terça-feira, 9 de agosto de 2011

viagem

O corpo entra em ebulição de tanta inércia.
A anestesia contrai-se... não relaxes nem dormes, nem te encontras naquela moleza de apetecer não sair dali...
Não estás bem nem aqui nem lá,
Não te encontras a ti nem a ninguém.
O processo é moroso e cada dia que passa sentes na pele o aumento da velocidade com que querias querias que tudo acabasse..........................
E perdes-te no vento que se faz de tempo, sem ouvires nem veres nada porque é impossível manter os olhos abertos. Querias voar com ele, ir para outro lugar...aquele...
E remóis sem nada entre nada,
a cabeça fica a doer mais e mais...
rebenta por dentro e ninguém vê.
deixas de saber falar,
deixas
deixas-te...

sexta-feira, 29 de julho de 2011

desenho

O tempo aqui anda de maneira diferente
A agenda é por demais invariante, avariada, desvairada.
As horas deixam de fazer sentido rapidamente.... pelo menos atiro o relógio ao ar, atiro-me a mim também...nem que seja naquela meia hora supersónica em que o tempo voa com o vento que nos faz arrancar rapidamente, chegar ao fim da meia hora que tem menos minutos que as meias horas todas, de todos os dias e de todas as noites.
E se as horas lá de fora deixarem de correr assim?
E se o tempo também se virar contra mim e decidir gozar comigo?
E se...
Depois o acordo não for cumprido e eu me abeirar da liberdade dos sonhos negros, par mim de cor-arco-iris?
What you do is what you get...
quem dera que fosse tudo tão simples...
O caminho está traçado - esse.
Não importam as coordenadas... primeiro para este até achar que se pode parar, virar para sul ou para norte...
Sem dupla, só na procura de um não-lugar.
A minha utopia,
A minha esperança
A calma

quarta-feira, 20 de julho de 2011

um intestino

O medo de ser expelida da máquina onde a teoria é mais forte que as pessoas...
Se a teoria não se aplica, quem está mal foi quem chegou em última...Eu.
A teoria já funcionou muitas vezes, se não me conseguem trabalhar nela, se os resultados não são o que esperam, então quem está mal sou eu!
E peço para me deixarem ir,
e pedem mais um exame, mais um resultado, mais um "ohhhhhhhh" em uníssono para demonstrarem a surpresa, o "caso para estudar", a fora, o alien o OVNI...
Querem continuar a duvidar, precisam de mais provas? Podem agora acreditar que eu não estou a mentir??
E agora que o mito se desfez, e n m fazem nada, também nada estou aqui a fazer...

sexta-feira, 15 de julho de 2011

verbo

O caminho é sinuoso, aqui não há ruas nem becos, nem degraus... linha recta. várias linhas mas sem muito por onde andar. O conhecimento é uma bíblia que daqui levo e depois cabe-me abri-la sempre que tiver dúvidas e tratá-la como tratam as crianças pequeninas o seu boneco preferido... adormecer com ele e relembrar-me de tudo, de tanta gente, de mim, aqui...
Nas dúvidas, perguntar
Na ansiedade, procurar
No pânico, confiar...e fazer uma visita, fazendo-me de malcriada que entra sem a terem convidado.
Tenho medo, é verdade.. Tanto, tanto como no primeiro dia, tanto como sempre.
É um medo que dói, é um medo peganhento e que se agarra à dor, do pé à ponta dos meus cabelos.
Qualquer coisa me tolda as pálpebras, e reaprende-se a chorar, a orar, a ter o mesmo medo mas ainda assim ir em frente... esta é a única maneira de o deter, a única forma de fazer os 100 metros com ele e chegar primeiro... Como é que sei? porque tentei todas as outras...
Certezas não há...quem dera saber se assim o medo fosse embora... ter aquela certeza, uma das certezas que preciso para avançar.... como sempre, com medo, mas pela primeira vez a CONFIAR

