Há tesouros deixados por aí... tantos!
A vida, Deus, o universo estão lá para te apoiar...a sorte é para quem anda nada estrada, para quem desbrava caminhos. Os presentes são para quem se proíbe de viver no passado e para quem não perde demasiado tempo a prever o futuro.
As ideias feitas são para quem não tem coragem de fazer as suas. Aprender é fazer. Mãos na Terra, pés descalços, cabelo ao vento, cabeça levantada...
Crescer, Ser, é uma posição nova do corpo... os ombros direitos ajudam muito a acreditar.
É a tua postura que faz confiarem em ti, o teu sorriso é o teu primeiro texto.
Acelerar nas subidas tornou-se a minha metáfora.
Procastinar foram anos que em vez de datas se fizeram de pesos.
Sou hoje mais leve depois de todo o peso que tiveste na minha vida.
Encontrar o encanto perdido, a Arte de te perderes no desencontro que vives. A pluralidade de ti, encontrada depois... Cantar a Arte imaginada e seres...só porque dizem que existes.
segunda-feira, 18 de agosto de 2014
domingo, 15 de dezembro de 2013
15 anos depois
A verdade é esta: estou a viver o que há uns meses tomei como impossível.
Depois de retrocessos seguidos de desistências,
o desamor e a desesperança tomaram conta da vida que deixei numa caixa de sapatos.
A caixa chamava-se vida e tinha dentro muitas fotografias, desenhos, milhares de bilhetes que escrevia para mim e palavras que nunca chegavam ao destino. Muitos planos, convites de festas de aniversário, folhas com as notas maravilhosas da escola, medalhas de atletismo e do quadro de honra. Aquela era a vida que um dia havia sido minha e que eu não queria destruir mais. É duro pôr fim à vida mas para mim era muito mais duro sentir na pele a minha imensa ingratidão. O nada em que transformei o tudo que me foi dado.
Essa caixa ainda existe. Mas a vida tenho-a eu.
15 anos depois.
Eu e o sol erguemo-nos de manhã.
Eu e as árvores damos frutos.
Eu e a lua criamos noites bonitas.
Eu e o fogo transformamos água em chás deliciosos.
Eu e o mar vamos, mas voltamos sempre.
Depois de retrocessos seguidos de desistências,
o desamor e a desesperança tomaram conta da vida que deixei numa caixa de sapatos.
A caixa chamava-se vida e tinha dentro muitas fotografias, desenhos, milhares de bilhetes que escrevia para mim e palavras que nunca chegavam ao destino. Muitos planos, convites de festas de aniversário, folhas com as notas maravilhosas da escola, medalhas de atletismo e do quadro de honra. Aquela era a vida que um dia havia sido minha e que eu não queria destruir mais. É duro pôr fim à vida mas para mim era muito mais duro sentir na pele a minha imensa ingratidão. O nada em que transformei o tudo que me foi dado.
Essa caixa ainda existe. Mas a vida tenho-a eu.
15 anos depois.
Eu e o sol erguemo-nos de manhã.
Eu e as árvores damos frutos.
Eu e a lua criamos noites bonitas.
Eu e o fogo transformamos água em chás deliciosos.
Eu e o mar vamos, mas voltamos sempre.
quarta-feira, 16 de outubro de 2013
respirar bem fundo
Quando andamos de olhos postos no chão, sem a mínima força para erguermos a cabeça, atraímos o fundo. De repente iniciamos a viagem numa espiral negativa, de sufoco, de soluços, de constante escorregar. A cabeça lateja, os músculos consomem-se uns aos outros. os ouvidos fecham-se sobre si mesmos e só ouvem o eco do silêncio. De repente a noite vira o nosso dia e as nuvens fazem a distância entre nós e o céu, infinitamente mais pequena. O valor que damos ao não é absurdamente enorme e os ecos multiplicam-se e as dores perpetuam-se e o fim à viagem negra não se avista.
No dia em que ganhamos a coragem suficiente para dar um murro na mesa, mas um murro que se oiça, cheio de si, aí, só aí, nasce o embrião da hipótese do sol voltar a nascer.
E quando o primeiro raio espreita é como se nascêssemos de novo. Se quisermos.
O eco continua a existir mas na frequência oposta.
A sintonia encontra-se e a multiplicação sucede-se.
E eu estou, orgulhosamente nesse processo, a dar graças pela enorme graça que me foi concedida de (re)começar.
