Jamais te acusariam de te acomodares, de seres inútil, inerte.
1
2
3
trabalhos.
a soma dá umas 18,19 horas por dia.
Boa conta.
Pensaste tu que isso lhe tiraria tempo...
Que a tua agitação daqui para ali a distrairia a meio do caminho, ela seguisse um e tu outro...ainda que um trilho cheio de pedras e lama e picos...preferirias.
Pegas no telefone para pôr trabalho em dia quando aquela voz se torna ensurdecedora, mas tem de ser logo ao início, caso contrário, é só a voz e já não és tu...
Escrever freneticamente quando as mãos te pedem para ires fazer outra coisa qualquer.
Metes os vídeos que o trabalho te pede para ver quando queres sair de multibanco na mão, assumes compromissos sempre com horários apertados, records, só para que o teu tempo fique lotado e não dê "tempo" nem espaço para absolutamente mais nada.
O plano não serve.
Pegas em mais um trabalho... a crise não te chegou ainda...acumulas responsabilidades e cumpres ao pormenor, não queres falhar, nem falhas...ali.
Mas o tempo cresce sem saberes como e tens tempo para isso e ainda mais...
e aí sim,
acomodas-te
inutilizas-te
és inércia
Encontrar o encanto perdido, a Arte de te perderes no desencontro que vives. A pluralidade de ti, encontrada depois... Cantar a Arte imaginada e seres...só porque dizem que existes.
quarta-feira, 26 de maio de 2010
alguém?
levem-me
obriguem-me
peguem-me
abracem-me
amem-me
odeiem-me
desiludam-se
irritem-se
batam-me
vendam-me
olhem-me
gritem-me
apertem-me
perdi-me, esqueci-me, errei ontem e hoje, outra vez...
eu não sei
eu não sei
nada de nada de nada,
falta a cor e já falta o medo...
e há medo de não ter já medo.
Porque o medo guiava o instante entre o escorregar e a queda...
às vezes queres cair,
às vezes queres atirar-te
tantas vezes queres que te agarrem e não te deixem continuar.
a dor
diluíste-te nela
obriguem-me
peguem-me
abracem-me
amem-me
odeiem-me
desiludam-se
irritem-se
batam-me
vendam-me
olhem-me
gritem-me
apertem-me
perdi-me, esqueci-me, errei ontem e hoje, outra vez...
eu não sei
eu não sei
nada de nada de nada,
falta a cor e já falta o medo...
e há medo de não ter já medo.
Porque o medo guiava o instante entre o escorregar e a queda...
às vezes queres cair,
às vezes queres atirar-te
tantas vezes queres que te agarrem e não te deixem continuar.
a dor
diluíste-te nela
terça-feira, 25 de maio de 2010
existir
Ter tudo,
ver tudo de cima,
de lado,
à volta...
cheirar o vento,
embrenhar-me na sensação de não ter mais nada, acesso a mais nada senão à vista desarmada, a olho nu,
contentas-te com essa verdade
a única
compensas-te na ilusão de ter tudo sem ter nada, sabor a nada
o nada sabe-te ao tudo
porque não chegas a mais nada
há qualquer coisa mais...uma curiosidade,
mas nem te atreves a escorregar para cima dela...
não, não estás a fazer nada, não não estás a queres, nem a crer que chegas àquele sabor...
estás porque te dizem que existes,
existes porque dizem o teu nome todos os dias
té
té
té
té
repetem em voz alta
sorris antes de responder,
sempre
ver tudo de cima,
de lado,
à volta...
cheirar o vento,
embrenhar-me na sensação de não ter mais nada, acesso a mais nada senão à vista desarmada, a olho nu,
contentas-te com essa verdade
a única
compensas-te na ilusão de ter tudo sem ter nada, sabor a nada
o nada sabe-te ao tudo
porque não chegas a mais nada
há qualquer coisa mais...uma curiosidade,
mas nem te atreves a escorregar para cima dela...
não, não estás a fazer nada, não não estás a queres, nem a crer que chegas àquele sabor...
estás porque te dizem que existes,
existes porque dizem o teu nome todos os dias
té
té
té
té
repetem em voz alta
sorris antes de responder,
sempre
domingo, 23 de maio de 2010
a fugir
Isto fala por mim
Isto age por mim
Isto reage por mim
desculpas?
Arrependimento a seguir
estratégias para ser perdoada pelo que fiz e não queria ter feito, ter dito...
Se há uma palavra que descreve o que têm sido os instantes todos juntos é: fuga.
Sim, quero fugir
Sim quero ficar de outra maneira
Agarrem-me, agarrem-me
Não me deixes fugir outra vez
porque desta vez não sei se serei capaz de voltar
Isto age por mim
Isto reage por mim
desculpas?
Arrependimento a seguir
estratégias para ser perdoada pelo que fiz e não queria ter feito, ter dito...
Se há uma palavra que descreve o que têm sido os instantes todos juntos é: fuga.
Sim, quero fugir
Sim quero ficar de outra maneira
Agarrem-me, agarrem-me
Não me deixes fugir outra vez
porque desta vez não sei se serei capaz de voltar
quinta-feira, 20 de maio de 2010
controlo
Não sei dele,
há palavras que não se podem dizer, eu sei...
mas às tantas sente-se que se deve lealdade, que nem todas as mentiras são piedosas... e se gostas de saber a verdade é injusto que só contes mentiras.
Sabes que a tua verdade gera preocupação em quem gosta de ti...contas coisas a meio para não te culpares pela mentira mas também para não teres o dobro do trabalho: contar e acalmar...
