteger... é que ainda tenho muito medo...
A vergonha de pedir ajuda disfarça-se pela proactividade e dás dois degraus de "ela está melhor" de uma só vez...
Queria umas coisas mais rápidas,
outras mais de vagar...
e de repente é tudo ao contrário... não, não vem nos livros.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

um dia mais um dia

O que mais interessa é a forma como te levantas, o nanosegundo que tem de demorar desde a queda ao estou-de-volta.
Não adianta quereres um frente-a-frente porque vais sempre perder... perder tempo, perder-te naquela teia enlouquecedora que te grita...e enquanto acalmas a cabeça ela sussura... e a calma nunca mais chega... e dás por ti à espera por ela, a calma, na praia e sentes a outra ao lado, logo, assim que te sentas e aconchegas os dedos dos pés na areia, que ela está contigo, ao lado, à espera da calma que, pensavas, viria de ela não estar lá...
Levantei-me a tempo. Vai ser sempre a tempo se for logo logo...mas mesmo logo, não um logo depois...
Custou e doeu e passou-te o filme todo à frente outra vez, feito de uma palavra gigantesca colada por hifens cheios de todos os medos.
medos que existem em ti, que fazem parte de ti, uns que podem diminuir outros que até te dão jeito... E de repente um dia desigual acontece-te e o medo nem te deixa saboreá-lo... Agarras-te e arrastas-te para os dias seguidos em que aconteceu não ter acontecido... e queres mais... mesmo com medo... e só queres que o medo dê cabo do pânico... e o dia a seguir aconteça de dia...
A minha viagem deu-me a melhor sensação do mundo: houve um dia em que respirei fundo.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

ainda aqui está

Não entendo porque esta força me puxa ainda tanto
Às vezes, tantas, tenho medo de não aguentar, de ceder, de estragar tudo...
Vêm-me as lágrimas aos olhos só de pensar, só de me imaginar ali, curvada, completamente submissa...
Tenho medo dos dias em que não tenho planos, mas nem sempre os planos me chegam...e eu sei que sempre arranjei maneira de fugir... Eu não preciso dos planos para fazer o que não quero fazer, mas dão-me alguma segurança, ainda que isso implique deixar algumas regras de lado.
Vim para casa cheia delas, mas rapidamente elaborei um plano de prioridades... não foi difícil... no topo estão aquelas que mais fazem doer. Fugir delas... Mas há sempre um lado mau... e na ultima consulta foi um misto de alívio com frustração com "eu continuo a não perceber nada disto"...
Fomos por pontos... e ela começou pelos maus porque me obrigou a ver os números... desci outra vez e desci daquela "trituradora de palavras da alma" sem saber o que dizer... Até aqui nada de novo, aliás... foi o de sempre porque eu não acertei...nunca acertei... e eu era capaz de jurar, como tantas vezes fui capaz e jurei mesmo que "desta vez, desta vez é que era..." e não foi...
Vim para casa com mais recomendações e uma confusão na cabeça...
Antes disso falámos nos pontos positivos..o meu objectivo estava e está a ser cumprido...mas o corpo reclama...precisa de mais pernas, de mais braços, de mais e de mais... e fui sincera... ainda há uma força grande que me puxa...que se atreve a iludir-me momentaneamente...
Está a ser difícil... a custar imenso...
E eu continuo com medo
E continuo a chorar de noite
E continuo presa, amarrada a esta vontade vertiginosa...
e continuo a lutar... e preciso de mãos... eu não aguento falhar outra vez.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

contradições

Ainda desconfio muito do "ser capaz"
Ainda não há calma de saber que não vai acontecer nada a seguir...
Mas a verdade é que quando passam horas e outras horas se seguem sem me subjugar ao que me determinei a enfrentar quero sentir orgulho, quero sentir que essa calma que vai existindo pode ser sentida plenamente, porque cada desafio é um desafio diferente.
Há uma espécie de querer sair da concha e ver como é lá fora o mundo depois de ter mudado (tanto) cá dentro... Mas também há medo.
Por enquanto ainda nem sequer tenho autorização de ir espreitar, mesmo que a vontade seja muita... o por de baixo da pele ainda se queixa de tantos maus tratos.
Estou em casa e é em casa que devo ficar até os números se distanciarem do limbo... não vá a sorte que me embalou tantos anos trair-me nestes passos. É precisa uma paciência que me custa e me isola, e me envergonha um pouco, confesso...
Hoje podia estar só feliz pela vitórias que julguei impossíveis...mas quando atingimos o degrau a que queriamos chegar, ele deixa de ter qualquer significado e passa só a haver descontentamento de não estar já no próximo.
E a confusão continua, persiste, insiste... é um querer sem querer inteiro... e amanhã é dia de falar do que fui capaz... e nada disso, confesso, me importa face ao "vamos?".
Nessa altura levantamo-nos as duas e só o número me interessa. O pesadelo já começou e eu nem comecei a dormir...é o medo, é o medo...

domingo, 3 de outubro de 2010

Não quero saber dos "ses"... não é disso que se faz a História.
Foi, fui quando tinha de ser...
E voltei
cheguei
Claro que há medo de cair... mas ainda bem que o medo existe e que me alerta: "eieii! ainda está ali, aqui..."
E eu sinto, persinto aquele sussurar atrevido com a mania que é gente...
Mas agora tenho a certeza que já fui capaz, durante dias e dias seguidos.E quero outro e outro e outro.
Estou mais exigente, mais rabugenta, mais inflexível.
É por aqui que eu quero ir, e hei-de ter ao meu lado apenas quem quiser fazer o caminho das pedras duras comigo...
Hoje foi mais um dia!
E amanhã logo se vê...