Hoje foi dia de reunião e de nova proposta de emprego. Sabe tão bem quando gostam de nós e, para quem bem me entende, quando gostam de nós sem aqueles sufixos ligados ao passado que me viram acontecer.
Tenho a certeza que é o meu sorriso a despertar-me na cabeça de quem se lembra de mim e em quem confia porque - agora sim - pode confiar. Estou em pé de igualdade com todas as outras pessoas que podem falhar pelas contingências naturais. E sabe tão bem não duvidar que só e só o meu trabalho e a minha criatividade são reis quando chega a altura de escolher as cabeças para os novos projectos das grandes empresas em que trabalho e trabalhei durante este processo tão duro e tão complicado dos últimos anos.
O valor que dou ao suspiro desmedido é imenso...
que bom que é...
obrigada, obrigada
terça-feira, 15 de outubro de 2013
Batido
Há uma luz nova. Um brilho com cheiro a liberdade e uma vontade que vem do alto do céu.
Há lágrimas que se choram sem cheiro a bafio, e há longe sem saudade.
Hoje há pés que pisam o chão inteiramente. Sem medo de se fazerem ouvir. Sem medo de incomodar. Sem pedir desculpa por existirem.
Hoje há um compasso na voz que faz parte do resto.
Existo.
É isto.
Só.
Tanto.
Há almoços e jantares com sabor a música clássica.
O ontem, o hoje, e tenho a certeza que o amanhã fazem parte do mesmo livro.
Já não sou uma manta de retalhos nem uma boneca de trapos. Só um corpo, só um sentir com a melodia que for preciso tocar. Os graves e os agudos. A confusão e mesmo o silêncio. Já não há manhãs imersas no pânico de não pertencer sequer àquela cama.
Chegou a Hora.
As provações, os desafios, o arriscar constante, os medos vencidos dia a dia, hora a hora. A mesma cabeça coberta de frases feitas e tão bem conhecidas... hoje já não mandam nem me comandam os passos, os caminhos, a correria, as quedas.
Sou mais. mais forte. Conheço-me como pouca gente se conhece. As manhas e armadilhas, a resolução sempre igual...
A verdade é que pouco mudou e eu estou tão diferente.
Não, não podes mudar o que sentes, mas sim o que fazes com isso. Chegou-me a procastinação que me roubou 15 anos.
Bebi um batido de vida. Saí de casa dos pais, trabalho para me sustentar a todos os níveis. Tenho uma cabeça cheia de gavetas novas e pretendo manter tudo arrumado. Sabe-me bem chegar à uma da manhã a casa e ainda me encher de ideias para deixar tudo mais bonito... e tudo para mim.
Para mim.
Há lágrimas que se choram sem cheiro a bafio, e há longe sem saudade.
Hoje há pés que pisam o chão inteiramente. Sem medo de se fazerem ouvir. Sem medo de incomodar. Sem pedir desculpa por existirem.
Hoje há um compasso na voz que faz parte do resto.
Existo.
É isto.
Só.
Tanto.
Há almoços e jantares com sabor a música clássica.
O ontem, o hoje, e tenho a certeza que o amanhã fazem parte do mesmo livro.
Já não sou uma manta de retalhos nem uma boneca de trapos. Só um corpo, só um sentir com a melodia que for preciso tocar. Os graves e os agudos. A confusão e mesmo o silêncio. Já não há manhãs imersas no pânico de não pertencer sequer àquela cama.
Chegou a Hora.
As provações, os desafios, o arriscar constante, os medos vencidos dia a dia, hora a hora. A mesma cabeça coberta de frases feitas e tão bem conhecidas... hoje já não mandam nem me comandam os passos, os caminhos, a correria, as quedas.
Sou mais. mais forte. Conheço-me como pouca gente se conhece. As manhas e armadilhas, a resolução sempre igual...
A verdade é que pouco mudou e eu estou tão diferente.
Não, não podes mudar o que sentes, mas sim o que fazes com isso. Chegou-me a procastinação que me roubou 15 anos.
Bebi um batido de vida. Saí de casa dos pais, trabalho para me sustentar a todos os níveis. Tenho uma cabeça cheia de gavetas novas e pretendo manter tudo arrumado. Sabe-me bem chegar à uma da manhã a casa e ainda me encher de ideias para deixar tudo mais bonito... e tudo para mim.
Para mim.
domingo, 25 de agosto de 2013
rocha
Depois o nó prendeu e o canal secou.