De repente, tens telefonemas de saudades e quando te perguntam contas...e repetes vinte vezes " mas eu estou óptima!"..ok, esquizofrenia outra vez... tu ouviste o que disseste antes e isto não combina... desligas o telefone e percebes porque te afastaste tanto... para não ter de dizer, para não ter de mentir... para poderes estar nua, sozinha mas nua, sem esse fato de bobo da corte preocupado em entreter.
Elogiam-te os conselhos, a dedicação a quem precisa...e o tabuleiro vira-se ao contrário quando dizes 5 palavras sobre o-que-se tem-passado...
O controlo a que te obrigas é aqui também, se calhar começa sempre por aqui e iludes-te que seja no resto.
Dói-me saber-te preocupada
Não te vou dizer, mas amanhã só "estou bem" e não te baralho com o resto...
Tenho uma pessoa para agradecer a sanidade de poder ser verdadeira uma vez por dia: OBRIGADA por teres entrado há tão pouco e tanto, por termos bem mais temas de conversa e por haver tempo e espaço para mim... tenho medo da tua frontalidade e da minha capacidade de fugir de ti... Mas mesmo que te deixe, que tu te fartes, o teu abraço real, foi cheio da segurança que eu não tenho... obrigada
há palavras que não se podem dizer, eu sei...
mas às tantas sente-se que se deve lealdade, que nem todas as mentiras são piedosas... e se gostas de saber a verdade é injusto que só contes mentiras.
Sabes que a tua verdade gera preocupação em quem gosta de ti...contas coisas a meio para não te culpares pela mentira mas também para não teres o dobro do trabalho: contar e acalmar...
De repente, tens telefonemas de saudades e quando te perguntam contas...e repetes vinte vezes " mas eu estou óptima!"..ok, esquizofrenia outra vez... tu ouviste o que disseste antes e isto não combina... desligas o telefone e percebes porque te afastaste tanto... para não ter de dizer, para não ter de mentir... para poderes estar nua, sozinha mas nua, sem esse fato de bobo da corte preocupado em entreter.
Elogiam-te os conselhos, a dedicação a quem precisa...e o tabuleiro vira-se ao contrário quando dizes 5 palavras sobre o-que-se tem-passado...
O controlo a que te obrigas é aqui também, se calhar começa sempre por aqui e iludes-te que seja no resto.
Dói-me saber-te preocupada
Não te vou dizer, mas amanhã só "estou bem" e não te baralho com o resto...
Tenho uma pessoa para agradecer a sanidade de poder ser verdadeira uma vez por dia: OBRIGADA por teres entrado há tão pouco e tanto, por termos bem mais temas de conversa e por haver tempo e espaço para mim... tenho medo da tua frontalidade e da minha capacidade de fugir de ti... Mas mesmo que te deixe, que tu te fartes, o teu abraço real, foi cheio da segurança que eu não tenho... obrigada
terça-feira, 18 de maio de 2010
ir...
Sem chão,
Sem nada
Queres estar "sozinha" mas ela não te deixa...
Não a queres, não a suportas, mas dás-lhe colo e ficas tu no chão, a doer-te o rabo, a sentires a dormencia do corpo, demasiado pesado para os vasos que te mantêm "viva".
E agora?
E agora?
Dizem-te que vão dar-te um nome, outra ajuda..ajudar ao quê? Tu ainda não acreditas no que te disseram: "foi ele que não foi capaz de admitir que não te conseguia ajudar mais...e não te deu alternativas...tu nao podes ficar "limpa" agora, não podes deixar tudo..."
Não te podes deixar, porque ela leva-te... e nunca mais te encontras
Sem nada
Queres estar "sozinha" mas ela não te deixa...
Não a queres, não a suportas, mas dás-lhe colo e ficas tu no chão, a doer-te o rabo, a sentires a dormencia do corpo, demasiado pesado para os vasos que te mantêm "viva".
E agora?
E agora?
Dizem-te que vão dar-te um nome, outra ajuda..ajudar ao quê? Tu ainda não acreditas no que te disseram: "foi ele que não foi capaz de admitir que não te conseguia ajudar mais...e não te deu alternativas...tu nao podes ficar "limpa" agora, não podes deixar tudo..."
Não te podes deixar, porque ela leva-te... e nunca mais te encontras
sábado, 15 de maio de 2010
abismo
Não era nada disto,
Sabia da possibilidade mas, para variar, havia um bocadinho de esperança de um fazer diferente...
Parece que tudo acontece para me provar que o caminho está errado,
E eu continuo fiel ao abismo.
fito-o a ando, pé ante pé...
E vão dizer: estás tão bem...continuarão a dizer: estás tão bem...
E o abismo.
O abismo não chega.
Sabia da possibilidade mas, para variar, havia um bocadinho de esperança de um fazer diferente...
Parece que tudo acontece para me provar que o caminho está errado,
E eu continuo fiel ao abismo.
fito-o a ando, pé ante pé...
E vão dizer: estás tão bem...continuarão a dizer: estás tão bem...
E o abismo.
O abismo não chega.
sexta-feira, 14 de maio de 2010
quinta-feira, 13 de maio de 2010
Respiras fundo de olhar molhado e eu olho-te daqui, a saber um pouco mais que os outros, porque bem ou mal, passei muito tempo contigo... hoje fico aqui fora porque a agitação é demasiada, a pressa e a repulsa em proporção directa fazem-te ter vontade de gritar, de fugir e de cair, ali, às 6 da tarde...