Amanhã faço 24 anos. Marca a metade...aos 12 fui para o outro lado...será este ano o regresso... Não sou a que era, mas tenho tanto para ser ainda!

sábado, 2 de outubro de 2010

passagem

O que é que aconteceu?
Cheguei com vontade de chegar, medo também...mas vontade
Tudo isto é novo apesar de ficar a um passo do antigamente
Não apago nada, nem desesperos nem lágrimas amargas de uma "vida" que não tinha solução...
Não adormeço facilmente, nem o sono me chega como chegava quando não havia nada de novo para pensar, mas só ode sempre, para remoer.
Hoje abro o peito para respirar fundo sem medo de soluçar nas entrelinhas.
É que eu pensava que era impossível,
E mesmo que eu não dê mais nenhum passo em frente, valeu tudo, TUDO a pena...
Há lágrimas aqui atrás dos olhos, não posso mentir...
Mas há orgulho no chegar aqui
Cheguei
Presente
Fui capaz, é Possível e mora aqui,mesmo mesmo à beirinha...
Obrigada mães neste mês,
Dras, pelas palavras fortes, cruas, frontais
Vim para casa com o diagnóstico feio, mas que não faz sentir nada
Ele é meu e eu ainda posso ser aquilo que eu quiser...
Apetece-me o amanhã... há um lado VIDA... e é só esse que eu quero ouvir

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

check-out

... já passou...

foi bem mais que o tempo previsto e ainda bem.
Ainda estou no quarto. As malas estão feitas, eu sentada na beirinha da cama que tanto me ouviu e aqueceu nos últimos vinte e tal dias...
Estou com uma espécie de medo de me ir embora, mas também com uma espécie de vontade... Tal como no início, eu já não estava a fazer nada lá fora... e agora sinto que é preciso...um espécie de agir... uma espécie porque vou ter de ficar deitada.. continuar a "boa-vida" lá em casa...
Confesso-me farta mas nem há outra hipótese, por isso não estou farta, só um pouco apreensiva... porque não sei bem de que vão ser ocupados os meus tempos... que tempo vai haver ou quanto vai durar o tempo... é que de lugar para lugar o tempo escorre de maneira diferente... e eu não me lembro de ter alguma vez reparado como era o seu andar em minha casa.
E é estranho este sentimento de hoje... fui proibida de sair de casa mas não proibida de fazer outra coisa qualquer... pensar, por exemplo... e ao mesmo tempo que surge aqui uma panóplia imensa de possibilidades de ocupar o tempo a trabalhar ou a projectar trabalhos, há uma sensação turva neste meu sentir... como um "ainda não...dorme mais uma noites e logo pensas nisso"... Será isto preguiça ou sensatez?

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

esta espécie de obrigação

última refeição da noite
último mini-copinho cheio de comprimidos de diferentes tamanhos a prometerem uma noite descansada.
último "boa noite" carinhoso de quem mal conhecemos
primeiro confronto com a certeza: é a última noite.
Foram bem mais os dias que aqui passei do que os previstos... e foram bem mais as vitórias... Talvez por isso, sim, talvez seja por isso que o soluçar se irrompe de uma forma tão brusca do peito e me deixa pesada no chão sob um manto de responsabilidade.
Tudo isto foi importante para me mostrar que é possível
Mas eu não vou prometer nada porque eu não me conheço no futuro.
Cheguei mais perto só para tocar a vida do lado de lá... e acho que vou gostar. Cheguei à ponte... falta andar.
A decisão é agora, de agora...
Feliz ou infelizmente, nada de nada é para sempre... isso é demasiado tempo.
Hoje não tenho pressa, e espero que esperem...que aprendam e saibam esperar.
Eu não prometi nada a ninguém.

ultimo dia inteiro aqui

As voltas que se dão.. acho que se chama Vida
Primeiro o medo, um querer e não querer por não querer inteiro, o medo do desconhecido, a vontade de ainda ir a tempo de mudar alguma coisa, por mais pequena que fosse. Foram meses de dúvidas na cabeça, outros tantos de dúvidas no papel, depois em conversas hipotéticas, depois inevitáveis...O meu sim e o tem de ser.
Parar.
Parou-se.
Parou o ciclo, mudou-se o sentido...tirou-se a força de um sítio que veio pesar noutro, bem mais abstracto, mais difícil, mas muito mais verdadeiro... a verdade.
O corpo ficou ferido mas aparam-se só as crostas e deixa-se ao ar... de olhar atento, sempre atento... Não bastam duas mãos nem quatro... Deus criou-nos demasiado complexos e nada aqui vive num estado isolado... nem ninguém... As mãos tocam-me o corpo, tocam-me a alma e tocam-me o coração. A verdade é que ainda não se encontrou o vírus, a tal da dor... mas é preciso ver o lado positivo... aqui aprendi onde é que ela não mora... Não é um número nem um nutriente nem uma conta matemática que te reviram a pele e te apertam e cercam o coração e a alma toda de espinhos... não são eles que te fazem sangrar e acreditar que se pode morrer de tristeza... E nada disto é novo, só é um bocadinho mais certo... e seguro a mão sem estender a minha.. é que desbastar terreno e limpá-lo evita fogos... mas põe a nu a matéria de que é feita a terra.
Não é possível fazer uma coisa de cada vez, como não é possível respirar sem que o coração bata ou vice-versa, e é preciso aprender a lidar com este delay entre a pressa do corpo e o demorar cá de dentro... E é preciso coragem para não parar
E é precisa força para arriscar e continuar assim, de frente, em frente... é preciso tentar tudo antes de desistir.
Insistir
Persistir
Ficar aqui

