Testar ao limite, levar tudo ao limite com a calma agraciada e levemente levantada do chão, de salto-alto, agulha mergulhada, tão fina de se não sentir.
O pé fino da fina perna em cujas verdes veias se fazem sobre elas labirintos de perdição desmesuradamente ausentes de malícia... A terra tem por mania chamar-me da maneira conhecida e crua,
e cais outra vez, só...
só para te voltares a erguer.
Encontrar o encanto perdido, a Arte de te perderes no desencontro que vives. A pluralidade de ti, encontrada depois... Cantar a Arte imaginada e seres...só porque dizem que existes.
terça-feira, 28 de outubro de 2008
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
Querer-me
A vontade de saber melhor,
de cor cada passo e cada vento novo...
A assustadora novidade tem nela a ironia extrema de se fazer crer melhor do que na realidade se sente
...porque é novo,
porque é diferente,
outra coisa qualquer para além de tudo o resto, conquistado ou perdido...
Mil vezes mais do que alguma vez pude sequer pensar,
é tenebrosa a intensidade do medo de perder qualquer coisa que nunca tive,
que temo e tremo pela certeza de ter e me angustía a sensação de poder perder...
É forte e demasiado grande para esta pequenez gigante,
A união em dúvida pela linha ténue que separa um extremo do outro...
só porque querer-te é querer-me a mim também...
de cor cada passo e cada vento novo...
A assustadora novidade tem nela a ironia extrema de se fazer crer melhor do que na realidade se sente
...porque é novo,
porque é diferente,
outra coisa qualquer para além de tudo o resto, conquistado ou perdido...
Mil vezes mais do que alguma vez pude sequer pensar,
é tenebrosa a intensidade do medo de perder qualquer coisa que nunca tive,
que temo e tremo pela certeza de ter e me angustía a sensação de poder perder...
É forte e demasiado grande para esta pequenez gigante,
A união em dúvida pela linha ténue que separa um extremo do outro...
só porque querer-te é querer-me a mim também...
terça-feira, 7 de outubro de 2008
A Ágora
Nada mais que um mero parecer, uma aparência desleal de se ser substancialmente menos...de Tudo.
E quero mais e exijo mais e deixo de sonhar com o "mais" porque o quero Agora.
De menos.
Não chega.
Não é suficiente.
Está atrasado.
Passou o prazo.
E passada do prazo reencontro o invólucro estragado e, apodrecido, o que lho rompe, de dentro...
A partir do centro, esse simulacro, ou essa verdade.
Que interessa saber?
A soma do tempo, essa sobreposição sem cautela gera distracções que roubam o próprio tempo à necessidade de destronar a simulação que dói mais mas que é...Agora...verdade.
E quero mais e exijo mais e deixo de sonhar com o "mais" porque o quero Agora.
De menos.
Não chega.
Não é suficiente.
Está atrasado.
Passou o prazo.
E passada do prazo reencontro o invólucro estragado e, apodrecido, o que lho rompe, de dentro...
A partir do centro, esse simulacro, ou essa verdade.
Que interessa saber?
A soma do tempo, essa sobreposição sem cautela gera distracções que roubam o próprio tempo à necessidade de destronar a simulação que dói mais mas que é...Agora...verdade.
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
Da subtil diferença
A diferença entre o que se imagina e o que acontece... da ideia àquele estado do tempo a que alguém decidiu chamar: "Realidade". Na imaginação certifica-se tudo à volta, pressiona-se cada carácter retardado e, em dúvida, acolhemos a pior hipótese, na esperança que de alguma das dúvidas o resultado seja melhor e se possa ficar, francamente, surpreendida. A repetição do método, a inevitabilidade do hábito a que o ser humano se afeiçoa com a pele leva ao arrepio de apenas pensar em mudar...mais uma vez a ideia atraiçoa, e a mudança não passa à tal "Realidade"...presa outra vez...presa da realidade mais que da imaginação...ainda assim, na realidade, prisioneira do hábito, mais conhecido que fácil... Invento-me na realidade imaginada e não foi nada assim. Perdi o rasto ao entusiasmo e preferi-me. Ouvi-me, ditei-me o dogma que sinto desde que adormeci de olhos abertos e pose: sentada, perna traçada, pé entrelaçado na perna de apoio ao chão. Habitual resultado depois da dor, ou da falta de quente...esteve frio e o peito deslaçou-se e... eu sem mim...
sábado, 6 de setembro de 2008
Deixei de dizer
Aconteceu pelo lado mais básico.
Primeiramente revelado pela não-assumpção de ser a 100%.