Vais porque tens que ir. Vais porque já não se aguenta este mal-estar provocado por palavras encravadas a meio da garganta. Vais porque precisas de bater com o punho na mesa e dizer: não está a dar. E não, dormiste hoje sobre o assunto e confirmaste que não é de revolta adolescente que se trata... é legitima a tua frustração, eu percebo, percebo. Tu fugiste muito, desconfiaste mais que sei lá o quê, não cumpriste tantas e tantas vezes, mas bolas! tu é que foste procurar ajuda... achas que se não a quisesses te davas a esse trabalho? achas que se não a quisesses trabalhavas que nem um cão para poderes pagar 1000 vezes que lá vais ouvir tudo pela enésima vez e tentar...só mais uma vez, só mais um bocadinho? Tu queres, ele reforçou aquilo que ainda tinhas dúvidas...tu prometeste empenhar-te e cumpriste, ele prometeu ajudar e falhou... Não sinto que tenha disponibilidade para ti, não sinto que tenha mais opções para ti, e tu queres mudar... tu queres outro alguém que te alimente o reservatório da esperança que precisas para pôr um pé à frente do outro, vulgo andar... E ele não te dá nada disso. Anos e anos a sentires que ele fazia tudo e que a culpa deste impasse era tua, que não mudavas de dr por respeito a quem te disse que te ia ajudar... mas já não aguentas mais, hoje tens a certeza que lutas, que te empenhas, que te esforças todos os dias mesmo quando falhas e cais e choras tudo até não poderes mais. Ainda assim não consegues enfrentá-lo com esta frieza de discurso porque - ele não sabe - sentes uma culpa gigante por ele não te ter ajudado. Hoje esta culpa não te faz sentido, mesmo que não a consigas evitar... não sais de cabeça erguida porque não era isto que querias...a responsabilidade, não a culpa, também é tua... Mas tens direito a lutar por ti, a procurar alternativas ainda que falhes, ainda que saias delas igual ou pior... mas pelo menos sais dessa terrível estupidez de não ter tentado... quero tentar tudo, como lhe disse no dia em que acreditou em mim, eu faço tudo para que isto mude 1 milímetro que seja.
E neste momento, se há tantas coisas que me sinto incapaz de conseguir mudar, há outras que ainda estão na minha mão.
começa por aí!
Já estou mais ou menos de volta, mais ou menos mais calma.
Vou com a dúvida de estar profundamente enganada... mas não me posso culpar por não ter tentado, mais e mais e mais uma vez.
Vais porque tens que ir. Vais porque já não se aguenta este mal-estar provocado por palavras encravadas a meio da garganta. Vais porque precisas de bater com o punho na mesa e dizer: não está a dar. E não, dormiste hoje sobre o assunto e confirmaste que não é de revolta adolescente que se trata... é legitima a tua frustração, eu percebo, percebo. Tu fugiste muito, desconfiaste mais que sei lá o quê, não cumpriste tantas e tantas vezes, mas bolas! tu é que foste procurar ajuda... achas que se não a quisesses te davas a esse trabalho? achas que se não a quisesses trabalhavas que nem um cão para poderes pagar 1000 vezes que lá vais ouvir tudo pela enésima vez e tentar...só mais uma vez, só mais um bocadinho? Tu queres, ele reforçou aquilo que ainda tinhas dúvidas...tu prometeste empenhar-te e cumpriste, ele prometeu ajudar e falhou... Não sinto que tenha disponibilidade para ti, não sinto que tenha mais opções para ti, e tu queres mudar... tu queres outro alguém que te alimente o reservatório da esperança que precisas para pôr um pé à frente do outro, vulgo andar... E ele não te dá nada disso. Anos e anos a sentires que ele fazia tudo e que a culpa deste impasse era tua, que não mudavas de dr por respeito a quem te disse que te ia ajudar... mas já não aguentas mais, hoje tens a certeza que lutas, que te empenhas, que te esforças todos os dias mesmo quando falhas e cais e choras tudo até não poderes mais. Ainda assim não consegues enfrentá-lo com esta frieza de discurso porque - ele não sabe - sentes uma culpa gigante por ele não te ter ajudado. Hoje esta culpa não te faz sentido, mesmo que não a consigas evitar... não sais de cabeça erguida porque não era isto que querias...a responsabilidade, não a culpa, também é tua... Mas tens direito a lutar por ti, a procurar alternativas ainda que falhes, ainda que saias delas igual ou pior... mas pelo menos sais dessa terrível estupidez de não ter tentado... quero tentar tudo, como lhe disse no dia em que acreditou em mim, eu faço tudo para que isto mude 1 milímetro que seja.
E neste momento, se há tantas coisas que me sinto incapaz de conseguir mudar, há outras que ainda estão na minha mão.
começa por aí!
Já estou mais ou menos de volta, mais ou menos mais calma.
Vou com a dúvida de estar profundamente enganada... mas não me posso culpar por não ter tentado, mais e mais e mais uma vez.
quarta-feira, 12 de maio de 2010
amanhã, ponto.
Amanhã vou dizer-lhe que chega.
Já tentei, já arrisquei, já me desacomodei.
Como me disse eu não paro, nunca parei, fui muito mais longe do que se esperava nas condições mais duras... Consegui impor-me a disciplina ambigua...um mundo entre o dentro e o fora, um abismo entre o direito e o avesso da pele.
E os resultados, onde estão?? um bocadinho, só um bocadinho... consegui o resto, mas falta-me a única coisa que nunca consegui...e que cheia de vergonha pedi ajuda.
Faltam-me mudanças radicais, mudar, mudar, mudar... Não vou para o Tibete nem vou tornar-me vegan, nem vou viver para uma comunidade naturista.
Vou sair.
Vou deixar o resto.
Vou deixar de ligar ao resto.