Assim, sem que um antes tivesse forçado nada, absolutamente nada.
E as gaivotas voaram a escrever liberdade no rasto que deixaram.
Estremeci da ponta dos pés à ponta da alma, e proibi o que já estava a acontecer. Não fui, só tive.
E não passou, talvez por não ser meu... e eu nunca expulsei ninguém de minha casa. Sempre preferi ser eu a dizer adeus... mesmo naquelas alturas em que a paixão tornava absurdo o simples fechar de olhos no acto de pestanejar.
Há dias em que não sei tirar-te do caminho. Há dias que parecem anos por me fazeres sentir na pele a agulha ao passar cada segundo. Há horas que corroem os ossos e os fazem mirrar. Há uma pequenez tão grande quando a dor se agiganta e berra... não há sequer eco porque desapareço no meio e não há onde o som embater para voltar para trás.
Assim, sem que um antes tivesse forçado nada, absolutamente nada.
E as gaivotas voaram a escrever liberdade no rasto que deixaram.
Estremeci da ponta dos pés à ponta da alma, e proibi o que já estava a acontecer. Não fui, só tive.
E não passou, talvez por não ser meu... e eu nunca expulsei ninguém de minha casa. Sempre preferi ser eu a dizer adeus... mesmo naquelas alturas em que a paixão tornava absurdo o simples fechar de olhos no acto de pestanejar.
Há dias em que não sei tirar-te do caminho. Há dias que parecem anos por me fazeres sentir na pele a agulha ao passar cada segundo. Há horas que corroem os ossos e os fazem mirrar. Há uma pequenez tão grande quando a dor se agiganta e berra... não há sequer eco porque desapareço no meio e não há onde o som embater para voltar para trás.
sexta-feira, 23 de agosto de 2013
o ninho
Recolher a âncora e seguir caminho. Não interessa muito bem onde porque a rota certa tem a mania de não se cumprir. e eu nunca me dei bem com o GPS.
Há dias em que as pessoas novas se multiplicam e esse sabor enrola-se na língua enquanto nos apresentamos... tenho a sensação de me apresentar a mim mesma quando falo com alguém pela primeira vez. e é bom. sabe a melancia fresca. o desencanto dá lugar à possibilidade sonhada há tanto tempo de começar, finalmente, a viver.
Dei por mim a limpar a ferrugem. a tratar de cada pormenor e a por-me logo ao caminho para não dar tempo à inércia de chegar cá a casa e tocar-me à campainha. Os momentos de nó-no-peito têm a mania de me fazer abraçar a almofada mais cedo e eu fecho-os na arrecadação que não existe neste meu (sim, meu!) ninho. Ainda não aprendi a calma de esperar pelo autocarro e o passo acelerado trai-me quando quero um bom lugar no maior desafio de sempre. Já não há lugar para as desculpas de sempre para os saberes mais antigos, mas também já não há pressa de fora para resolver os medos de dentro. Os medos vão permanecer e mesmo assim é preciso arriscar corridas de resistência. Agora não há volta atrás. A minha casa. As minhas contas. O meu trabalho. A minha saúde. A minha vida. Não empresto responsabilidade a ninguém nem deixo que acabem as frases que decorei na minha alma. Há muito que fazer e muito pouco que dizer. As palavras, sim, as palavras, tantas vezes me atrasaram as acções.
Dei por mim a boicotar o meu caminho.
Espreitei-me de fora e cuspi para o lado. Deixei-me-te morrer ali, de pés a tremer e corpo cor de arco íris desmaiado. Não te deixei sequer deitar para acordares horas depois a perguntares o que tinhas feito, o que tinha acontecido. Chega de borrachas ao meio dia. engole antes o teu medo, vira-o do avesso e põe-no ao lume.
Aprendi a apaixonar-me pela pedagoga que conheci aqui dentro.
Hoje foi dia de rebobinar a cassete a meio do filme.
A luz entrou pela janela.
Vais escrever 20 vezes cada palavra errada. decora-as para nunca mais repetires.
Varrer. lavar o chão.
ao lume.
bom dia. veste-te. é dia de trabalho.
domingo, 21 de abril de 2013
Ressaca
Não resolver a dor da mesma maneira, nem o desalento com sai e e entra que ocupava aquele tédio que podia ter sido preenchido, mas não foi.
o tempo que levava cada ritual, as leituras repetidas de todos os sinais, a imaginaçao cheia de rodas e pirâmides. E depois os números, sempre os números.