segunda-feira, 4 de julho de 2011

The place

Até ontem: St. Mary's relax & spa hotel

ALA II

Calma? (preciso de silêncio urgentemente)
Uma grita pelo "joão manuel dos santos silva". Repete, com cada vez mais raiva, cospe-se, abre a boca inteira a mostrar uns dentes de criança que faltam e os outros são pequenos demais.
deve estar nos 40. Uma injecção, apertada por mais três auxiliares, tanta gente e tanta força, para amarrarem a fragilidade de um corpo com uma cabeça tão determinada quanto louca.
Entra outra.
Para a minha frente... quis logo fugir, não quero conviver com elas, não quero ser parte do "grupo".
Entra outra, mal-criada. Pede o lanche...Graças a Deus.
"não vou vestir essas calças, não vou andar com a roupa do hospital."
"mas uma pessoa vem para aqui e não lhe dão lanche??? "- não vou partilhar contigo o meu iogurte, o meu pão nem a compota". Refilona, mal educada com o cabelo áspero que a tinta loira te deixou.
A tua cama, a tua mesa de cabeceira, o teu cacifo: "não pode mandar limpar isto tudo?
Está limpo...
Ridícula. Saio e não deixo a porta bater... 3 novas e deixam a minha ala mais completa do que estava.. gostava do vazio do silêncio que os comprimidos provocaram nas outras... era aí o meu minuto... acho que esperava sempre por ele para adormecer...
Este caos aumenta-me a pulsação. Este caos faz o meu cérebro gritar-me cá dentro FOGE!!!
Vou pelo corredor a criar a terceira fila. Ouço a Dra a dizer que vai tratar do internamento... atrás dela um pai cansado, cabelos brancos a balbuciar qualquer coisa que a filha manda calar... a conversa é terminada por ela: "não me chateies". Seguem à minha frente...ela com um andar arrapazado, um olhar misto de raiva e tristeza...mais raiva que tristeza...
Ainda não entrou, mas vai para perto das miúdas, como nos chamam...
Fujo a sete pés das amizades... fiz uma e acho que vai durar... entendemo-nos e não partilhamos o quadro do que nos trouxe aqui dentro. Talvez tenha sido só por isso. E por termos chorado juntas , fiz o nosso retrato, está na minha cabeça... e é incrível desenrolar novelos cheios de pó...
Das "outras": distância... na minha calma simpatia, percebem que não tenho paciência, nem preciso ter...
Aqui experimentei dar um berro a quem merece, sair sem dizer nada, fazer o que me apetecer ou não fazer absolutamente nada. Aqui tudo é permitido... mas as nossas regras são as mais difíceis de todas... Os outros, acham estranho, outros percebem, outros não querem saber, outros são como o mundo inteiro que nos olha com desdém: miudas caprichosas cujo-problema-se-trata-no-McDonalds.
Não me interessa nada... mas no meio deste caos ainda me perguntei o que estava aqui a fazer??
E sim, apeteceu-me entrar consultório dentro e pedir ALTAAAAAAAAA...
Subio o nível do nome desta ala com redes entre as escadas, cujo elevador se apanha à frente de uma porta com letras grandes: SHINDLER...à...é a marca dos elevadores.
Daqui a 3 dias passa um mês.
Tenho medo destas pessoas.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Na sala onde tanto acontece

É difícil sentir quando tudo é novo e antigo ao mesmo tempo... a rapidez é intensa, imensa... e mesmo quando as horas parecem não passar há sempre alguém, sempre alguma a despertar o céu cá de dentro e a fazerem-se estrelas para eu parar e ficar a olhar, deitada para elas...
Este tempo não tem tempo nem números, estas palavras querem-se todas inteiras para ficarem cravadas e nunca mais as perder... e quando imagino,
quando olho para um dia melhor, lá ao fundo, volto a perguntar-me, cheia de medo, se tenho direito, se ainda tenho direito...
E desfaço-me antes de entrar e arrisco-me antes de eu própria carregar no travão com todas as forças...
Os meus pés,
As minhas mãos,
os meus ouvidos, boca, pele, coração...
Há dias em que o coração fala e há dias em que o coração só dói...
E eu fico com medo,
enrosco-me como um bebé... adormeço acordada, porque tudo começa logo a seguir...
ouvi dizer que lhe chamam vida, e que está à minha espera.
Vontade e medo, sonhos e pesadelos de não perceber muito bem onde acabam e terminam, onde está a minha estrada e os meus passos... há dias em que não me vejo a caminhar sequer... mas depois vejo que cheguei mais à frente...
levaram-me ao colo,
embalaram-me, adormeci e ganhei força para pôr novamente um pé firme no chão.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Outra coisa