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

sair

Devia deixar de ter a mania que acerto em tudo.
Estou ainda receber, a dar-me mais segundo as regras daqui... Já não há aquele pensamento primordial e doentio de como tentar fugir um bocadinho às obrigações que implicam a aceitação de estar aqui. Nem há força nem vontade para isso... e ainda bem.
Agora que já há dia certo para regressar a casa tento imaginar o meu dia-a-dia sem o frenesim antigo que fazia o tempo andar mais depressa... Sim, um dos meus medos é que o tempo não ande e fique parado a gozar comigo...
Penso em mil e uma estratégias, nenhuma me parece verdadeiramente aliciante, aliás... quando me pergunto o que é que quero fazer, o NADA é a única palavra que me aparece na cabeça em letras maiusculas... Mas eu sei que nunca me dou ao 'nada' demasiado tempo, que temos alergia um ao outro e surge sempre alguma ideia para... sei lá, nem que seja para fazer andar mais depressa o tempo.
E não vou fugir, não vou deixar que esta ânsia de querer que tudo se torne "normal" se ponha à frente dos passinhos todos que me puseram os pés em sangue para aqui chegar.
Repita-me tudo o que me disse ontem... que náo estou a ser desinteressada nem má profissional. Diga-me que tenho direito à recuperação e que este é o único modo de o fazer...
Ajude-me a cada dia a despir um bocadinho da culpa, essa ue tem a mania de se sobrepor... capa, sobre capa, sobre ti...

terça-feira, 28 de setembro de 2010

ainda não me disseram, mas vou hoje embora

De repente acontece o que é suposto acontecer...ali, ao milímetro... as pernas perdem a força, a cabeça ergue-te.
"Está tudo bem?"
Está óptimo pelo que se vê...
A conversa de hoje não será muito mais que as restantes já tidas e, não me venham com histórias, porque o meu guarda mais que os outros. ponto final.
Já me sinto desamparada e nem sei qual é a temática de hoje, ou melhor, qual o caminho, porque em termos de teor é sempre, mais coisa menos coisa, igual.
Era agora que eu precisava daquela ajuda milimétrica de passo a passo...de birra em birra porque até aqui.. foi "simples"... e agora que os resultados, os 1ºs que apareceram, e nem sequer foram retestados, estão nas mãos de toda a gente e a cobrir a minha cabeça inteira, abrem.te a porta de sorriso nº 4... Precisava de tempo aqui, a combater esta vontade que quer dar cabo de tudo o que consegui?? sim! vou pedir? não..já não peço mais nada...deixem-me ir à minha vida que eu, como sempre, resolvo...
Sim, estou cheinha de raiva e dores em tudo.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

daqui a pouco

Já daqui a bocado começa o amanhã que mete medo, pelo menos respeito...
Vou dar por um chegar pesado e desengonçado da enfermeira a trazê-"la" e a mandar-me subir.
E eu a tremer, ainda ensonada só vou querer ver....
Ver o quê?
Não é nada disto nem por nada disto, ainda que isto influencie o resto do teu dia...entre conversas com todas as medicas que fazem parte do teu "estar aqui".
Não sei se é uma despedida, mas o ar cheira-me a já nada estar a fazer aqui... também tenho medo do "lá fora", mas esse vou sempre ter..hoje, amanhã, para o mês que vem...só houve uma coisa que gostava de experimentar cá, acompanhada, e não vai acontecer... porque o "filme", a vida..ou qualquer dessas coisas está já feita na minha cabeça: O numero aumenta significativamente, a seguir vêm os parabéns, a seguir a conversa do "objectivos cumpridos", logo depois uma conversa mais profunda como se a alta nada tivesse que ver com a engorda ao ritmo exigido... pedem-te o de trás, por trás disto...e estás tão enervada que não queres saber de mais nada... e vais para casa...matas as saudades, e morres de medo.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Quase nascer

Tenho tudo aqui,
a sair da boca, a escorregar pelas mãos a verter dos olhos, a desfazer-se em passos que vão dar sei lá onde...
Nunca pensei dizer "nunca pensei"... e já tinha lido muitos "nunca pensei"... Eu sonhava, sim, às escondidas, que o daqui a bocadinho doesse só um bocadinho menos.
Assusta saber que esta é uma batalha que ainda agora começou...tenho curiosidade de ver até onde vai o meu querer, até onde serei capaz de pedir ajuda e até onde os "ajudantes" perceberão que vão haver alturas em que me terei de por à prova e eles não vão poder estar...
A minha queda foi como a de uma pena, leve, demorada...mas o precipicio nunca mais acabava, não havia fundo... Pensavam, pensaram sempre que não havia fundo ou se pensassem não fizeram nada para me impedir de lá tocar.
Procurei braços e abraços, tive tantos, tão bons, tão quentes e preciosos... tantos que eram hologramas, tantos que eram sonhados por mim... tantos porque faz parte...
A lentidão da queda acentuava a inquietude e procurei qualquer coisa, qualquer coisa ou alguém...
e encontrei e enganei-me e procurei outra vez e desisti e falhei e recomecei e aleijei-me e recuperei e lambi as feridas e mascarei-me e menti e omiti e procurei, e gritei e disse que já não aguentava mais...
E pararam-me quando perceberam que eu não ia parar
E vocês olhavam-me e eu culpei-me de vocês nada terem feito para me pararem,
E hoje sorrio,
Porque hoje o teu "bom dia" faz tremer cá dentro, os teus abraços já fazem lágrimas que não sou obrigada a esconder (é verdade...pode-se chorar!)
E tenho medo de ir mas curiosidade também
quero tudo e nada ao mesmo tempo
e quero que não queiram que eu queira mais que aquilo que eu hoje posso querer... é que custa... há ainda vezes tantas em que não se quer.