Ninguém disse que se ressacava desta maneira... Há dias que quase apetece fazer a vontade e dar-lhe o corpo sem perguntas nem pedidos. Como se a seguir voltasse tudo direito ao caminho...mas já sei que não. Nessa não me apanhas outra vez.
Dói a cabeça, o peito cola-se às costas...tudo rijo e tenso para não ceder...
Será verdade que para isto não existe ajuda?
Onde é que ficaram as promessas do início? ...que a cabeça ia mudar...o humor ia melhorar, seria mais capaz e competente!
Não vejo mais nada a não ser o tempo a passar, farta desta luta injusta, que me manda ao chão e nem sequer me deixa esconder...vêem e agarram como nunca agarraram nem viram.
Esconde-se a cara como se se escondessem os sentimentos e a agitação
Mas eu não quero voltar, não quero...
o tempo que levava cada ritual, as leituras repetidas de todos os sinais, a imaginaçao cheia de rodas e pirâmides. E depois os números, sempre os números.
Ninguém disse que se ressacava desta maneira... Há dias que quase apetece fazer a vontade e dar-lhe o corpo sem perguntas nem pedidos. Como se a seguir voltasse tudo direito ao caminho...mas já sei que não. Nessa não me apanhas outra vez.
Dói a cabeça, o peito cola-se às costas...tudo rijo e tenso para não ceder...
Será verdade que para isto não existe ajuda?
Onde é que ficaram as promessas do início? ...que a cabeça ia mudar...o humor ia melhorar, seria mais capaz e competente!
Não vejo mais nada a não ser o tempo a passar, farta desta luta injusta, que me manda ao chão e nem sequer me deixa esconder...vêem e agarram como nunca agarraram nem viram.
Esconde-se a cara como se se escondessem os sentimentos e a agitação
Mas eu não quero voltar, não quero...
sexta-feira, 22 de março de 2013
querida té
Minha querida Té,
Hoje falei-te baixinho, 5, 5 e meia da manhã... Pedi que sossegasses, que voltasses a dormir e embrenhares-te no sonho que desta vez não era mau nem metia medo. Um cigarro, uma pastilha, um pouco de um filme, de um livro... Nada, estavas irremediavelmente acordada e a vida começara mais um dia de sol com o frio que rasga. Gostava que seguisses o teu plano diário, que dividisses o tempo entre dormir, os descansos necessários, avançar com o trabalho, com as promessas de pintar novos quadros e escrever novas histórias. Sabes, Às vezes gostava que tivesses um botão. Um não, alguns. para desligar tudo, para o piloto automático, para sentir, para pedir...aquilo.
É meio dia, tenho de ir fazer o almoço para a família.
Hoje falei-te baixinho, 5, 5 e meia da manhã... Pedi que sossegasses, que voltasses a dormir e embrenhares-te no sonho que desta vez não era mau nem metia medo. Um cigarro, uma pastilha, um pouco de um filme, de um livro... Nada, estavas irremediavelmente acordada e a vida começara mais um dia de sol com o frio que rasga. Gostava que seguisses o teu plano diário, que dividisses o tempo entre dormir, os descansos necessários, avançar com o trabalho, com as promessas de pintar novos quadros e escrever novas histórias. Sabes, Às vezes gostava que tivesses um botão. Um não, alguns. para desligar tudo, para o piloto automático, para sentir, para pedir...aquilo.
É meio dia, tenho de ir fazer o almoço para a família.
segunda-feira, 11 de março de 2013
Só há um problema filosófico verdadeiramente sério: o suicídio. Julgar se a vida merece ou não ser vivida, é uma questão fundamental da filosofia. o resto, se o mundo tem três dimensões (...) são apemas jogos; primeiro é necessário responder. E se é verdade, tal como Nietzshe o quer, que um filósofo, para ser estimável, deve dar o exemplo, avalia-se a importância desta resposta, visto que esta vai anteceder o gesto definitivo...
Camus
Camus
sábado, 9 de março de 2013
A tentação é humana, a tentação. A tentação é uma vontade sem dono mas cheia de ganas de se tornar passado...ser feita num ápice onde o presente já passou.Dizem que as pessoas fortes não cedem às tentações e que as fracas não aguentam sequer. Aguentar até o desejo acalmar, até a fogueira e as labaredas serem só brasas e depois cinzas. fechar os olhos, tentar adormecer - em vão - adrenalina atinge os máximos...e chegou o momento da escolha (mesmo que não dês por isso) E escolhes, não me venham com tretas. ceder ou não ceder é, mais uma vez, uma questão de escolha
sábado, 2 de março de 2013
Não sei por que este blog me continua a fazer tanto sentido... eu lembro-me muitas vezes de passar aqui, dizer daquelas coisas que a nossa voz diz sem som e só ecoa saído dos poros e de todos os buraquinhos do corpo...