Segunda feira sei o dia em que vou tentar mais uma vez.
Novas pessoas, nova maneira de ser cuidada, muita vontade de lhe provar que não vai ser igual... Também lhe quero provar a si que consigo acontecer de maneira diferente,
nas entrelinhas dos sonhos mora esta esperança... pequenina, frágil... mas quero lá chegar, ser capaz de confiar, confiar cegamente...porque afinal, qual é a pior coisa que pode acontecer?
Houve tempos em que julguei que o descontrolo seria tanto que nunca mais pararia... ainda tenho medo... mas tenho tantas provas que "sei" voltar atrás... a diferença é que desta vez não quero!
Não quero mais ouvir na rua os comentários mais despropositados, não quero ser uma preocupação mas uma pessoa, uma filha, uma tia, uma madrinha, uma pessoa que ama e que se deixa amar, sem medos, sem amarras... será assim tão difícil? Se sempre fingi, e houve alturas que esse fingimento era a minha verdade mascarada, hoje nada que eu faça ou diga, desvia os olhares...os passos, o medo... porque o corpo fala...e eu só ainda não sei o que é que ele quer dizer...
Vou ali e já venho...

terça-feira, 31 de maio de 2011

amor

Põem-se as hipóteses em cima da mesa... a conversa meio-séria, parece ter-te chamado à Terra... transformam as tuas hipóteses solitárias em verdades sérias e graves. E decides, sozinho, ser, estar, fazer parte, ser companheiro, comparsa, amigalhaço das horas todas...
De algumas aceito... sempre gostei de algumas conversas e sempre me deixas-te escolher o tema, ou fugir àquele que era o teu primeiro propósito. Esse teu medo não faz sentido... talvez fizesse se eu, de cabeça quente decidisse... mas também parece não conheceres esse meu lado de cogitar a mil à hora, bem antes de anunciar a decisão, a minha... e tu opinas antes, durante e depois... e esperas, sentado, porque leva tempo, até ouvires a minha decisão... aquela que não foi tomada por ainda não ter arrefecido o suficiente para a poder expulsar e revelar... Fazes disso um filme quando quem trabalha com os filmes sou eu... e sempre, sempre a ironia - aquela que me ensinaste era eu muito pequena e sem a capacidade de ver dois planos numa frase - a existir e co-existir entre a minha pele e o ar que te separa de mim...
nunca entendeste a minha pela e, ironicamente, dou-te essa sensação e sorrio quando me julgas igual a ti... esqueceste é das frases que te tornaram homem, que desfizeram o pai-herói para passares a ser pai... Tenho orgulho em ti, mas muito mais naquilo que nem tu próprio conheces de ti... talvez este pensamento seja demasiado pretensioso, mas eu sempre quis ir mais além... mas nunca em competição com os outros... aliás, acho que houve sempre um caminho paralelo que me impediu de querer atingir a meta de alguém, porque sempre me senti fora do mundo onde os meus pares viviam...
Não venhas sem seres chamado, acredita que me estás a deixar seguir o meu caminho... acredita, eu sei que consegues como sempre o fizeste... e continua depois, quando o que tiver de acontecer, acontecer na realidade, que fui eu quem não deixou... essa frase já não pesa... e, afinal, não somos assim tão iguais?? qual é a surpresa?... Às vezes parece que pensar te cansa... mesmo quando dizes que só me tens a mim...ficas com um ar baralhado, alucinado e na minha cabeça, a tua imagem é de um miúdo que queria muito um brinquedo que ficasse para sempre ligado a ele... que lhe lembrasse do quanto era boa pessoa, amigo... virtudes de que falas, mas que na realidade não acreditas... Se quiseres faço-te uma lista, mas não me interrompas durante o meu monólogo em que és tu a personagem principal... não te negues, porque lembra-te sempre e para sempre... eu sou igualzinha a ti...
resta saber em quê...
E assusta, e dói, mas ao longe... quando dizes nunca teres sido feliz, nunca teres desejado mais aquela mulher do que contrariares a tua família, de te teres acostumado e viveres na ideia que estás somente a ser um bom samaritano.
Estás mais que a tempo de viver a tua vida... e percebo, acredita que entendo na perfeição a necessidade de estares fisicamente... mas sabes, essa companhia sempre foi a que eu não quis, nem precisei... os dois planos que me obrigaste a saber entender, ditaram-me o que era estar presente...
E tu sabes bem o que é... esse entendimento sabêmo-lo sem o dizer...
E como sempre, eu resolvi.
A escolha, agora, é minha.
E sabes... AMO-TE