E vou-lhe dizer: não resultou e já perdi a esperança. E não, não é uma decisão a quente, vem já quase fora de prazo...foram 6 anos a pensar nisto. Tive momentos de pura esperança, de muito desespero também... desisti mil vezes, mas nunca por completo, confiei muito pouco ou quase nada e neste momento, desculpe, mas não sou eu que estou a falhar.
Tenho pela primeira vez a certeza que dei o máximo, que o que não faço a mais é porque NÃO consigo. Chamem-me os outros o que quiserem, mas perdi. E não, não é uma questão de força de vontade...foi o dr a ensinar-me isso... e custou-me ouvir que dessa eu tinha de sobra, bastava olhar para tudo o que tenho conseguido nos ultimos anos... Sim, consegui...tanta coisa que não me sabe a nada porque esse medidor está congelado pela dor do resto.
Tentar infinitamente pelo mesmo método parece-me muito pouco para quem se diz especialista, para quem já teve centenas de casos nas mãos, para quem já ajudou tanta gente. E tenho sempre de ser eu a destruir a espécie de alegria com que me encara quando falo na "minha vida"...porque isso é o que acontece e em nada rima com o que se passa cá dentro.
Vou-me embora para lado nenhum, talvez um dia encontre uma maneira de encontrar um caminho menos escuro, menos cheio de tantas teias e labirintos...
Neste momento não contava com muito de si, só disponibilidade, a ajuda que me prometeu, só... e não a tem, eu compreendo que não tenha tempo mas eu também não consigo perder mais tempo.... O que vou fazer com ele? com o tempo? Nada de especial...vou continuar com todas as ocupações e os stresses que fazem o tempo correr mais depressa. Mas não me dê mais esperança que depois não acompanha...
Eu não vou sair daqui sozinha, e vai custar a dizer...
isto é só o que quero dizer.
Amanhã...
Já tentei, já arrisquei, já me desacomodei.
Como me disse eu não paro, nunca parei, fui muito mais longe do que se esperava nas condições mais duras... Consegui impor-me a disciplina ambigua...um mundo entre o dentro e o fora, um abismo entre o direito e o avesso da pele.
E os resultados, onde estão?? um bocadinho, só um bocadinho... consegui o resto, mas falta-me a única coisa que nunca consegui...e que cheia de vergonha pedi ajuda.
Faltam-me mudanças radicais, mudar, mudar, mudar... Não vou para o Tibete nem vou tornar-me vegan, nem vou viver para uma comunidade naturista.
Vou sair.
Vou deixar o resto.
Vou deixar de ligar ao resto.
E vou-lhe dizer: não resultou e já perdi a esperança. E não, não é uma decisão a quente, vem já quase fora de prazo...foram 6 anos a pensar nisto. Tive momentos de pura esperança, de muito desespero também... desisti mil vezes, mas nunca por completo, confiei muito pouco ou quase nada e neste momento, desculpe, mas não sou eu que estou a falhar.
Tenho pela primeira vez a certeza que dei o máximo, que o que não faço a mais é porque NÃO consigo. Chamem-me os outros o que quiserem, mas perdi. E não, não é uma questão de força de vontade...foi o dr a ensinar-me isso... e custou-me ouvir que dessa eu tinha de sobra, bastava olhar para tudo o que tenho conseguido nos ultimos anos... Sim, consegui...tanta coisa que não me sabe a nada porque esse medidor está congelado pela dor do resto.
Tentar infinitamente pelo mesmo método parece-me muito pouco para quem se diz especialista, para quem já teve centenas de casos nas mãos, para quem já ajudou tanta gente. E tenho sempre de ser eu a destruir a espécie de alegria com que me encara quando falo na "minha vida"...porque isso é o que acontece e em nada rima com o que se passa cá dentro.
Vou-me embora para lado nenhum, talvez um dia encontre uma maneira de encontrar um caminho menos escuro, menos cheio de tantas teias e labirintos...
Neste momento não contava com muito de si, só disponibilidade, a ajuda que me prometeu, só... e não a tem, eu compreendo que não tenha tempo mas eu também não consigo perder mais tempo.... O que vou fazer com ele? com o tempo? Nada de especial...vou continuar com todas as ocupações e os stresses que fazem o tempo correr mais depressa. Mas não me dê mais esperança que depois não acompanha...
Eu não vou sair daqui sozinha, e vai custar a dizer...
isto é só o que quero dizer.
Amanhã...
terça-feira, 11 de maio de 2010
domingo, 2 de maio de 2010
Loucura
Entre medo de chegar e medo de ultrapassar, demasiado...
Entretive-me nesse desassossego e detectei minuciosamente os pontos alvo, resultantes de uma semana que devia ter sido de "viragem", mas que havia sido... igual... com avanços demasiados pequenos para combater a solução de um futuro breve, essa, sem meias-medidas.
Subo com medo de estragar, punhos cerrados para não se notar que tenho as mãos a tremer... eu sabia que estava inundada... e já me estava a mentalizar para não acreditar...era um bocadinho menos, não era preciso entrar em pânico, estava tudo bem... "está tudo bem..."
Fiquei com a sensação que ia cair dali, eu não estava a aguentar aquele chegar-ao-equilíbrio porque eu própria não estava muito bem para me equilibrar...
E quando ela disse:
Perdi.
Perdi-me
Eu não lhe vou dizer, mas eu sei o que devia fazer
Entretive-me nesse desassossego e detectei minuciosamente os pontos alvo, resultantes de uma semana que devia ter sido de "viragem", mas que havia sido... igual... com avanços demasiados pequenos para combater a solução de um futuro breve, essa, sem meias-medidas.