Não disse que queria e o desejo concretizou-se, um desejo não formulado, não assumido como tudo ou nada...O nada disse mais que o que queria dizer, e secretamente tagarelava por dentro, como que a distrair o intelecto do sentir...Só nessa altura a clarividência se apróximou do espaço que o corpo parecia habitar....sem muitas certezas, que para o caso também não importam.
E em vez de tudo, totalmente se imiscuíu do demasiado tempo do "para sempre" e fiquei só feliz por hoje poder dizer "ainda" e por fazer desse hoje um Hoje que comunga e se lembra do espaço que lhe pertence,
Foi o melhor possível e melhor seria impossível...
Obrigo-me a agradecer-me o esforço que regateio em forma de obrigação...Se é ou não...que importa agora? Chega, retornada pelo tempo que a mandou embora de si...recebo-me Hoje, revoltada e revolvida inteiramente, sem conhecer melhor por isso cada recanto...
Desafio o cantar
reafirmo cada passada
volto...
Adormeço acordada
Primeiramente revelado pela não-assumpção de ser a 100%.
Não disse que queria e o desejo concretizou-se, um desejo não formulado, não assumido como tudo ou nada...O nada disse mais que o que queria dizer, e secretamente tagarelava por dentro, como que a distrair o intelecto do sentir...Só nessa altura a clarividência se apróximou do espaço que o corpo parecia habitar....sem muitas certezas, que para o caso também não importam.
E em vez de tudo, totalmente se imiscuíu do demasiado tempo do "para sempre" e fiquei só feliz por hoje poder dizer "ainda" e por fazer desse hoje um Hoje que comunga e se lembra do espaço que lhe pertence,
Foi o melhor possível e melhor seria impossível...
Obrigo-me a agradecer-me o esforço que regateio em forma de obrigação...Se é ou não...que importa agora? Chega, retornada pelo tempo que a mandou embora de si...recebo-me Hoje, revoltada e revolvida inteiramente, sem conhecer melhor por isso cada recanto...
Desafio o cantar
reafirmo cada passada
volto...
Adormeço acordada
quarta-feira, 3 de setembro de 2008
Sentir-se a vida!
Quero querer.
Só isto
ou tudo isto
...nada mais a mais
que o que poderia deixar de pedir sem um pedido
antecipado ao tempo
...do querer...
Crer,
pela enésima vez feita primeira,
apaixonar-me pelo desejo e importar-me inteira nele,
com ele...
a consequência mais negativa
é desejo
crer que se quer... viva...
Só isto
ou tudo isto
...nada mais a mais
que o que poderia deixar de pedir sem um pedido
antecipado ao tempo
...do querer...
Crer,
pela enésima vez feita primeira,
apaixonar-me pelo desejo e importar-me inteira nele,
com ele...
a consequência mais negativa
é desejo
crer que se quer... viva...
quinta-feira, 28 de agosto de 2008
Da impossibilidade de se ser sem...
De repente.
Assim, sem mais e sem menos, sem pedir, sem reclamar, sem sentir qualquer réstia de compaixão pela tanta luta e tanto sufoco, sucessivamente animado de vontade.
Assim, de repente.
Mentirosa.
Tu nunca quiseste outra coisa.
Mas repeti-me, repeti-me a repetição instruída fora do corpo, para ele, nele, aquele a mais que tem de existir quando se quer ser só...um pouco menos.
Assim, sem mais e sem menos, sem pedir, sem reclamar, sem sentir qualquer réstia de compaixão pela tanta luta e tanto sufoco, sucessivamente animado de vontade.
Assim, de repente.
Mentirosa.
Tu nunca quiseste outra coisa.
Mas repeti-me, repeti-me a repetição instruída fora do corpo, para ele, nele, aquele a mais que tem de existir quando se quer ser só...um pouco menos.
quinta-feira, 21 de agosto de 2008
nada para poder parar
Primeiro a tentativa desarmada de tirar o chão ao lado negro: nada para poder parar.
Antecipei qualquer hipótese e cansei-me propositadamente, estupidamente, decididamente. Desta vez não me pus à prova, sabia que parar era deixar a porta aberta, sabia que parar era deixar-me abrir a porta, deixar-me e cuspir-me...
olhar-me de fora...
Revistei cada falha anterior e coleccionei todos os erros num álbum: a cada um injectei-lhe a certeza automática, gritada e sem som, uma só palavra... aquela,
do querer,
do saber que se quer,
o caminho escolhido, pisado e repisado, almejante do fim... do princípio verdadeiro de tudo o que é só Teatro...
No desejo de querer chegar-um-pouco-mais-longe programeu ao milímetro quadrado cada minuto desta eternidade estendida entre um período que parece a vida toda e a incógnita do resto a que se chama "para sempre". E falho.
E falho.
E paro depois do erro e saboreio toda a raiva, toda a mágoa e todo o medo.