sábado, 28 de maio de 2011

foto em família

Chamo-te sem vergonha nenhuma na cara "egoísta"
Não tenho vergonha de o fazer tal como não tens vergonha de me desarmar quando sais da mesa e nem tens coragem de olhar para mim a fugir sei lá ao quê?
Onde é que está essa vontade toda de "ajudar"? se é a fugir, foge... deixa-me, obriga-me, faz-me sair de casa para não estar contigo.
Jamais te culparei por uma sílaba qualquer...dita ou por dizer... dou-te os parabéns por teres feito sempre o teu melhor, o melhor que nunca chegou por teres estado tão longe. E agradeço-te com a maior das ironias quando dizes ter tido medo que eu fizesse qualquer coisa...sim, os 12, 13 anos de uma criança que nunca pisou o risco são demasiado assustadores para teres pegado nela e dizeres e fazeres tudo o que estava ao teu alcance... até porque vivemos longe dos médicos, a 10 minutos de Lisboa...
Hoje tenho a desilusão bem marcada no coração e peço-te imensas desculpas, porque nesta família nem isso se pode sentir... somos um retrato feliz. Daqueles estanques, que não mudam a hora...que estão sempre de dia mesmo quando a noite é escura demais para se conseguir aguentar sozinha... desculpa ter medo às vezes, nesta família em que não se pode sentir... Chorar é um drama, ter medo não faz sentido, ter raiva é inaceitável... os beijinhos são secos, os abraços não demoram, o culto das regras "familiares" são muito bonitas e para serem cumpridas...depois mete-se o cumprimento num liquidificador, e passa tudo a um sentimento de união ou de outra coisa qualquer, não interessa...
A família cor-de-rosa, passa a preto e branco pela lonjura...por tudo ser demasiado antigo e cheirar a mofo...
quer falar comigo? força, diga o que tem a dizer e depois opine, faça das minhas respostas, novas perguntas suas porque, lamento... o que tive a dizer disse-o na altura em que fazia sentido...
E se os voltar a perder, os sentidos, não fique comigo nos braços, por melhor que seja esse sentimento de me ter... vá, mas chegue tarde... eu já lhe disse o que quero, e, pela última vez, faça pela primeira, a minha vontade...

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Quem me dera

Quem dera que chegassem as palavras para explicar,
as emoções saídas nas lágrimas tivessem letras a construir um puzzle ao qual já nem o conhecimento detenho...
Quem dera que o mundo fosse só o mundo, e a vida a-minha-vida-com-outros.
Quem dera que os dias passassem sem eu dar por eles e que os vinte, os trinta, os quarenta, não fossem peso, mas um não-dar-conta...
Quem dera ser capaz sozinha,
quem dera, quem me dera acalmar no balanço quando me embrulho em mim própria a tentar adormecer porque a vida lá fora está a custar demais...
Quem dera que a vergonha fosse por erros e não por impossibilidades às quais nenhum argumento serve porque "sim, tem razão".
Quem dera que amanhã haja frutos doces e chegue o fim das maçãs envenenadas...
Oxalá tenham coragem,
porque as minhas últimas gotas acabaram...

sábado, 21 de maio de 2011

em cena

Virou-me ao contrário e agora não há volta atrás.
Impedi-me de ser livre... mas foi muito depois de ter perdido a responsabilidade...
Já tenho tudo preparado na minha cabeça, como sempre... concluo o guião antes de o escrever... e darei as didascálias, uma por uma, a estes novos actores do improviso...
Compreendo a necessidade... e não o fiz por mim, mas por si, porque vai ficar "aliviada" depois da conversa... como um "passar a bola"... depois... Não sei.
A minha raiva e frustração têm tendência a ligar-se e a fazerem silêncio, tal é o furacão que vai aqui dentro... Não fui capaz de confiar mais, não fui capaz de me desmascarar a partir desse momento...
Vão entrar em cena para quê, se em 12 anos nunca o fizeram verdadeiramente... ?
E vão julgar-se muito capazes, curtir a o controlo, orgulhar-se de cada passo e pensarem "fomos nós.. sem nós ela não se safava"
É injusto e já sei que vai haver discussão... passado uma semana, como sempre, vão deixar de estar, ou quem se vai embora sou eu...