Rebenta quando o saco do "aguentar" já não aguenta mais nada, mas cada recaída em queda livre me mete mais medo...um medo igual ao dos avós quando dizem que preferem morrer a ficar cá sem qualquer capacidade física e mental. Eu tenho 26 anos, mas tenho a certeza que essa sensação não é muito diferente da que tenho.
Porque às vezes me sinto virada e atravessada por tanta coisa, coisas que me enche e eu aguento e aguento porque há uma esperança qualquer de não ir ao fundo...pelo menos tanto...
Desta vez não houve o corpo a gritar... não houve sinais de transmitidos de gente em gente. Foi a força toda para dar tudo nos meus dias e desgraçar-me nas noites... e nada me importava, só queria assegurar que tudo iria correr pelo melhor... até que começaram a resvalar lágrimas e sangue e tudo. Até que os meus dias verdadeiros eram as minhas horas de consulta, até que os meus dias passaram só a ser noites.
Como eu achava que depois dela não haveria quem me mandasse ao chão,
porque eu lhe respondia com um prato de massa, um haggen daz...as maiores armas não chegaram.
E mês e meio depois, de volta a casa, apercebi-me que ela nao estava tão longe, aprendi que tenho de dançar sem beber de tudo e encher-me antes que o vazio tome o seu lugar de obeso mórbido.
cheguei
e já não me importo assim tanto. talvez ainda haja qualquer coisa que faça sentido, e talvez eu só precise parar de procurar...
Rebenta quando o saco do "aguentar" já não aguenta mais nada, mas cada recaída em queda livre me mete mais medo...um medo igual ao dos avós quando dizem que preferem morrer a ficar cá sem qualquer capacidade física e mental. Eu tenho 26 anos, mas tenho a certeza que essa sensação não é muito diferente da que tenho.
Porque às vezes me sinto virada e atravessada por tanta coisa, coisas que me enche e eu aguento e aguento porque há uma esperança qualquer de não ir ao fundo...pelo menos tanto...
Desta vez não houve o corpo a gritar... não houve sinais de transmitidos de gente em gente. Foi a força toda para dar tudo nos meus dias e desgraçar-me nas noites... e nada me importava, só queria assegurar que tudo iria correr pelo melhor... até que começaram a resvalar lágrimas e sangue e tudo. Até que os meus dias verdadeiros eram as minhas horas de consulta, até que os meus dias passaram só a ser noites.
Como eu achava que depois dela não haveria quem me mandasse ao chão,
porque eu lhe respondia com um prato de massa, um haggen daz...as maiores armas não chegaram.
E mês e meio depois, de volta a casa, apercebi-me que ela nao estava tão longe, aprendi que tenho de dançar sem beber de tudo e encher-me antes que o vazio tome o seu lugar de obeso mórbido.
cheguei
e já não me importo assim tanto. talvez ainda haja qualquer coisa que faça sentido, e talvez eu só precise parar de procurar...
sexta-feira, 17 de agosto de 2012
Copo de água quente
A dificuldade acresce com o medo,
decresce na confiança,
alcança-se numa dificuldade, que nasce, maior.
O eterno descontentamento faz parte de quem se parte ao meio na desesperança de nunca se alcançar um momento de realização... mas a desesperança é, também, ilusão... afinal, só seria desesperança se não houvesse um simples e pequenino impulso de fazer qualquer coisa mais, aquele fazer diferente para que diferentes nos possamos sentir.
O caminho verdadeiro não tem kms marcados, não tem sequer mapa porque na verdade o caminho só existe depois de calcados os pés...
nunca lhe imaginei a facilidade depois do arranque mesmo acreditando que o começo seria o mais difícil... mas depois de tantos inícios não há como dar primeiros passos de olhos fechados e depois a dificuldade de dar mais um passo sem saber à priori se terá sido ou não em falso.
Vida.