Antecipei qualquer hipótese e cansei-me propositadamente, estupidamente, decididamente. Desta vez não me pus à prova, sabia que parar era deixar a porta aberta, sabia que parar era deixar-me abrir a porta, deixar-me e cuspir-me...
olhar-me de fora...
Revistei cada falha anterior e coleccionei todos os erros num álbum: a cada um injectei-lhe a certeza automática, gritada e sem som, uma só palavra... aquela,
do querer,
do saber que se quer,
o caminho escolhido, pisado e repisado, almejante do fim... do princípio verdadeiro de tudo o que é só Teatro...
No desejo de querer chegar-um-pouco-mais-longe programeu ao milímetro quadrado cada minuto desta eternidade estendida entre um período que parece a vida toda e a incógnita do resto a que se chama "para sempre". E falho.
E falho.
E paro depois do erro e saboreio toda a raiva, toda a mágoa e todo o medo.
domingo, 10 de agosto de 2008
de peito embalsamado...
A consequência do desorgulho do saber que se cumpriu e fez, exactamente na proporção esperada e desarmada de esquemas para voltar atrás depois do sim, mesmo desalinhado do resto de dentro... A respiração afundada debaixo, abaixo do peito segurado, embalsamado pelas horas todas do dia e metade das horas da noite, até ao pedido rápido, silencioso para não ser perturbado, que o sono me leve até à alvorada seguinte...E acordo, e acordo-me e ergo-me mais uma vez...e o dia começa e termina antes do próximo e a força e a vontade tem de ser, senão, parecer a mesma vontade de qualquer coisa diferente, do outro desejo que nunca se deixa dizer.
E diz-se sem palavras no tempo intercalado em que a respiração profunda e ofegada pelo cansaço fazem picar os olhos de quem me olha...E desorgulho-me, quis tudo inteiro sem querer sequer a parte...E repetia e dava-me sem vontade...assim, ao mesmo, à mesmas...parecer, aparecer para viver...
E diz-se sem palavras no tempo intercalado em que a respiração profunda e ofegada pelo cansaço fazem picar os olhos de quem me olha...E desorgulho-me, quis tudo inteiro sem querer sequer a parte...E repetia e dava-me sem vontade...assim, ao mesmo, à mesmas...parecer, aparecer para viver...
sábado, 26 de julho de 2008
Copo de Alma
Depois a apatia,
a inexistência na berlinda,
O apagão que faz barulho entre o silêncio de tudo aquilo que não sou capaz de dizer.
Sei,
não quero saber, não quero ouvir, não quero conhecer, não quero obedecer...pára!
Não pára nem eu me demito da posição mascarada, da fortaleza de lhe fazer frente. Ao mesmo tempo o maior desejo e a maior fuga, a dor e o prazer, a felicidade, a plenitude e o fim.
Demasiadamente maiores que eu...não da fragilidade do corpo, mas da debilidade do resto, o lado incomensurável e ilimitado, não mais pelo tamanho que pela invisibilidade.
Sou sem,
Sou vazia,
depois inteira,
depois desequilibrada entre a presença e a lua,
um pé, o dedo e a pele de fora,a carregar no chinelo o peso do mundo,
em cima dos ombros,
em cima do tronco, das pernas e deles...
A pele congela entre o calor dos corpos transbordantes de tudo...
Invejo, quero, imagino, construo o filme...cada frame.
Afirmo, grito-me...
injusto injusto injusto...
Uma espécie de brinde com o copo vazio.
a inexistência na berlinda,
O apagão que faz barulho entre o silêncio de tudo aquilo que não sou capaz de dizer.
Sei,
não quero saber, não quero ouvir, não quero conhecer, não quero obedecer...pára!
Não pára nem eu me demito da posição mascarada, da fortaleza de lhe fazer frente. Ao mesmo tempo o maior desejo e a maior fuga, a dor e o prazer, a felicidade, a plenitude e o fim.
Demasiadamente maiores que eu...não da fragilidade do corpo, mas da debilidade do resto, o lado incomensurável e ilimitado, não mais pelo tamanho que pela invisibilidade.
Sou sem,
Sou vazia,
depois inteira,
depois desequilibrada entre a presença e a lua,
um pé, o dedo e a pele de fora,a carregar no chinelo o peso do mundo,
em cima dos ombros,
em cima do tronco, das pernas e deles...
A pele congela entre o calor dos corpos transbordantes de tudo...
Invejo, quero, imagino, construo o filme...cada frame.
Afirmo, grito-me...
injusto injusto injusto...
Uma espécie de brinde com o copo vazio.
segunda-feira, 21 de julho de 2008
À Austeridade.
A austeridade.
Penitencio-me, de joelhos, frente à revisão acelerada, só para caber tudo.