Subo com medo de estragar, punhos cerrados para não se notar que tenho as mãos a tremer... eu sabia que estava inundada... e já me estava a mentalizar para não acreditar...era um bocadinho menos, não era preciso entrar em pânico, estava tudo bem... "está tudo bem..."
Fiquei com a sensação que ia cair dali, eu não estava a aguentar aquele chegar-ao-equilíbrio porque eu própria não estava muito bem para me equilibrar...
E quando ela disse:
Perdi.
Perdi-me
Eu não lhe vou dizer, mas eu sei o que devia fazer
quinta-feira, 29 de abril de 2010
Viragem
Antes dos beijinhos de despedida, disse-me : "pode estar a chegar o ponto de viragem"
Virar para onde? esquerda? direita? quantos graus? do avesso? e depois? sou quem? sou como?
Quero, quero imenso,
Quero, só sei que quero,
mas quero com muito medo ainda, parece que não quero tudo, ou não quero o todo...
Pareço hipócrita, dissimulada...
Mas ele disse que hoje, que a semana passada foi a vez mais genuina em que me ouviu, disposta a TUDO, mesmo com medo... ele não odeia o meu medo como eu...compreende-o e aguenta-o. Também me aguenta a chorar e quando lhe confesso aquelas que julgo as monstruosidades inconfessáveis.
Eu quero confiar nele. Embrulhar-me sem laçarote e dizer-lhe: está (estou) aqui. Faça o que for preciso e entregue só no fim, quando estiver pronto... prometo que venho buscar e não abandono.
Hoje fui meio a medo porque afinal não correu como esperava, mas não fui desesperada porque...sei lá, porque sim. Porque fui.
Virar para onde? esquerda? direita? quantos graus? do avesso? e depois? sou quem? sou como?
Quero, quero imenso,
Quero, só sei que quero,
mas quero com muito medo ainda, parece que não quero tudo, ou não quero o todo...
Pareço hipócrita, dissimulada...
Mas ele disse que hoje, que a semana passada foi a vez mais genuina em que me ouviu, disposta a TUDO, mesmo com medo... ele não odeia o meu medo como eu...compreende-o e aguenta-o. Também me aguenta a chorar e quando lhe confesso aquelas que julgo as monstruosidades inconfessáveis.
Eu quero confiar nele. Embrulhar-me sem laçarote e dizer-lhe: está (estou) aqui. Faça o que for preciso e entregue só no fim, quando estiver pronto... prometo que venho buscar e não abandono.
Hoje fui meio a medo porque afinal não correu como esperava, mas não fui desesperada porque...sei lá, porque sim. Porque fui.
quinta-feira, 22 de abril de 2010
prometo
fizeste a conta depois: 15,3.
E não, não era por isso...
Tens semanas e de semana em semana tens de subir o número, parar com o "número", resgatar-te. Vale tudo.
Disse hoje com as palavras todas, e chorei com as lágrimas todas. Ele viu e ficou. Ouviu e ajudou. Falou, ouviu-me, ouviu o meu silêncio também... Deu-me hipóteses. Só duas para não baralhar. É que ele também conhece a minha dificuldade de optar... obrigada por não ter de explicar tudo e por completar as palavras que eu não sei e não sou capaz de dizer.
Duas hipóteses: a primeira já e sempre, a segunda daqui a semanas. Quero esta, não porque a outra seja mais difícil, mas porque esta é comigo...implica muito menos trovoada, muito menos... não quero fazer tremer ninguém, não sei como o o faria... Quando vinha no carro imaginava... acho que não seria eu a dizer, acho que não teria coragem... talvez inventasse umas férias e deixasse toda a gente zangada a pensar em como sou egoísta e irresponsável... antes isso.
Dói-me pensar na dor de alguém por minha causa, dói-me muito mais que a minha própria dor...
Mas eu vou, não sei como, mas se for preciso, se eu falhar outra vez, eu vou.
juro
juro-me que vou
E não, não era por isso...
Tens semanas e de semana em semana tens de subir o número, parar com o "número", resgatar-te. Vale tudo.
Disse hoje com as palavras todas, e chorei com as lágrimas todas. Ele viu e ficou. Ouviu e ajudou. Falou, ouviu-me, ouviu o meu silêncio também... Deu-me hipóteses. Só duas para não baralhar. É que ele também conhece a minha dificuldade de optar... obrigada por não ter de explicar tudo e por completar as palavras que eu não sei e não sou capaz de dizer.
Duas hipóteses: a primeira já e sempre, a segunda daqui a semanas. Quero esta, não porque a outra seja mais difícil, mas porque esta é comigo...implica muito menos trovoada, muito menos... não quero fazer tremer ninguém, não sei como o o faria... Quando vinha no carro imaginava... acho que não seria eu a dizer, acho que não teria coragem... talvez inventasse umas férias e deixasse toda a gente zangada a pensar em como sou egoísta e irresponsável... antes isso.
Dói-me pensar na dor de alguém por minha causa, dói-me muito mais que a minha própria dor...
Mas eu vou, não sei como, mas se for preciso, se eu falhar outra vez, eu vou.
juro
juro-me que vou
quarta-feira, 21 de abril de 2010
dizer fim de outra maneira
Expões-te ao ridículo perante ninguém
Amas as zonas negras como quem contempla
Sabe-te bem a dor e abstrais-te por momentos do estado degradante que te faz estremecer do coração à ponta dos dedos.
Um dia dá-te uma coisa: ou morres ou pior, apanhas o susto da tua vida e vais sentir-te humilhada pelas palavras que ninguém vai ser capaz de dizer, e pelos olhos e a cara inteira cheia de "que ridícula", "pode ser que aprendas" "é o resultado que merecias..."