quinta-feira, 19 de maio de 2011

solidão

O tempo anda à sua livre vontade.
Acelera, retrai-se.
Como fazer mais se num instante me tombo sem saber de onde vem o excesso de gravidade?
O controlo, a auto-censura, a completa noção de prever e antecipar tudo a todo o tempo, acabou.
Acabou a farsa e vingou a clarividência do momento exacto, em que o corpo não me tem a mim.
Regressei a ele já duas vezes pela repetição do meu nome e a sensação não existe... o sentimento sim, mas esse não se pode dizer, porque quando o sentimento e o pensamento se fundem, assustam quem não está preparado para ouvir uma simples explosão de dor.
Causo-me náuseas de tanto falhar, tenho repulsa a esta determinada acomodação que se revela num estar inerte, um pouco longe e deslocado...
Cá dentro a diminuição da chama... aquela luz pequenina que eu própria acendi antes de me afastar do chão.
Fui para a Lua e avisei a toda a gente... sempre sem palavras como fui ensinada desde muito nova... as palavras são desnecessárias quando há coisas importantes para dizer. Revolvo-me nesta ultima frase e percebo a solidão em que isso me fechou.
Hoje sei e não existo..fugi daquela dor, e ela encontrou-me...disse-me que viveria para sempre aqui...
E tanto que lutei,
Faltam agora as forças,
mas um dia, um dia será diferente.

terça-feira, 3 de maio de 2011

corpo dorido

dói...
Tanto que não sei de onde vem. custa sentar, acordar, encostar... os membros estão nengros como se me apedrejassem violentamente.
Como é que se faz? onde é que eu fiquei?
Tirem-me daqui, não vejo nem oiço nada, não consigo reflectir, recomeçar, reencartar-me
"Quando é que deixaste de te amar"
Desculpe... não me lembro...

segunda-feira, 25 de abril de 2011

"eles" e eu

É no mínimo sarcástico o meu trabalho actual...
E o que escrevo para "eles", escrevo-o na minha pele também...
Mas neles, há a garra que me falta, as desilusões não devem andar afastadas... mas os sucessos são visíveis, dignos de um aplaudo em uníssono de Portugal e do mundo inteiro.
Passo entre eles, a dar mais uma dica e outra a quem diz as palavras que escrevo. Não consigo olhá-los nos olhos, mesmo que isso não seja necessário... A gigantesca montanha que nos separa coloca-nos praticamente no mesmo lugar... eu de um lado, eles do outro...
Os números, a balança, a vontade...
A vitória, as quedas e a derrota.
Longe de mim invejar-lhes a pele, mas a força, essa sim... daria tudo para a ter agora...
O risco que corro agora é mais alto do que o deles neste momento.
Não parei ainda, não entrei ainda no meu corpo para o tratar, para aprender a amá-lo, a amar-me.
A semana passada tive um susto e livrei-me de outro...as percentagens assustadoras não me tocam nem chocam como deviam... e esta semana, voltei ao número impossível.
tenho uma semana para voltar a levantar-me. pelo menos a ficar no ponto onde estava, ou sei lá onde... já recorro aos métodos de emergência e é difícil gastar dinheiro para aguentar quando "não há tempo"... Não é o dinheiro que custa gastar, é eu ter de munir-me para aguentar, mais um dia, só mais um dia, só mais um dia...

domingo, 24 de abril de 2011

são os dias

Queria uma concha, deitar-me embrulhada em mim,
adormecer...
Fugir do ruído todo, das preocupações dos outros sobre mim... Eu sei... mas nada mais posso dizer, a não ser "não te preocupes, estou bem"...
Custa a repetição, cansa... mas não cansa mais do que carregar o peso deste dia-a-dia, cada vez com menos esperança, cada vez com menos sonhos, menos prazer, menos lágrimas... pela inevitabilidade que agora parece a única saída...
Já soube lutar, já me armei com tudo o que tinha e não tinha, já me desarmei inteiramente e entreguei-me a quem me pediu para confiar...
A vida corre como os passos da corrida, um pé à frente do outro, qualquer que seja o destino... e às vezes pensar: para quê pensar? que futuro?
A minha carreira limita-se à sorte de ter quem me queira activa, com a determinação e empenho que este meio me conhece...
Mas... para quê?
Para quem?
Para quê?
Deixei de matutar nestas questões que só me atrasavam as horas...
Estou aqui. Estou viva. Pago o irs e a segurança social. Não dependo de ninguém, não peso a ninguém...
O Futuro?
O futuro...