Olhos baixos, cabeça curvada. Eu sei, eu sei, eu sei. Não sei como.
Desta vez não questiono, nem detecto microscopicamente o erro, não me sirvo dele para o impulso...Nem o esqueço nem o nomeio, pelo receio escorregadio que se sinta homenageado por mim. Guardo só a força que o anterior assalto não resgatou. Metamorfoseio-a e metamorfoseio-me, ergo a pele mais separada do corpo, visito o jardim dos afectos que tem a mania de se esconder por baixo dela, não pego sequer na chave...ver de fora chega-me, senti-lo inteiro, de cores e de cheiros.
Hoje, nova aurora solarenga sem a janela sequer aberta. Sol ou chuva, ou vento, ou frio...Interessa-me mais o jardim, aqueço-me nele. Em ti, em ti e em ti, um beijinho, um pedido maior de orvalho com aroma a ti e a ti e a ti. Fecho os olhos e o o ar expira-se pelos poros desentupidos de dor...O vácuo tem a mania de fazer-se de solidão, perversamente...A excelência do intacto...também a perfeição inumana de querer o amanhã igual, não, Igual ao ontem.
Quem dera o vento se atrevesse a passar sem se arrepender ao primeiro choque da diversidade entre o que se pensa e se sente.
Austera a mudança imunda da semelhança de nome sempre igual.
Suplico a última vez, cumpro a promessa e chego a fazer batota, a ver se cola, a ver se pode ser...
Inútil. Indiferente à mudança, indiferente às dores do corpo, pelo esforço... Querer mais, infinitamente mais...nem mais do meio, nada a mais que a metade me chega enquanto o cume não sentir a fina bandeira fazer-lhe parte do corpo. A exigência de só isso chegar, a existência ajoelhada e a clemência da humildade espraiada.
Penitencio-me, de joelhos, frente à revisão acelerada, só para caber tudo.
Olhos baixos, cabeça curvada. Eu sei, eu sei, eu sei. Não sei como.
Desta vez não questiono, nem detecto microscopicamente o erro, não me sirvo dele para o impulso...Nem o esqueço nem o nomeio, pelo receio escorregadio que se sinta homenageado por mim. Guardo só a força que o anterior assalto não resgatou. Metamorfoseio-a e metamorfoseio-me, ergo a pele mais separada do corpo, visito o jardim dos afectos que tem a mania de se esconder por baixo dela, não pego sequer na chave...ver de fora chega-me, senti-lo inteiro, de cores e de cheiros.
Hoje, nova aurora solarenga sem a janela sequer aberta. Sol ou chuva, ou vento, ou frio...Interessa-me mais o jardim, aqueço-me nele. Em ti, em ti e em ti, um beijinho, um pedido maior de orvalho com aroma a ti e a ti e a ti. Fecho os olhos e o o ar expira-se pelos poros desentupidos de dor...O vácuo tem a mania de fazer-se de solidão, perversamente...A excelência do intacto...também a perfeição inumana de querer o amanhã igual, não, Igual ao ontem.
Quem dera o vento se atrevesse a passar sem se arrepender ao primeiro choque da diversidade entre o que se pensa e se sente.
Austera a mudança imunda da semelhança de nome sempre igual.
Suplico a última vez, cumpro a promessa e chego a fazer batota, a ver se cola, a ver se pode ser...
Inútil. Indiferente à mudança, indiferente às dores do corpo, pelo esforço... Querer mais, infinitamente mais...nem mais do meio, nada a mais que a metade me chega enquanto o cume não sentir a fina bandeira fazer-lhe parte do corpo. A exigência de só isso chegar, a existência ajoelhada e a clemência da humildade espraiada.
segunda-feira, 14 de julho de 2008
E ainda não me conheces.
Incrivel.
Preferi durante muito tempo demorar-me na crença fácil, de contestar mas aceitar por dentro, uma espécie de birra de miúda que se ampara nas tiradas sabichonas dos crescidos.
Dizia que não e corria para longe a proteger o que acabavas de dizer.
Sabias-me melhor e eu confiava nessa tua visão Raio X porque era quente a segurança de acreditar que admiravas o bom que eu duvidava e acalmarias a dor invisível.
Não deste por ela, nunca. A seguir à crença veio a dúvida, mas era tarde.
A nódoa negra cresceu, contagiou o embrulho na tentativa desesperada e de tomada de inconsciência de se mostrar.
Angustiantemente.
Pediste-me as mentiras em espiral, as cor de rosa, as engraçadas
Eu mentia alegremente, anestesiada do resto nesse instante, estava a fazer o melhor para ti mesmo que me estivesse a culpar do egocentrismo que implicava essa criação do argumento, realização e interpretação, três em um,três em mim...