Não sabia que o que sinto hoje existia para se sentir

sábado, 18 de setembro de 2010

TODO O VERBO SER

ESTOU ORGULHOSA DE MIM

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

estar aqui

Claro que nem tudo podia correr às mil maravilhas...
aqui sofre-se até o corpo fazer contorcer a alma e não há ninguém para agarrar... simplesmente porque sabemos que a vontade que nos está a deixar loucas não é a nossa real vontade.
Há dias mais difíceis que outros, mas a sensação
com que fico é que passou tudo a correr e que ainda precisava de aprender tanto...
Ontem menti aqui pela primeira vez, foi a pior sensação de sempre...mas se eu sou sempre tão boa a mentir, será que eu queria ser descoberta? isto é estúpido, mas ando com a cabeça às voltas...
Ao fim do dia estive com a minha querida médica e lá contei a verdade...e pedi mais ajuda...ajuda que nunca mais me deixasse fazer mais destas mentiras. Bem sei que cá fora vou ter de ser eu, sozinha, mas se pelo menos eu perceber que é possível, que ainda que com ajuda eu consigo..então vale a pena...
A única coisa que eu peço é que o dia em que sair seja diferente que o anterior a ter entrado...
Hoje tenho um bocadinho de esperança,
Será que alguém ainda acredita em mim?

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

escrevam-me

Só para dizer que os resultados estão a ser bons,
que estou eu mais surpreendida que a equipa,
que têm todos um carinho por mim inimaginável...
Só tenho medo que o tempo seja pouco, já estou com medo do regresso.
Queria ter a minha mala das ferramentas bem cheia e pesada mas não me querem tirar do mundo, pois essa é a minha maior facilidade...
Aqui tudo é muito calmo, estou ligada 24h porque o corpo precisava mesmo e eu não lhe andava a ligar nenhuma...
Tenho regras, tenho muito apoio, imenso carinho (e dizem-me que esse é um dos ingredientes principais!), finalmente estou a aprender a confiar, a entregar-me a pedir ajuda quando sinto perigo... e não está cá mais ninguém "como eu"...tudo aqui é diferente... Usam tanto esta palavra comigo, porquê?

um grande beijinho e escrevam-me...sabe bem

domingo, 5 de setembro de 2010

chegar sozinha

Sim, já devia estar lá.
Como sempre pedi para "deixar tudo pronto", ainda na ilusória crença que uma coisa dessas é possível...
Bem, a verdade é que não tenho nada pronto nem sequer capacidade de o fazer. Agora sobre os ombros e a (minha) censura, a obrigação de deixar tudo impecavelmente arranjado para a minha ausência que só temo que seja demasiado curta... já não me assusta.
Não me perco a imaginar por falta de tempo e falta de chão nesse hipotético sonho... sei o que não me faltar enquanto lá estiver, mas pouco ou nada sei do me vai esperar...
E não fui capaz de contar, de conversar com ninguém assim, com as palavras, com o que fosse preciso, não há ninguém aqui... mas estes dias vão ser Dias.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Amor

Será que posso dizer que tenho medo?
que desde aquele dia acordo mil vezes de noite e choro até nascer o sol?
Será que posso dizer que esta energia toda vem da vontade de esconder esta ansiedade em forma de "eu-não-vou-chorar" para poder acabar o trabalho todo antes de ir?
Será que me desculpam se eu disser que mesmo antes de ir não estou a cumprir tudo o que devia já ser capaz de fazer?
Será que não sou ingrata e será que mereço esta bondade toda e este AMOR que me tem sido atirado para cima em forma de abraços noite e dia?
seria preciso chegar aqui para ver como tanta gente gosta de mim e não se esquece?

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

VOU!

Vou.
Respiro ainda a tremer, entre soluços.
Já não há nada a decidir nem a pensar. Não é preciso adiares mais na tua cabeça, não são precisas mais desculpas nem mais medos nem mais porquês.
Pela primeira vez foste de certo modo surpreendida, e disseram-te coisas que pensavas só pertencerem a outras bocas mais próximas (mas essas calaram-se sempre).
Pedi só alguns dias para deixar tudo preparado e a minha cabeça o mais limpa possível da culpa... embora haja 'culpa' que me vão obrigar a levar aqui dentro, comigo...
Deram-me os dias a medo, não sabem o que vai por trás da pele translúcida, dessa imagem minha que dizem ser tão diferente de há meses para cá...
Eu continuo a olhar, não sei se a ver... de onde é que saíram esses 8 bocados com medida?
é que a dor pesa tanto...
mas há agora um lado (saudável) mais calmo... é que eu nunca volto atrás quando digo que Vou. Vou

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Manhã

A conversa da manhã soube-me a sal, soube-me a rapidez, soube-me a enfiar todas as palavras dentro de um espaço meu e seu de tantos segredos neste mistério de uma relação estranhamente criada a partir de uma coisa muito minha: o silêncio.
Hoje falámos as duas, hoje não me quis só ouvir, hoje disse-me o que pensava e disse-me ainda o que achava que era necessário fazer... e não daqui a algum tempo...mas já... não conjugou o verbo. Usou-o. Inteiro. Firmemente, sem hipóteses. Seguramente. Aquela segurança que, bem sabe... eu nunca soube... Este tremor vem de todos os lados, da alma e do coro e dos olhos e da cabeça. Há qualquer coisa a dizer que não podes nem te deixam nem nunca mais vais ser nada... e eu agradeço que pelo menos "nada disto" voltes a ser... Depois... dói... Como é que se explica? ainda parece tudo um pouco surreal, ainda cheira tudo um pouco a não-é-verdade-porque-blá-blá-blá