Já as ouves na tua cabeça, porque a urgência te corre à frente das pernas e não precisas de dar mais corda: antes de acontecer, já sabes como (e onde) vai acabar.
Agora és tu. Decide: ou antecipas ou esperas... Ninguém vai perceber uma situação ou outra, por isso pega nessa inteligência e usa-a pela última vez... reduz a dor, embala-a um instante, dá outro nome ao final... retira-lhes a razão óbvia, mais que óbvia, não os deixes dar nome de outro alguém ao teu fim. Não foi isso, foi a dor... Nunca ninguém vai perceber.
és ridícula.
Coragem de escrever fim em vez de um resto grande de folha em branco... só para espantar o voyerismo de quem te agoirou com a loucura... Tu calmamente, com a paz de sempre (a de fora) respondeste "eu sei que vou ficar bem"
Hoje contestas as dúvidas, transpiras em cada poro a energia que geras sabe-se lá de onde, para aguentares um dia inteiro... Jamais admites que te toquem (é que a máscara pode cair)... e só suspiras, só respiras fundo, sem medo, quando não há mais perigo à volta...
Agradeces-te quando permites calor por perto, e agradeces infinitamente só a presença, sem esforço e sem o teu esforço...sabe-te bem de uma maneira qualquer, também não interessa muito como, mas é bem melhor este misto. confias. respiras fundo. sabe bem respirar fundo.
Ainda assim, um único desejo feito, com palavras inteiras.
Ninguém quer que queiras isso.
E "quero lá saber"
Não sabes mais, não sabes ser mais
Amas as zonas negras como quem contempla
Sabe-te bem a dor e abstrais-te por momentos do estado degradante que te faz estremecer do coração à ponta dos dedos.
Um dia dá-te uma coisa: ou morres ou pior, apanhas o susto da tua vida e vais sentir-te humilhada pelas palavras que ninguém vai ser capaz de dizer, e pelos olhos e a cara inteira cheia de "que ridícula", "pode ser que aprendas" "é o resultado que merecias..."
Já as ouves na tua cabeça, porque a urgência te corre à frente das pernas e não precisas de dar mais corda: antes de acontecer, já sabes como (e onde) vai acabar.
Agora és tu. Decide: ou antecipas ou esperas... Ninguém vai perceber uma situação ou outra, por isso pega nessa inteligência e usa-a pela última vez... reduz a dor, embala-a um instante, dá outro nome ao final... retira-lhes a razão óbvia, mais que óbvia, não os deixes dar nome de outro alguém ao teu fim. Não foi isso, foi a dor... Nunca ninguém vai perceber.
és ridícula.
Coragem de escrever fim em vez de um resto grande de folha em branco... só para espantar o voyerismo de quem te agoirou com a loucura... Tu calmamente, com a paz de sempre (a de fora) respondeste "eu sei que vou ficar bem"
Hoje contestas as dúvidas, transpiras em cada poro a energia que geras sabe-se lá de onde, para aguentares um dia inteiro... Jamais admites que te toquem (é que a máscara pode cair)... e só suspiras, só respiras fundo, sem medo, quando não há mais perigo à volta...
Agradeces-te quando permites calor por perto, e agradeces infinitamente só a presença, sem esforço e sem o teu esforço...sabe-te bem de uma maneira qualquer, também não interessa muito como, mas é bem melhor este misto. confias. respiras fundo. sabe bem respirar fundo.
Ainda assim, um único desejo feito, com palavras inteiras.
Ninguém quer que queiras isso.
E "quero lá saber"
Não sabes mais, não sabes ser mais
sábado, 17 de abril de 2010
Isto de amar
Tenho pesadelos com o dia em que saberás a verdade...
Não, não matei ninguém descansa... não tem nada a ver com "alguém"
Tenho um medo frio da tua reacção, do gelo e do degelo, depois...
Tenho medo que o teu abraço não me chegue da mesma maneira. Eu não posso mudar o que sou e tenho, não posso mudar o que fui, não sei bem onde vou chegar, mas tenho uma certeza, talvez a única: eu tenho palavra no que vou ser.
Existe a possibilidade de convivermos os dois com as fragilidades de que eu não conseguir dar cabo, não sei do que serei capaz... E é injusto, sou injusta quando te tiro do meu espaço de tempo que tinha reservado para nós...
Troco a companhia, por ninguém
Ausento-me totalmente e retorno já arrependida mas incapaz de te dar de volta o que nos tirei...
Sabes, tenho medo de nunca ser o que queria ser para ti...
Porque nos sonhos, lá, existe um futuro, e eu estou-me a rir... Eu bem sei como a minha vida nunca parou, e só passado algum tempo me apercebi da "proeza"... fi-lo para não enlouquecer, para provar sei lá a quem que ao contrário de todos os prognósticos havia muita coisa que eu seria capaz, ainda que...e que... e que...
Não me orgulho porque não consigo, não me orgulho porque deixei a tarefa a metade... ou melhor, consegui aquilo a que me propus para o mundo, mas nunca fui capaz do que me comprometi comigo... O tempo ainda não acabou e nunca fui uma miúda de acreditar em "impossíveis", mas o desespero...o desespero... desse nunca te vou saber falar...não tem nome... o nome incompleto ir-te-ia deixar sempre com a ideia errada do que se passa entre a minha pele e o meu corpo...