Era essa verdade a única que estavas disposta a receber, mostravas-me o desespero e culpavas-me por ele cada vez que o deixava de fora do figurino a minha roupa.
Continuavas a dizer que sabias a verdade, que me sabias muito melhor que aquilo que eu pensava... E de confortante isso passou a revoltar-me... Preferi acreditar que te enganavas...
Pela ignorância não te podia culpar
Melhor acreditar na frase que em miuda não tinha eco cá dentro
Ainda não me conheces.
Incrivel.
Preferi durante muito tempo demorar-me na crença fácil, de contestar mas aceitar por dentro, uma espécie de birra de miúda que se ampara nas tiradas sabichonas dos crescidos.
Dizia que não e corria para longe a proteger o que acabavas de dizer.
Sabias-me melhor e eu confiava nessa tua visão Raio X porque era quente a segurança de acreditar que admiravas o bom que eu duvidava e acalmarias a dor invisível.
Não deste por ela, nunca. A seguir à crença veio a dúvida, mas era tarde.
A nódoa negra cresceu, contagiou o embrulho na tentativa desesperada e de tomada de inconsciência de se mostrar.
Angustiantemente.
Pediste-me as mentiras em espiral, as cor de rosa, as engraçadas
Eu mentia alegremente, anestesiada do resto nesse instante, estava a fazer o melhor para ti mesmo que me estivesse a culpar do egocentrismo que implicava essa criação do argumento, realização e interpretação, três em um,três em mim...
Era essa verdade a única que estavas disposta a receber, mostravas-me o desespero e culpavas-me por ele cada vez que o deixava de fora do figurino a minha roupa.
Continuavas a dizer que sabias a verdade, que me sabias muito melhor que aquilo que eu pensava... E de confortante isso passou a revoltar-me... Preferi acreditar que te enganavas...
Pela ignorância não te podia culpar
Melhor acreditar na frase que em miuda não tinha eco cá dentro
Ainda não me conheces.
domingo, 13 de julho de 2008
Voar
Sonhei-me numa asa.
Senti-me no vento sem me ver...liberdade
Das portas todas abertas, até essa...E dói, e confunde, baralha...Organizadamente, sem pressa.
A asa passa-me frente a cada entrada, sem nome e sem morada, sem moradores, só transeuntes albergados do sol...
Voo-me na asa aconchegada pelas bárbulas invisiveis, feitas penas...Precipito-me para a curiosidade de saber melhor o mundo a que a asa me roubou...não roubou, mas eu julguei que sim, só porque é mais fácil dar que guardá-la inteira.
Há quanto tempo meu Deus, quantos intermináveis momentos se contagiaram uns aos outros para me ausentarem... E a dificuldade de explicar a facilidade masoquista do isolamento inteiro do corpo e do seu "dentro", muito maior, transbordante, e questionador da média permeabilidade da pele.
Tudo em questão. Querer, precisar de um caminho ou dos pés neles...Ainda não sei. Já soube e felizmente soube-me também enganada...Obrigada. a Certeza,
Tua.
Eu sou para Ti.
Ergo a cabeça e rodopio em cima da asa que voa a rondar o mundo inteiro...Sei melhor dos passos embora ainda custe muito pisar as pegadas. Fixo nelas o olhar, deixo de precisar do resto que não quero, que odeio, mas que amei alguma vez por julgar do pior o possível para mim. Saber-me amada. A liberdade.
Senti-me no vento sem me ver...liberdade
Das portas todas abertas, até essa...E dói, e confunde, baralha...Organizadamente, sem pressa.
A asa passa-me frente a cada entrada, sem nome e sem morada, sem moradores, só transeuntes albergados do sol...
Voo-me na asa aconchegada pelas bárbulas invisiveis, feitas penas...Precipito-me para a curiosidade de saber melhor o mundo a que a asa me roubou...não roubou, mas eu julguei que sim, só porque é mais fácil dar que guardá-la inteira.
Há quanto tempo meu Deus, quantos intermináveis momentos se contagiaram uns aos outros para me ausentarem... E a dificuldade de explicar a facilidade masoquista do isolamento inteiro do corpo e do seu "dentro", muito maior, transbordante, e questionador da média permeabilidade da pele.
Tudo em questão. Querer, precisar de um caminho ou dos pés neles...Ainda não sei. Já soube e felizmente soube-me também enganada...Obrigada. a Certeza,
Tua.
Eu sou para Ti.
Ergo a cabeça e rodopio em cima da asa que voa a rondar o mundo inteiro...Sei melhor dos passos embora ainda custe muito pisar as pegadas. Fixo nelas o olhar, deixo de precisar do resto que não quero, que odeio, mas que amei alguma vez por julgar do pior o possível para mim. Saber-me amada. A liberdade.
quarta-feira, 9 de julho de 2008
inDiferença
Desta vez bato na boca e não me deixo dizer...Só que a voz de cabeça, irritante, diz-se e ri-se de me poder impedir de a calar.