"porquê tanto mal contra si"
o meu silêncio
"eu vou falar com ela também, ligue-me quando sair"
Amanhã vai ser difícil aguentar o tempo a passar,
Vai ser difícil quando estiver quase a chegar o tempo quando eu chegar, quase sem tempo, àquela sala de espera, das cadeiras acolchoadas mas duras demais para aguentarem o peso do meu pesado corpo de espera.
Imagino-me a entrar, a dizer poucas palavras, imagino-a a adivinhar-me palavras, a falar-me da conversa que teve à pouco da minha consulta da manhã...
Eu vou querer saber conclusões quando vai querer combinar comigo decisões...
vai-se levantar e eu não vou querer ver... o que é que o número importa? o que é que vai decidir?
Porque é que este coração está pequenino apertado e a doer?
é sempre assim...e depois...nada... não acontece nada... eu suspiro
Não, não é de alívio por mais que me engane... é desta suspensa repetição

domingo, 29 de agosto de 2010

Estes dias

Chegaram os dias em que cada perna te pesa como dez,
chegaram os dias em que três escadas são como atravessar um deserto,
chegaram os dias em que o coração dispara se te levantares e vês estrelas antes de ver o mundo...
Chegaram os dias em que os graus nas subidas te tiram o fôlego e te trazem uma dormência no osso entre o canto do olho e a orelha.
Chegaram os dias em que qualquer viagem de carro te faz dormir, qualquer movimento repetitivo te faz fechar os olhos,
Chegaram dias de sabor amargo
dias...
Serão apenas dias porque uma vida não permite fazer-se de muitos destes dias,

É já depois de amanhã,
que mistura que aqui vai...

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

os meus

Desceu outra vez.
Desta vez não te vem um sorriso à cara e não é porque tenhas dúvidas, nem tão pouco porque quisesses o oposto... É porque simplesmente não sabes o que querias ter visto nem percebes porque foste ver. Hoje tudo te foge... cheira a despedida,
os beijos cheiram a última vez,
nos abraços despeja-se a força que resta
As palavras não se podem gastar,
E quantos não se gastaram de mim?...
Doeu cada dedicação seguida de pedidos impossíveis, a que se seguiram insultos e, por fim, desistências... Tantas!
Quem ficou, quem está, é com respeito, e nesta altura está longe porque eu me afastei, talvez seja isso...eu acredito nisso... Mas aquilo que se ouve na rua, se eu acreditar que os olhos dos outros estão bons quando me vêem, dói e então eu não quero que me vejam agora,os meus...mas há dias em que eu tenho saudades...Há dias em que me fazem falta e estou sozinha.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

.

Parece que te venceu
Parece que te deixaste vencer
Atravessou-te as idades...já não são as queixinhas, é o suor da vergonha, esse PÁRA gritado sem som, que te sai disparado pelos olhos em contra-picado...
E a fraqueza, ai a moleza e a dureza debaixo da pele, quando o corpo já não se aguenta e tenta descansar e se senta e se magoa e pede as mãos para ampararem o impacto. E as mãos ganham dormência, o corpo todo adormece, os olhos pedem para dormir... Mas o coração continua a bater,
e passa mais um dia,
mais um dia a passar por ti,
os dias passam por ti...
já não és a miúda com medo das queixinhas,
és a mulher cheia de vergonha desse conteúdo ridículo
uma mulher, uma qualquer
uma "mulher" ridícula".

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

pai

No fundo sabia que olhavas, só não tinha a certeza se vias, nem sequer sabia o que vias... é dificil imaginar quando nem eu todos os dias vejo o mesmo, quando de hora para hora oscila essa sensação, esse sentido, esse sentir.
O corpo não ficou em alerta como antes, já não me fazes virar o mundo ao contrário para te distrair, abstrair, corrigir, no fundo...mentir... e não, não entendas como desilusão ou desamor, encara-o antes como é...é assim. A tua vida não para pelas escolhas que eu faço ou que eu deixo de fazer... Nunca parou. Acredito que fiques triste, acredito que te doa, mas eu não sei o que fazer quando me atiras para os braços essa total disposição para me ajudares. Desculpa, mas assim de repente, eu não sei o que isso significa...e duvido, muito sinceramente, que saibas o que isso quer dizer. Imagina que eu respondia "sim, quero", e depois? o que é que fazias?...Desculpa, também não sei...A minha decisão está tomada e a seu tempo vais sabe-la... só rezo para que não a encares com um pingo de desilusão... gostava até que tivesses orgulho, mas isto sou eu a sonhar...orgulho porque mais uma vez fui eu, sozinha a correr atrás da minha recuperação... Há dias em que ainda me pergunto...se vês tanto, se és tão atento, porque é que não pegaste em mim e me levaste? confiaste na premissa "máxima liberdade para máxima responsabilidade"? a tua filha não foi fazer uma viagem aos onze anos como tu disseste... não foi uma filha confortável....ficou doente.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