Apetece-me já agradecer-te... e não o faço com medo que me aches, para além de tudo, louca... nunca fui tratada como tu me tratas, e é difícil aceitar, é difícil continuar viva como antes quando me desarmas com o beijo mais doce do mundo, com a tua verdade sobre mim... Já não faço como antes, não desminto... que direito tenho eu ou que necessidade terias tu de me mentir? é o teu olhar sobre mim e eu tenho de aprender a respeitá-lo... ainda que custe, e custa ouvir coisas bonitas...
é difícil aceitar o teu Amor...
Não, não matei ninguém descansa... não tem nada a ver com "alguém"
Tenho um medo frio da tua reacção, do gelo e do degelo, depois...
Tenho medo que o teu abraço não me chegue da mesma maneira. Eu não posso mudar o que sou e tenho, não posso mudar o que fui, não sei bem onde vou chegar, mas tenho uma certeza, talvez a única: eu tenho palavra no que vou ser.
Existe a possibilidade de convivermos os dois com as fragilidades de que eu não conseguir dar cabo, não sei do que serei capaz... E é injusto, sou injusta quando te tiro do meu espaço de tempo que tinha reservado para nós...
Troco a companhia, por ninguém
Ausento-me totalmente e retorno já arrependida mas incapaz de te dar de volta o que nos tirei...
Sabes, tenho medo de nunca ser o que queria ser para ti...
Porque nos sonhos, lá, existe um futuro, e eu estou-me a rir... Eu bem sei como a minha vida nunca parou, e só passado algum tempo me apercebi da "proeza"... fi-lo para não enlouquecer, para provar sei lá a quem que ao contrário de todos os prognósticos havia muita coisa que eu seria capaz, ainda que...e que... e que...
Não me orgulho porque não consigo, não me orgulho porque deixei a tarefa a metade... ou melhor, consegui aquilo a que me propus para o mundo, mas nunca fui capaz do que me comprometi comigo... O tempo ainda não acabou e nunca fui uma miúda de acreditar em "impossíveis", mas o desespero...o desespero... desse nunca te vou saber falar...não tem nome... o nome incompleto ir-te-ia deixar sempre com a ideia errada do que se passa entre a minha pele e o meu corpo...
Apetece-me já agradecer-te... e não o faço com medo que me aches, para além de tudo, louca... nunca fui tratada como tu me tratas, e é difícil aceitar, é difícil continuar viva como antes quando me desarmas com o beijo mais doce do mundo, com a tua verdade sobre mim... Já não faço como antes, não desminto... que direito tenho eu ou que necessidade terias tu de me mentir? é o teu olhar sobre mim e eu tenho de aprender a respeitá-lo... ainda que custe, e custa ouvir coisas bonitas...
é difícil aceitar o teu Amor...
quarta-feira, 14 de abril de 2010
culpa
Só cansaço, só...
Não é mesmo mais nada porque não há nome, e cedo aprendeste a desgastar até ao fundo esse desequilíbrio que vem de dentro para tudo o que não tinha nome nem lugar...
E o teu sem-lugar, a tua utopia, ficou-se na estabilidade que não irias lá chegar, pelo menos neste embrulho que te prende e intriga quando te metes à frente do espelho, que te ensinaram: reflecte.
Reflecte...mas reflecte o quê?
Dizem-te que não vês, mas o sr doutor disse que não precisavas de óculos... depois disseram-te que sim, vias, mas vias outras coisas...transformavas em matéria aquilo que mais te doia... porque ninguém a via, persentiam-na raramente... só. E o teu corpo não era o teu corpo mas as tuas mágoas, e o que odiavas não era o teu corpo mas o que estava lá dentro, o que ficou lá dentro e que sempre te proibiram de pôr cá para fora.
Disseram-lhe "tens a obrigação de ser feliz"... Uma obrigação demasiado pesada, uma obrigação que não o devia ter sido... umas raizes bem bem revoltadas, embrulhadas, cristalizadas que agora tentas picar e retorcer.
Sim, ela não pediu a ajuda que lhe podias ter dado...
Não, ela não tinha obrigação de o fazer...era uma criança, não sabia nada de nada de nada de nada...
Sim, hoje ela tem a responsabilidade de se pôr de pé depois de cair, mas não a culpes...nem com as palavras nem com os olhos
Não, ela não teve culpa
não teve culpa
repete comigo
não tive culpa
Não é mesmo mais nada porque não há nome, e cedo aprendeste a desgastar até ao fundo esse desequilíbrio que vem de dentro para tudo o que não tinha nome nem lugar...
E o teu sem-lugar, a tua utopia, ficou-se na estabilidade que não irias lá chegar, pelo menos neste embrulho que te prende e intriga quando te metes à frente do espelho, que te ensinaram: reflecte.
Reflecte...mas reflecte o quê?
Dizem-te que não vês, mas o sr doutor disse que não precisavas de óculos... depois disseram-te que sim, vias, mas vias outras coisas...transformavas em matéria aquilo que mais te doia... porque ninguém a via, persentiam-na raramente... só. E o teu corpo não era o teu corpo mas as tuas mágoas, e o que odiavas não era o teu corpo mas o que estava lá dentro, o que ficou lá dentro e que sempre te proibiram de pôr cá para fora.
Disseram-lhe "tens a obrigação de ser feliz"... Uma obrigação demasiado pesada, uma obrigação que não o devia ter sido... umas raizes bem bem revoltadas, embrulhadas, cristalizadas que agora tentas picar e retorcer.
Sim, ela não pediu a ajuda que lhe podias ter dado...
Não, ela não tinha obrigação de o fazer...era uma criança, não sabia nada de nada de nada de nada...