Eu não queria dizer que era a última vez, porque nas outras vezes todas em que o disse, não foi.
Eu não queria dizer mas ouvi que era a úlltima vez. E mais uma vez, não foi.
Destruo o pensamento e faço-o à mão...desageitadamente genuino, arteanal. Dizem que à mão dura mais, é mais caro e tudo...Pagam-se as mãos para além do artefacto. Engraçado.
A feitura desenvolve-se ao mesmo tempo que o caminho se pisa. Nunca do príncipio gasto...parte-se antes de outro sítio qualquer, sempre mais à frente, enganadoramente adiante. Esqueço a hipótese, a dúvida e reafirmo o "adiante". Somo-lhe a cabeça erguida. Melhor assim.
Ocupo o tempo da contagem de partida com um primeiro passo mais impulsionado. Ar, ar, ar. Chão outra vez.
A cabeça é agora assustadoramente pesada. O corpo inverte-se. Só cabeça.
Amordaça-me, magoua-me, bate-me. Peço e repeço e repito outra vez. Não confies, por favor.
Encontro o corpo meio perdido e a cabeça longe.
O som teve mais significado e a superstição deu por si mais próxima do ponto em que se enunciava.
Odeio-te com toda a força que o corpo me pede. Gasto a energia na armadilha que a força maior me nega, a rir-se.
Ausento-me à raiva de sempre.
Qualquer coisa diferente.
Eu não queria dizer que era a última vez, porque nas outras vezes todas em que o disse, não foi.
Eu não queria dizer mas ouvi que era a úlltima vez. E mais uma vez, não foi.
Destruo o pensamento e faço-o à mão...desageitadamente genuino, arteanal. Dizem que à mão dura mais, é mais caro e tudo...Pagam-se as mãos para além do artefacto. Engraçado.
A feitura desenvolve-se ao mesmo tempo que o caminho se pisa. Nunca do príncipio gasto...parte-se antes de outro sítio qualquer, sempre mais à frente, enganadoramente adiante. Esqueço a hipótese, a dúvida e reafirmo o "adiante". Somo-lhe a cabeça erguida. Melhor assim.
Ocupo o tempo da contagem de partida com um primeiro passo mais impulsionado. Ar, ar, ar. Chão outra vez.
A cabeça é agora assustadoramente pesada. O corpo inverte-se. Só cabeça.
Amordaça-me, magoua-me, bate-me. Peço e repeço e repito outra vez. Não confies, por favor.
Encontro o corpo meio perdido e a cabeça longe.
O som teve mais significado e a superstição deu por si mais próxima do ponto em que se enunciava.
Odeio-te com toda a força que o corpo me pede. Gasto a energia na armadilha que a força maior me nega, a rir-se.
Ausento-me à raiva de sempre.
Qualquer coisa diferente.
quinta-feira, 3 de julho de 2008
Olhar
1ª vez: finjoque não te ouvi.
2ª: desperta-se o medo, há uma possibilidade.
3ª: o lado hipotético assume-se fortemente, agiganta-se ao meu lado.
Pés no chão, nada a temer...as ideias têm a felicidade e o desespero de não se verem...
Demonstram-se, já foi assim...Tanto.
Revejo cada ponto do perigo, habito os segundos. Nada a temer, estou ainda no mundo.
Chamo a terra aos pés, aperto bem cada um dos atacadores.
All star durante a noite sempre deram jeito...Gosto pela primeira vez do tempo que demora a retirar cada pedaço do atacador pelas ilhoses. Elegantemente.
Não há pressa, há ainda uma distância de segurança.
Sento-me na terra e ela ampara-me. Na Terra, agarro-me aos pés, enterro nos seus dedos os dedos das minhas mão e impulsiono-me para a frente. De cócoras estendo as duas pernas em simultâneo. Estendo os gémeos ao limite, arqueio a culuna naquela posição. Sorrio no recordar: "Miuda!Como é que fazes isso?", O instante acaba logo e a coluna segue quase sem mim. Para cima, como se quer, a funciona graviticamente ao contrário...Sempre tive alguma dificuldade com as leis da Natureza. Sem dúvidarporque ela é de Deus para nós...
Peço repetidamente perdão...Adormeço lavada e salgada, acordo num sonho, desperta, novamente ao contrário do direito...daquele conquistado...A dor fez-se matéria e aliviou-se em mim...Ausentou-me à terra e tenho, de repente, os pés endeusadamente limpos. Corro atrás da terra, grito...Ninguém, ninguém...tanto e branco, tanto e ...dor...