adormecer

Cambaleando,
O vento insiste em por-te os cabelos à frente.
Ainda há lembrança a perfume da manhã... e logo te lembras que é tarde, quase noite.
os pés pouco separado, o toc toc dos chinelos lembram-te que os pés ainda tocam o chão.
Os cabelos outra vez à tua frente e desta vez a mão faz a longa viagem e toca-te a pele....
Sinal encarnado e paras o passo.
Nestas estradas não se brinca... disseram-te uma vez...
os próximos 5 minutos têm já tema de conversa interna.
Tinham, não fosses tu passar pelo Tivoli e ele não te fizesse lembrar outras coisas. Coisas boas.
Todos os bancos têm íman, depois todos os degraus têm íman....mais uma subida e a pedra da calçada é um íman... Tens de resistir/ que resistir/ a OBRIGAÇÃO de resistir.
Chegas de cabeça vazia a um lugar sem nome. As lágrima ficaram presas e lavaram as memórias todas. Pegas num lápis, numa folha, desenhas as letras e adormeces.

domingo, 15 de agosto de 2010

Ensaio

Nem sei porque insisto em tentar dar sinais,
Dói-me essa tristeza,
às vezes só não queria que fosse de repente porque imagino que vos vá custar... e isso preocupa-me. Tem-me ocupado espaço cá dentro. Mas estão demasiado longe, continuam demasiado longe...e eu sei, fizeram tudo, sempre, da melhor maneira que souberam...
Não estão cegos, nunca foram, só não vêem bem... talvez vejam como eu, como eu às vezes gosto e prefiro ver...se fiz a faculdade, se arranjo trabalho atrás de trabalho, namoro, atrás de namoro (mesmo que relâmpago)... para quê julgar que alguma coisa se passa naquele corpo que é um bocadinho mais débil que os outros? não anda? não se mexe e se levanta da cama todos os dias para ir trabalhar?? então já faz mais que a maioria do povo português!
Ensaio:
Vou...
preciso de descansar a cabeça, não estou bem e preciso que me ajudem... preciso de tentar outra forma, outra forma diferente de todas as anteriores... sei que vocês fizeram tudo...não vos culpo de nada, de nada...preciso de experimentar a única coisa que ficou de fora nestes 6 anos porque tentei sempre da mesma maneira e estou farta de falhar...é muito frustrante. Não vos vou prometer nada. Vou por mim, porque acho que mereço ter uma vida que ainda não tenho. Até já

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Vou dormir fora.

Estava de corpo paralisado naquelas cadeiras verdes almofadas, rijas demais.
chegou com aquele sorriso aberto e seguro.
Vamos?
Sorri também. Levantei-me rapidamente como uma miúda a quem fossem dar um presente muito desejado... e iam dar uma coisa muito mellhor.. uma conversa com sabor a verdade, um olhar com sabor a abraço, fosse ele duro, cru, refilão, com palavras que doessem ou que fizessem chorar. Eu queria, era essa a única certeza.
E foi tudo isso, mas também bem mais que isso.
Tinhamos falado por mail e eu era a expressão da vergonha das minhas próprias palavras, porque o que eu lhe disse era só aquilo que eu não ia ser capaz de dizer e que, então, escrevi...
É incrível como conseguimos ganhar empatia em tão pouco tempo, em como ela faz e responde a perguntas quando eu já só sei chorar e ela dá as letras a cada lágrima, a cada pedra de sal... e reune-o todo, e dá sentido... "precisa de confiar, nunca confiou em ninguém... se eles nunca a ajudaram como é que alguém a a vai ajudar? mas agora não há tempo...tem de confiar, tem só de cumprir, cegamente..."
Onde eu só vi mais e mais quedas ela encontrou coisas boas e formas de me elogiar, mais uma vez deu parabéns à minha persistência, às minhas capacidades que apenas precisam de virar o ponteiro. E disse, agora com a voz mais séria do mundo: não há tempo para esperar que o trabalho dê tempo, não há tempo para acreditar que o corpo vai continuar a aguentar tudo, não há tempo para continuar esta descida vertiginosa nem esperar numa uma mudança mágica...
bem sei que essa espera pode ser trágica...
Mas na altura, tudo é diferente..esses medos desaparecem, o foco fica numa nuvem distante, o chão é noutro chão, o tecto nem existe...
Vou estar duas semanas e meia sem si, sem a minha ida-semanal-de-busca-de-sanidade, duas semanas em que se vai decidir se acordo durante uns tempo numa cama que não é a minha ou se tive medo e não fui - porque eu sei que não há mais hipóteses.
Sabe, fiquei com medo quando disse que tinha medo. Fiquei com medo porque a senti próxima, fiquei com medo porque de repente as minhas duvidas momentâneas de ter medo de repente se tornaram um pouco reais... Disse que tinha medo desta nova perda repentina, da minha falta de noção do meu estado...e desta angústia... Deu-me mais medicação, fez-me prometer que o trabalho não seria desculpa para descansar... E acabámos a rir, com a minha sinceridade: quando marquei a 1ª, o meu objectivo era dizer estou aqui, esta sou eu, diga o que é que tenho de fazer para tirar este bicho... e eu fazia. Simples.
Vim com um abraço.
E chorei.
Tenho a certeza do que quero.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Parto com uma pequena mala.
Com o coração trémulo.
Com a esperança a meio gás,
com a vontade toda,
sem muitos projectos, confesso.
Não te prometo nada, não vou por ninguém, por honra de ninguém... Não vou para provar nada a ninguém, não vou para deixar nenhuma alma em paz...
Vou para "fazer diferente"
Vou porque não faz sentido desistir antes e tentar tudo, acima de tudo vou porque quero férias... e estas serão bem melhores que umas férias nas Bahamas... TENHO A CERTEZA! e digo-o assim, à boca cheia, gritado mesmo. Nestes últimos anos viajei, com uma amiga, com vários amigos, com namorado..e em todas, sem excepção, fui "acompanhada", não tive férias... nem nas férias tive férias e preciso... Ontem e perguntava-me: "por quê??? porque é que isto me grita cá dentro que este é o caminho, que não vale a pena fingir nem desculpar-me mais, que eu tenho de tentar isto??..a resposta é só uma: porque preciso...Nem que seja para ir e ver que também não funciona... Mas depois vou poder dizer que também tentei, até lá vou ter sempre um caminho que ainda não experimentei... vou estar a desistir antes do tempo e isso não faz sentido.
Amanhã decido o meu futuro mais próximo. Deus me dê coragem.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