A certeza da insuficiência é um trunfo e um triunfo é continuar, mesmo assim. Não há quem possa dizer que depois, vai ser melhor... ou há quem diga mas isso de nada me adianta... simplesmente há tanto que não basta apenas comer com os olhos... provar o cremoso iogurte amargo faz parte e beber a pura água fresca quando a sede nos cega e, afinal, está quente, também.
decresce na confiança,
alcança-se numa dificuldade, que nasce, maior.
O eterno descontentamento faz parte de quem se parte ao meio na desesperança de nunca se alcançar um momento de realização... mas a desesperança é, também, ilusão... afinal, só seria desesperança se não houvesse um simples e pequenino impulso de fazer qualquer coisa mais, aquele fazer diferente para que diferentes nos possamos sentir.
O caminho verdadeiro não tem kms marcados, não tem sequer mapa porque na verdade o caminho só existe depois de calcados os pés...
nunca lhe imaginei a facilidade depois do arranque mesmo acreditando que o começo seria o mais difícil... mas depois de tantos inícios não há como dar primeiros passos de olhos fechados e depois a dificuldade de dar mais um passo sem saber à priori se terá sido ou não em falso.
Vida.
A certeza da insuficiência é um trunfo e um triunfo é continuar, mesmo assim. Não há quem possa dizer que depois, vai ser melhor... ou há quem diga mas isso de nada me adianta... simplesmente há tanto que não basta apenas comer com os olhos... provar o cremoso iogurte amargo faz parte e beber a pura água fresca quando a sede nos cega e, afinal, está quente, também.
quinta-feira, 12 de julho de 2012
future
pastel de nata
bife de vaca
chili
check
and I love it
and I'm proud
come away with me
next exit: FUTURE
bife de vaca
chili
check
and I love it
and I'm proud
come away with me
next exit: FUTURE
segunda-feira, 18 de junho de 2012
a caminho da liberdade
As palavras têm anos e anos, bocas e bocas, sentires e pesares, quilos, de ferro e de penas... as palavras ao longo da vida, querem dizer tantas coisas e mudam tantas vezes de significado.
Não tenho dito, mas tenho feito na minha cabeça o desenho da palavra. Em grande, como em grande é o tamanho do sonho e do desejo de a ter. A liberdade.
Livre para errar, para crescer. Livre para escolher. Tenho uma vontade esfuziante para trocar trocar estas dores por outras... vontade de me irritar por coisas que nunca me fizeram sentir absolutamente nada porque simplesmente este muro não deixava que passassem... quero ficar furiosa por faltar o gás a meio do banho, por apetecer aquela papaia que eu tinha comprado e alguém comeu sem me dizer, por ter de ficar a trabalhar noite dentro quando já tinha uma festa combinada. Tenho tantas saudades destas coisas que nunca tive. Sim, passaram anos dos que dizem serem os melhores da vida... mas a minha vida ainda não passou, ainda não aconteceu...e vai a tempo, muito a tempo!
Não tenho dito, mas tenho feito na minha cabeça o desenho da palavra. Em grande, como em grande é o tamanho do sonho e do desejo de a ter. A liberdade.
Livre para errar, para crescer. Livre para escolher. Tenho uma vontade esfuziante para trocar trocar estas dores por outras... vontade de me irritar por coisas que nunca me fizeram sentir absolutamente nada porque simplesmente este muro não deixava que passassem... quero ficar furiosa por faltar o gás a meio do banho, por apetecer aquela papaia que eu tinha comprado e alguém comeu sem me dizer, por ter de ficar a trabalhar noite dentro quando já tinha uma festa combinada. Tenho tantas saudades destas coisas que nunca tive. Sim, passaram anos dos que dizem serem os melhores da vida... mas a minha vida ainda não passou, ainda não aconteceu...e vai a tempo, muito a tempo!
terça-feira, 12 de junho de 2012
Custa o regresso,
e diz-se, como antes, que é a última vez... mas desta vez não se promete nada a ninguém. Se conseguir, a maior alegria será minha, se voltar a cair será meu de novo, todo aquele pesar...
custa saber de quem se fala, daquela pessoa que pedia educadamente a minha mão em casamento e quem pedia ordinariamente para se fazer amor em plena sala de fumo. Perguntam e tu acenas com um sorriso leve e um sentir apertado se te lembras daquela que cá chegou amarrada à cama e a berrar que a deixassem em pás com intervalos de querer alguém por perto dizendo todas as palavras que não fica bem dizer em público... mas aqui tudo é permitido... cada um pode ser o que quiser, viver no ano em que quiser, ter a família que se quer... e querer-se ou não acreditar nisso.