Acordo e respiro.
Acordo e fujo antes de abrir os olhos...
O cume da ansiedade atinge-se rápidamente, devolve-me o sono porque desgasta...Medo, medo, medo, medo, medo, medo...
Qualquer coisa ou alguém
2ª: desperta-se o medo, há uma possibilidade.
3ª: o lado hipotético assume-se fortemente, agiganta-se ao meu lado.
Pés no chão, nada a temer...as ideias têm a felicidade e o desespero de não se verem...
Demonstram-se, já foi assim...Tanto.
Revejo cada ponto do perigo, habito os segundos. Nada a temer, estou ainda no mundo.
Chamo a terra aos pés, aperto bem cada um dos atacadores.
All star durante a noite sempre deram jeito...Gosto pela primeira vez do tempo que demora a retirar cada pedaço do atacador pelas ilhoses. Elegantemente.
Não há pressa, há ainda uma distância de segurança.
Sento-me na terra e ela ampara-me. Na Terra, agarro-me aos pés, enterro nos seus dedos os dedos das minhas mão e impulsiono-me para a frente. De cócoras estendo as duas pernas em simultâneo. Estendo os gémeos ao limite, arqueio a culuna naquela posição. Sorrio no recordar: "Miuda!Como é que fazes isso?", O instante acaba logo e a coluna segue quase sem mim. Para cima, como se quer, a funciona graviticamente ao contrário...Sempre tive alguma dificuldade com as leis da Natureza. Sem dúvidarporque ela é de Deus para nós...
Peço repetidamente perdão...Adormeço lavada e salgada, acordo num sonho, desperta, novamente ao contrário do direito...daquele conquistado...A dor fez-se matéria e aliviou-se em mim...Ausentou-me à terra e tenho, de repente, os pés endeusadamente limpos. Corro atrás da terra, grito...Ninguém, ninguém...tanto e branco, tanto e ...dor...
Acordo e respiro.
Acordo e fujo antes de abrir os olhos...
O cume da ansiedade atinge-se rápidamente, devolve-me o sono porque desgasta...Medo, medo, medo, medo, medo, medo...
Qualquer coisa ou alguém
sábado, 28 de junho de 2008
sexta-feira, 27 de junho de 2008
A palavra
Apetece-me que o fim do dia seja só o cansaço e as sensações no corpo dos passos.
Apetece-me não me apetecer mais nada depois.
Apetece-me que o tempo não me pressione nem eu a ele...Não quero o resto igual a ontem e a antes e a quase sempre desde o dia em que me recusei pela primeira vez. Digo que não quero e obedeço à ausência com o empenho da aluna dotada para corrigir as inequações mais dificeis.
A matemática aqui está errada...1 e 1 são sempre mais que 2...Porque sobra, e o restante aprisiona-se ao bloco de ser que te diz "estás viva"...A metafísica substitui-se à matemática, peço para adormecer, mas as palavras e os significados têm uma correspondência diferente...o querer dormir, a vontade de dormir, revolve-se e devolve-me um esejo secreto, cru e ácido...Aceito a vontade e recuso-me a dar-lhe esse título...Não, disso não...Nunca.
Apetece-me apetecer outra coisa...qualquer coisa que seja a palavra e o significado deste lugar de hoje, juntos. Deixa-me querer. Deixa-me Crer.
Apetece-me não me apetecer mais nada depois.
Apetece-me que o tempo não me pressione nem eu a ele...Não quero o resto igual a ontem e a antes e a quase sempre desde o dia em que me recusei pela primeira vez. Digo que não quero e obedeço à ausência com o empenho da aluna dotada para corrigir as inequações mais dificeis.
A matemática aqui está errada...1 e 1 são sempre mais que 2...Porque sobra, e o restante aprisiona-se ao bloco de ser que te diz "estás viva"...A metafísica substitui-se à matemática, peço para adormecer, mas as palavras e os significados têm uma correspondência diferente...o querer dormir, a vontade de dormir, revolve-se e devolve-me um esejo secreto, cru e ácido...Aceito a vontade e recuso-me a dar-lhe esse título...Não, disso não...Nunca.
Apetece-me apetecer outra coisa...qualquer coisa que seja a palavra e o significado deste lugar de hoje, juntos. Deixa-me querer. Deixa-me Crer.
quarta-feira, 25 de junho de 2008
Peça
Pé e chão pegados, amordaçados um ao outro. Não largo, obedeço ou rebelo-me. Grito antes do silêncio.
Preciso de ouvir, menos de escutar, mais de fazer do som o trilho e rastejar se for preciso. Aguento, aguento como nunca, recuso o tic-tac, grito-lhe por cima...ah, esse...Repetidamente feito hábito do desconjunto.