um bocadinho de raiva

De repente parece que deixa de valer a pena inverter o sentido, deixa de valer lutar...Deixas-te levar como se ninguém estivesse a ver, e dói...
Choras agora com a raiva à flor da pele
Foste ao contrário de tantas...
Não quiseste chocar, não bateste o pé,
nunca fizeste uma birra!
Fizeste tudo lentamente para que ninguém desse por nada, para que ninguém sofresse para que ninguém se preocupasse, para que ninguém tivesse que mexer uma palha da sua vida para se ocupar da TUA VIDA!
E a diferença, entre essa altura, em que tu dizias a ti mesma... "ninguém vê porque eu não deixo que ninguém veja"... para a destruição massiva e maciça,em que o teu corpo é uma réstia...é ZERO... Vou parar, sim... quando não der mais... não tenho coragem de carregar no Stop, a vergonha é imensa.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

The End

O Fim agora, o fim agora, agora, o fim. Estou à espera. Acaba-te. Já.

domingo, 8 de agosto de 2010

Ajude-me

Trata-se de parar para parar de perder tempo.
Ainda que esse parar te soe a perda de tempo, às vezes, porque podias continuar a correr como se não houvesse amanhã... Felizmente para ti a 'crise' não tem querido dizer muito e dás-te ao luxo de ter que recusar proposta atrás de proposta de trabalho. Exactamente 3 no último mês.
E ainda que vivas como os teus pares, e te queixes com eles, ou só acenes com eles quando se queixam da dureza desta profissão, sonhas acordada com a vida santa que terias se tivesses só a profissão-de-carteira...
É urgente parar porque estás a enlouquecer,
porque este trabalho não se coaduna com a total ausência de prazer... todos te dizem..."nós lá aguentamos, porque no fundo, gostamos disto..." E tu?
Eu ocupo-me do trabalho nos tempos livres da minha profissão intrínseca, da minha pele, do meu cérebro envenenado feito sonho, pesadelo, suor, lágrimas, pesar, andar e dor, dor, dor, dor, dor, dor, dor, dor, dor, dor, dor, dor, dor, dor, dor, dor, dor, dor, dor, dor, dor, dor, dor, dor, dor, dor, dor, dor, dor, dor, dor, dor, dor, dor, dor, dor, dor, dor, dor, dor, dor, dor, dor, dor, dor, dor, dor, dor, dor, dor.
...
Preciso de PARAR
parar de perder tempo a contar,
perder tempo nas filas
nos super mercados,
na casa de banho
ao espelho
no chão
a vaguear horas a fio
a limpar
a gastar água
de gastar dinheiro
de desperdiçar
de pensar a mesma coisa mil vezes por dia e não conseguir ter a cabeça livre para absolutamente mais nada
preciso de substituir

Chegou A Hora

E vou tentar boicotar tudo, vou ter medo, vou dizer que se calhar é melhor não, que vou conseguir sozinha...mas não vou... Ajude-me, ajude-me

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Eu quero

Queria pegar no telefone e ligar-lhe.
Dizer que tem toda a razão e que ontem tive mais uma prova.
Dizer o quanto custou segurar o corpo, nem eram precisos muitos pormenores...
Combinávamos e dividiamos tarefas. Tratava da minha chegada, eu tratava da minha ida. Começava no minuto seguinte. Levantáva-me, ia até à sala do chefe e dizia-lhe as palavras necessárias para deixar o trabalho, comia os lábios todos por dentro se fosse preciso, trabalhava até cair para o lado para não o deixar na mão até ele arranjar alguém para me substituir - e por mim - para eu poder ir descansada...
Continuo com este tremor aqui dentro, com esta ambivalência furiosamente angustiada... eu não vou parar com este ciclo sozinha... eu tenho de ir... Mas eu não consigo dizer com as letras todas, à sua frente, "pode avançar, marque que eu vou, estou pronta, vou!". Mas eu quero...

quinta-feira, 29 de julho de 2010

aperto

Fiquei a pensar

eram oito e meia da manhã e fui recebida por si, com o sorriso seguro, as palavras firmes, a voz calma.
Desta vez o ensaio que fiz na minha cabeça, do carro até chegar ao pé de si, não correu bem, falhou e sabe, ainda bem...
porque fiquei a pensar

não se resolveu ali

não fui um pedaço morto a pesar e a avaliar de fora, não me vi de fora...nem a vi muito bem porque me custou olhar, como se me custasse olhar os olhos que me olhavam.

Zangou-se com a minha falta de tempo para mim, com o meu empenho no trabalho, por levar trabalho para casa, por querer a excelência, a pontualidade e a assiduidade acima de tudo.
Mas não se zangou, como eu me zanguei, com o resto... o Grande resto, o Meu Grande Resto.