Na sala ao fundo do corredor continua a fazer-se um livro de histórias que nunca ninguém escreveu e que, por certo, dariam uma série tão fenomenal que provocaria uns "oh! isso não é assim que acontece" "que exagero!". Talvez eu também o pensasse antes de ter feito parte da minha vida uns meses numa ala psiquiátrica. Hoje já não me surpreende sequer a miúda que logo à partida me diz que não vai acreditar em nada do que lhe vou dizer e que acredita que isto tudo é uma grande encenação para a prenderem aqui. Diz que todas as pessoas estão a gozar com o seu estado e que ninguém está verdadeiramente doente... Talvez eu me aproxime dela pelo menos numa coisa...aqui encontras pessoas que, embora doentes, são verdadeiras... verdadeiras para si próprias antes de qualquer outra coisa... lá fora há um código indecifrável para os de grande espírito. Aqui estão protegidos... medo, medo, medo só dos que lá estão fora à tua espera...
e diz-se, como antes, que é a última vez... mas desta vez não se promete nada a ninguém. Se conseguir, a maior alegria será minha, se voltar a cair será meu de novo, todo aquele pesar...
custa saber de quem se fala, daquela pessoa que pedia educadamente a minha mão em casamento e quem pedia ordinariamente para se fazer amor em plena sala de fumo. Perguntam e tu acenas com um sorriso leve e um sentir apertado se te lembras daquela que cá chegou amarrada à cama e a berrar que a deixassem em pás com intervalos de querer alguém por perto dizendo todas as palavras que não fica bem dizer em público... mas aqui tudo é permitido... cada um pode ser o que quiser, viver no ano em que quiser, ter a família que se quer... e querer-se ou não acreditar nisso.
Na sala ao fundo do corredor continua a fazer-se um livro de histórias que nunca ninguém escreveu e que, por certo, dariam uma série tão fenomenal que provocaria uns "oh! isso não é assim que acontece" "que exagero!". Talvez eu também o pensasse antes de ter feito parte da minha vida uns meses numa ala psiquiátrica. Hoje já não me surpreende sequer a miúda que logo à partida me diz que não vai acreditar em nada do que lhe vou dizer e que acredita que isto tudo é uma grande encenação para a prenderem aqui. Diz que todas as pessoas estão a gozar com o seu estado e que ninguém está verdadeiramente doente... Talvez eu me aproxime dela pelo menos numa coisa...aqui encontras pessoas que, embora doentes, são verdadeiras... verdadeiras para si próprias antes de qualquer outra coisa... lá fora há um código indecifrável para os de grande espírito. Aqui estão protegidos... medo, medo, medo só dos que lá estão fora à tua espera...
quarta-feira, 25 de abril de 2012
pistas
Gostava de saber onde ficou a força e a Graça,
o meu agradecimento em forma de me esforçar mais um pouco, de fazer mais um pouco, de ser mais mesmo quando dizem que já não existo, que me falta o que é preciso para, simplesmente, se ser...
Grito por aquela garra,
corroo o que já não sobra,
oiço as entranhas gritar e estranho o que resmunga sem se fazer ouvir a mais ninguém.
A desmesurada vontade de dizer-te adeus, minha graça, meu dom
e a vontade de voltar à posição primária onde tudo o que temos é tudo o que somos
porque o resto é só dúvidas no mapa do teu caminho a seguir
o meu agradecimento em forma de me esforçar mais um pouco, de fazer mais um pouco, de ser mais mesmo quando dizem que já não existo, que me falta o que é preciso para, simplesmente, se ser...
Grito por aquela garra,
corroo o que já não sobra,
oiço as entranhas gritar e estranho o que resmunga sem se fazer ouvir a mais ninguém.
A desmesurada vontade de dizer-te adeus, minha graça, meu dom
e a vontade de voltar à posição primária onde tudo o que temos é tudo o que somos
porque o resto é só dúvidas no mapa do teu caminho a seguir
sábado, 21 de abril de 2012
Dia
A verdade é que me fez sentir que acabou.
Um adeus despachado e depois apressado por mim.
Desfiz toda a viagem sobre a Terra para aterrar depois, bem abaixo do chão.
Subi, arrastada nas palavras e nos passos e na vontade de fugir e de ficar...
Afinal já não vou fazer tudo aquilo que quis fazer quando me disse adeus e eu respondi com um adeus ainda mais eterno. Afinal volto, sento-me e falo.