Torno às regras, releio ponto por ponto. Dou-me a certeza de cada palavra, atribui a cada som um eco e um sentido, uma pista nova. Nunca se começa do mesmo ponto. Perde-se antes a noção completa do tempo e do espaço...Agradeço o caos, habituo-me ao vento até não ser difícil ter os olhos abertos, escolho uma posição ao acaso, não digo o que a cabeça manda porque sou, momentaneamente, supersticiosa.
A pressa não tarda, adianta-me os pés às ideias.
Disseste que sim, miuda! Só pensaste depois.
O que é a vontade?
Prefiro a dúvida... por enquanto e enquanto me parecer mais fácil obedecer ao pensamento. Duvido da vontade posterior ao impacto e ao contacto...a pele costuma ter mais razão e eu sempre tive medo do toque
A dificuldade teima em ser protagonista da distribuição dos pontos de avanço
Preciso de ouvir, menos de escutar, mais de fazer do som o trilho e rastejar se for preciso. Aguento, aguento como nunca, recuso o tic-tac, grito-lhe por cima...ah, esse...Repetidamente feito hábito do desconjunto.
Torno às regras, releio ponto por ponto. Dou-me a certeza de cada palavra, atribui a cada som um eco e um sentido, uma pista nova. Nunca se começa do mesmo ponto. Perde-se antes a noção completa do tempo e do espaço...Agradeço o caos, habituo-me ao vento até não ser difícil ter os olhos abertos, escolho uma posição ao acaso, não digo o que a cabeça manda porque sou, momentaneamente, supersticiosa.
A pressa não tarda, adianta-me os pés às ideias.
Disseste que sim, miuda! Só pensaste depois.
O que é a vontade?
Prefiro a dúvida... por enquanto e enquanto me parecer mais fácil obedecer ao pensamento. Duvido da vontade posterior ao impacto e ao contacto...a pele costuma ter mais razão e eu sempre tive medo do toque
A dificuldade teima em ser protagonista da distribuição dos pontos de avanço
quarta-feira, 18 de junho de 2008
Sísifo

Igual.
Menos força,
Mais forte sem ela porque ela supera-se a si mesma e anula-me...
Esqueço-me e a pedra rola.
Acima do corpo, porque a deixei mais além e me vim embora, montanha abaixo a colher mal-me-queres selvagens, dos mais bonitos...
O braço lembrou-se antes de mim...incrível como o corpo tende a anteceder-se...em tanto...
Foi o braço quem parou a pedra antes de ela me passar por cima, amparou-a e fê-la ressaltar com o impacto da energia cinética que lhe vinha integrada...
Os restos do corpo juntam-se, só a força os desacompanha...
Graviticamente atraente, a pedra...
Exijo chamar-me ao corpo, mitifico só a vontade que nunca me respeitou.
segunda-feira, 16 de junho de 2008
Tela
Dou-me ao vento.
Desprendo-me inteiramente, largo-me do controlo que aperta mais que segura. Avisto-me só, mais longe, só um pouco...Um pouco mais só, menos solitariamente acompanhada. Não te agradeço.
Danço, balanço...não conto as voltas, esqueço até os números...só por instantes, ainda são muito vivos, os inteiros, os com vírgula, os negativos, os fraccionados.
Passo à frente, passeio-me no corpo inteiro, desafio a alma a transbordar-me, habito-a, sinto-lhe os poros. Agradeço-lhe ter ficado.
O vento amaina-me a dor e canta, encanta o tempo e eleva-me o corpo...Leve, leve agora, leva-me longe, sonha-se a cores claras com nuvens de algodão.
Acordo.
Desço escadas, só demasiadas, sem número.
Entro.
Pego.
Compro.
Volto com o corpo e com a tela,
Pinto a cores,
Agradeço a vida.
Desprendo-me inteiramente, largo-me do controlo que aperta mais que segura. Avisto-me só, mais longe, só um pouco...Um pouco mais só, menos solitariamente acompanhada. Não te agradeço.
Danço, balanço...não conto as voltas, esqueço até os números...só por instantes, ainda são muito vivos, os inteiros, os com vírgula, os negativos, os fraccionados.
Passo à frente, passeio-me no corpo inteiro, desafio a alma a transbordar-me, habito-a, sinto-lhe os poros. Agradeço-lhe ter ficado.
O vento amaina-me a dor e canta, encanta o tempo e eleva-me o corpo...Leve, leve agora, leva-me longe, sonha-se a cores claras com nuvens de algodão.
Acordo.
Desço escadas, só demasiadas, sem número.
Entro.
Pego.
Compro.
Volto com o corpo e com a tela,
Pinto a cores,
Agradeço a vida.
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