Foi puramente prática e pela primeira vez não ouvi "temos de esperar" mas "temos de resolver"... e deu-me uma solução diferente, um caminho nunca antes experimentado por mim...muitas vezes pensado, é verdade, mas também, inúmeras vezes adiado...

e da minha boca só saía "não posso" "e não posso fazer isso" "eu não lhes posso fazer isso"... uma desculpa? talvez medo? também... como é que eu faço? o que é que eu faço? o que é que eu escolho?...

Falámos das regras possíveis... e e expliquei como é impossível ter regras a trabalhar em TV... mais uma vez, aquele espírito ainda mais prático que o meu: "então tem de parar" eu: "quando acabar?em Novembro?" -----"Se tivesse um cancro esperava até Novembro para fazer quimio?ser operada?"

Dói-me aqui

domingo, 18 de julho de 2010

Leve leve-me

Estás ao caminho ainda com as pernas noutro lado.
Estás com a energia e a vontade prontas a sair mas, estúpida, adias o dia UM.
Continuas ridiculamente igual no que toca a pores-te a andar, e só corres quando o perigo corre mais que tu, mas na tua direcção.
Custa quando te acusam com aquele ar de "it's all your fault" porque não queres isto, e custa quando na sala te dizem "a culpa não é sua" porque a tua acção diz que queres isto...
Uma completa adita, uma completa estúpida em acção constante e imparável, rumo a...
Tens saudades do Sol e enfias todos os dias a cabeça na areia,
Saudades do que não te lembras e logo saudades do futuro que cada vez mais te parece um sonho para "depois"... e aparece-te em sonhos a gozar
Acordas com as lágrimas que ficaram pendentes do dia anterior e dizes "acabou". Dura minutos, horas, talvez um dia... e escondes-te outra vez, e curvas-te outra vez...e desta vez nem consegues combater contra esse lado que não é teu mas que se apoderou de ti.
Precisas que tudo seja um bocadinho mais rápido que nas ultimas vezes em que tentaste e não é (só) pela urgência de liberdade que te assalta e te faz morrer por dentro, é antes pela velocidade com que o outro lado te está a matar o corpo e o corpo do corpo.

terça-feira, 13 de julho de 2010

limite

Ela hoje disse-me o limite,

Até onde posso ir ou até onde não posso chegar,
Até onde fica comigo, ou o ponto em que decide por mim,
Até onde sou eu a decidir ou até onde... ou fujo mais uma vez...
deu-me um número como se a minha vida deixa-se de ser minha ou deixa-se de ser minha se eu o vir.
Custa ver a vida reduzida a números... não que eu não o tenha feito antes, ainda o faça ou tenha feito desde que me lembro, mas custa quando são outros a pegar naquilo que abominas, que desejavas tão profundamente que fosse diferente...
Não te pede que saias de casa, porque isso tu fazes,
não e pede que te esforces...
Não te pede que sejas útil à sociedade porque aí ÉS
Pede-te só que não te subtraias mais,
deu-te o limite...
e vergonhosa e silenciosamente, há uma vontade que queres calar, de lá chegar, de passares das marcas todas,
e não vai ser nada...
hoje há razão para o cansaço,
mas o de dentro é o mesmo de quando o limite não existia...
às vezes parece que o abismo é uma luta desenfreada para haver qualquer coisa palpável, que fale por tudo aquilo que não és nem nunca foste capaz de dizer.
"o que é que a está a deixar assim? O que é que aconteceu? tem de falar. O que é que aconteceu?"

Eu não sei

segunda-feira, 12 de julho de 2010

isto a mais

Não sei o que é que está aqui dentro,
mas eu sei que não é meu.

Há qualquer coisa que te faz boicotar sistematicamente a vontade. Ou a ânsia.
Sabes as coordenadas, sabes o que acontece se fizeres o que está certo...e o que está errado.
Conheces bem a recompensa, a ausência e o castigo... mas és um péssimo espécime para Pavlov.
Bem, isto é só um eufemismo... porque tudo não passa de pura estupidez...
Quando qualquer coisa te irrita aproveitas e choras... qualquer coisa, não é preciso uma grande coisa. E esqueces rapidamente o que te irritou para te desfazeres nas lágrimas impossíveis que o resto não te deixou chorar.
Vais lá chegar redonda, com duas camadas a mais e vais estar, tu, bem no interior da cebola. a camada do que te fizeste e a camada pelo que te deixaste fazer.
Transversal a tudo só as duas linhas que não se tocam: uma brilhante, outra negra.
Dois staments e a dúvida: qual é qual?
Esperas ansiosa e esperas com medo.
Só a verdade, trabalhar com a verdade, dizer sempre a verdade
Hoje prometo só isso
é que há qualquer coisa aqui dentro que não roubei mas que juro, juro que não me pertence.

domingo, 4 de julho de 2010

quase quase nada

Dá-me um minuto,
deixa-me multiplicá-lo em horas, de acções, não de tempo
Fica tu com o vazio e dá-me as mãos.
Deixa-me fazer.
Não quero mais olhar nem contemplar esta ilusão tenebrosa,
Não me dês nada, mas não me tires mais nada...
Nem a força do início,
Um novo início com sabor a velho...
E aquela velha dor,
mais forte que nunca,
mais forte que eu...
Já não há quase nada
O confronto
A verdade por meias palavras de alguém
E o fim, finalmente o fim...
Porque é que demoraste tanto?
Acabou, pára de te cansar a brincar nessas ilusões,
ei! acabou. Perdeste.
Acabou
Já não resta quase nada
Assiste agora ao fim... já não fazes mais nada