quinta-feira, 21 de abril de 2011

a noite do dia

Alguma coisa ou alguém,
uma corda, uma mão, um abraço apertado e quente...
O frio entrelassa-se nos ossos,
e a termogénese protege-me do congelamento total...
O cérebro não age, reage,
os músculos dão conta do recado mas pedem-me as contas ao final do dia, e castigam-me.
O coração avisa-me da lentidão que necessita a cada passo que dou e eu respiro fundo...
espero que o oxigénio me renove as forças e estou mais presente do que nunca em cada fase de todas as funções vitais...Como se a pele fosse tão fina, tão transparente...
Engano o resto,
ou penso que o faço...
Riu-me simpaticamente das poucas frases que dedicam à preocupação de quem nada sabe do que se passa.
um passo mais
um músculo pede ao vizinho para trabalhar...
O dia acontece, a noite rouba-me e o escuro protege-me...posso ser EU, com todas as dores...

segunda-feira, 18 de abril de 2011

a rede

Sem rede e a tentar subir alto, alto...longe do chão, do fogo no chão do chão que desaparece assim que o pisas...
O medo, de não ter rede é o resultado da queda...de mais uma queda depois de cair tantas vezes... e magoa, cada pedaço...dorido, aleijado, sofrido...
E ninguém imagina, quando a gazela corre, o quando lhe custa erguer, saltar, para o pedaço de terra a seguir... ou a aterrar ou atrapalhar-se nas suas próprias patas e cair... ser atacada em vez de fugir ou atacar para sobreviver.
Hoje,
tirar-me-á a rede?
Vai deixar-me?
Sem perguntar é tudo aquilo que quero ouvir,
e uma esperança,
um nó,
um aperto profundo em que todos os órgãos se retorcem...
Hoje talvez espere os números de amanhã
E saiam,
em debandada do cenário de guerra aberta...
direi só que percebo,
que entendo,
chorarei depois...

quarta-feira, 13 de abril de 2011

chega?

Preciso de ir. de partir.
Preciso de ter a sua palavra a confrontar e calar as minhas. preciso de ordens e não de sugestões.
Preciso de assumir o meu 'hoje'. Preciso de largar o passado e construir no amanhã o meu futuro, se for para o futuro existir.
Preciso da sua visão pragmática que tanto me escapa por ora,
Preciso de assumir que é mesmo do cansaço e que não 'emburreci' nem fiquei mais lenta por alma e graça do Espírito Santo.
Preciso que o corpo pare e que a cabeça comece a trabalhar.
Preciso de desligar o piloto automático que me mete a 100000 à hora... o resultado já nem é como era...
A máquina queixa-se
O corpo grita a cada dia...
Tem toda a razão.
Onde é que fiquei?
O que é que aconteceu?
Quando é que o desamor se colou à minha pele?
para quê uma pistola dentro da boca prestes a atirar?
Não penso. Ajo, como posso e me obrigo a cada dia, com um esforço vindo de uma força que não é a minha...
parar... parar é morrer

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Ambiguidade

Antes de adormecer fecho a janela até meio.
Quero que o sol me diga bom dia já que o corpo está amuado comigo e não temos conversado...
Confesso que também estou zangada com estas dores de virar a anca de um lado para o oposto...
Estou zangada,
Estou furiosa,
Estou acordada.
Gosto dos dias maiores, dilatam as horas.
Odeio o crescer dos dias, durmo menos e a dor dura mais...
Preciso de uns olhos, preciso...
(Não peço)
Tenho medo do próximo encontro e é incrível como tudo o que tenho escrito são encontros onde acontecem coisas tão importantes que mudam o rumo... do jogo...
é entretenimento, é programa, é televisão... mas são pessoas...
Sempre me custou pegar em pessoas e transformá-las... mesmo que sejam elas a vir, muitas a pedir...muitas a querer só aquilo que eu fujo... serem vistas!
Este novo trabalho faz-me lidar com vidas trancadas dentro de um corpo que reconhecem e odeiam...(onde está a diferença)... Depois de todos os meus dramas éticos, tratei a forma de ligar com aquelas pessoas - é o poder que me dá escrever - são heróis. Heróis por lutarem, por desistirem e regressarem à luta...
Rendi-me e tenho inveja dessa garra.