Sim, hoje ela tem a responsabilidade de se pôr de pé depois de cair, mas não a culpes...nem com as palavras nem com os olhos
Não, ela não teve culpa
não teve culpa
repete comigo
não tive culpa
domingo, 11 de abril de 2010
Medo
Podes gostar um bocadinho menos?
eu não sei o que fazer ao que tu sentes e dizes e mostras e demonstras
não sei e assusta-me e mete-me naquele ponto em que as pernas andam à conta de um querer muito forte para que tu não percebas
E um dia vou ter de te contar...
E tu? Vais devolver-me esse medo, vais concretizar o pesadelo da impossibilidade?
Tenho medo medo medo...
Porque se eu não paro, poderás saber da pior maneira...e vais pensar que se te menti nisto, que te menti em tudo...
Não
Não
Não te vou deixar magoares-te por minha causa, e não quero mais essa culpa para o meu monte
Sim
Sim Sim, sou egoísta... Prefiro que me julgues assim..
Só tenho medo
eu não sei o que fazer ao que tu sentes e dizes e mostras e demonstras
não sei e assusta-me e mete-me naquele ponto em que as pernas andam à conta de um querer muito forte para que tu não percebas
E um dia vou ter de te contar...
E tu? Vais devolver-me esse medo, vais concretizar o pesadelo da impossibilidade?
Tenho medo medo medo...
Porque se eu não paro, poderás saber da pior maneira...e vais pensar que se te menti nisto, que te menti em tudo...
Não
Não
Não te vou deixar magoares-te por minha causa, e não quero mais essa culpa para o meu monte
Sim
Sim Sim, sou egoísta... Prefiro que me julgues assim..
Só tenho medo
sexta-feira, 9 de abril de 2010
te-me
Acho que vai acontecer,
nem tu, nem tu vão dar por nada,
nem vão perceber,
Faz sentido,
Senão para ti, nem para ti,
faz para a única pessoa para quem a ambivalência se tornou pele
e na pele se fez e desfez, pintou e apagou...
E de pele arrepanhada, pintada de sangue por dentro, grita
Ainda assim com postura,
Sempre compostinha, perfeitinha inha inha
irritante o raio da miuda!
Tu não és real, deviam odiar-te-me
deviam apanhar-te-me
E vai acontecer...e nada acontece em simultaneo...eu vou rir-me de ti, de mim
nem tu, nem tu vão dar por nada,
nem vão perceber,
Faz sentido,
Senão para ti, nem para ti,
faz para a única pessoa para quem a ambivalência se tornou pele
e na pele se fez e desfez, pintou e apagou...
E de pele arrepanhada, pintada de sangue por dentro, grita
Ainda assim com postura,
Sempre compostinha, perfeitinha inha inha
irritante o raio da miuda!
Tu não és real, deviam odiar-te-me
deviam apanhar-te-me
E vai acontecer...e nada acontece em simultaneo...eu vou rir-me de ti, de mim
segunda-feira, 5 de abril de 2010
mata
um dia vais pagar por tudo o que fazes todos os dias, por tudo o que não fazes, por tudo o que adias...
Testas o corpo ao limite porque és perita em limites...os da matemática, os do corpo, os do coração...
Aprendeste que podes sempre mais e mais e os sustos não te assustam, não te impedem, não te param... Aguentou? vai aguentar sempre... o para sempre é maior que tu, e és ingénua e demasiado imatura se continuares a acreditar nisso...
Um dia os sentidos vão-te falhar e não vão regressar com a rapidez a que estás habituada,
um dia vais-te arrepender, como nunca te arrependeste, e vais chorar, como nunca choraste...
Um dia vai ser pior que o dia de hoje, e as mãos trémulas não vão ser capazes de acompanhar o raciocínio...se fores ainda capaz de raciocinar...
Já te apercebeste do quanto isto tudo te atrapalha...não, não é igual ao das outras pessoas...o medo não é igual, é ocupado também... a solidão é ocupada e o silêncio... como querias ouvir o silêncio...
Como querias decidir sem isto à mistura, como querias ser capaz de cantar, de dançar, de chorar até... sem isto à mistura...
E enganas-te a ti própria quando dizes "isto não te impede de absolutamente nada..."
Sim, é verdade que és autónoma, trabalhas, empenhas-te...e consegues não ser absolutamente mais nada, ou és...em latência, em potência...
Isto pesa,
isto corrói,
isto mata
Testas o corpo ao limite porque és perita em limites...os da matemática, os do corpo, os do coração...
Aprendeste que podes sempre mais e mais e os sustos não te assustam, não te impedem, não te param... Aguentou? vai aguentar sempre... o para sempre é maior que tu, e és ingénua e demasiado imatura se continuares a acreditar nisso...
Um dia os sentidos vão-te falhar e não vão regressar com a rapidez a que estás habituada,
um dia vais-te arrepender, como nunca te arrependeste, e vais chorar, como nunca choraste...
Um dia vai ser pior que o dia de hoje, e as mãos trémulas não vão ser capazes de acompanhar o raciocínio...se fores ainda capaz de raciocinar...
Já te apercebeste do quanto isto tudo te atrapalha...não, não é igual ao das outras pessoas...o medo não é igual, é ocupado também... a solidão é ocupada e o silêncio... como querias ouvir o silêncio...
Como querias decidir sem isto à mistura, como querias ser capaz de cantar, de dançar, de chorar até... sem isto à mistura...
E enganas-te a ti própria quando dizes "isto não te impede de absolutamente nada..."
Sim, é verdade que és autónoma, trabalhas, empenhas-te...e consegues não ser absolutamente mais nada, ou és...em latência, em potência...
Isto pesa,
isto corrói,
isto mata
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