E afinal não fui capaz de tanto, mas fiz mais que pouco...
Não prometo nem me comprometo com mais nada. (só em silêncio)
E adormeço...
E acordo no dia a seguir não como sempre, mas como agora.
Um adeus despachado e depois apressado por mim.
Desfiz toda a viagem sobre a Terra para aterrar depois, bem abaixo do chão.
Subi, arrastada nas palavras e nos passos e na vontade de fugir e de ficar...
Afinal já não vou fazer tudo aquilo que quis fazer quando me disse adeus e eu respondi com um adeus ainda mais eterno. Afinal volto, sento-me e falo.
E afinal não fui capaz de tanto, mas fiz mais que pouco...
Não prometo nem me comprometo com mais nada. (só em silêncio)
E adormeço...
E acordo no dia a seguir não como sempre, mas como agora.
quarta-feira, 21 de março de 2012
respirar
Hoje é dia de despir a pele de elefante,
é dia de deixar chegar
o abraço,
as palavras em todas as frequências
os decibéis todos
Há dias assim, como num tribunal, em que se promete a verdade e não mais (nem menos) que a verdade.
Doem-me os músculos da real constrição de estar para chegar uma notícia bombástica, de estar para começar A prova, de estar n'A Hora.
Que ela não lhe tenha falado n'aquilo, que o número seja jeitoso e a saída com mais calma, a deixar respirar mais fundo.
terça-feira, 13 de março de 2012
até sempre
Um pé, depois o outro. o braço inverso, depois o outro. Assim. Equilíbrio. Vá. Isso. Estou a andar.
Trabalho. Ensaios. Aulas. Curso de Inglês.
Letra. palavras. frases. texto.
Assim.
Estou a ler.
Não para, não para, não para.
Ritmo. Noite, dia outra vez.
Tudo ao mesmo tempo.
A minha vida.
Não há mais paragens. É preciso resistir, persistir, ser capaz, mais que capaz.
Ninguém disse que ia ser fácil e o importante é não parar.
À noite vem um vento de um sítio qualquer... pergunto-lhe o caminho e devolve-me que o caminho é o que eu faço.
Há uma fortaleza à volta, sem janelas para não distrair, nada mais importa.
Graças a Deus nunca soube nem percebi bem o que significa desistir. É só uma palavra que sai da boca quando não se grita e se irrompe em desespero.
Mas desistir, tirar o "istir" ao existir, ao persistir, ao insistir... é o quê? ficar em casa sem agir? ser um peso para alguém, ser um mono a sustentar? Deus não me perdoaria... nem desistir de outra maneira.
Há uma tatuagem da minha pele, no avesso que não se vê que nunca me deixaria PARAR. Não seria eu, antes outra qualquer.
É uma coragem sem papas na língua, completamente descarada! Não se faz verdade quando o assim-não-vais-ser-capaz entra nos tímpanos. E ainda bem.
Consegue-se, um dia, outro e outro...até ao fim.
Trabalho. Ensaios. Aulas. Curso de Inglês.
Letra. palavras. frases. texto.
Assim.
Estou a ler.
Não para, não para, não para.
Ritmo. Noite, dia outra vez.
Tudo ao mesmo tempo.
A minha vida.
Não há mais paragens. É preciso resistir, persistir, ser capaz, mais que capaz.
Ninguém disse que ia ser fácil e o importante é não parar.
À noite vem um vento de um sítio qualquer... pergunto-lhe o caminho e devolve-me que o caminho é o que eu faço.
Há uma fortaleza à volta, sem janelas para não distrair, nada mais importa.
Graças a Deus nunca soube nem percebi bem o que significa desistir. É só uma palavra que sai da boca quando não se grita e se irrompe em desespero.
Mas desistir, tirar o "istir" ao existir, ao persistir, ao insistir... é o quê? ficar em casa sem agir? ser um peso para alguém, ser um mono a sustentar? Deus não me perdoaria... nem desistir de outra maneira.
Há uma tatuagem da minha pele, no avesso que não se vê que nunca me deixaria PARAR. Não seria eu, antes outra qualquer.
É uma coragem sem papas na língua, completamente descarada! Não se faz verdade quando o assim-não-vais-ser-capaz entra nos tímpanos. E ainda bem.
Consegue-se, um dia, outro e outro...até ao fim.
quarta-feira, 7 de março de 2012
medo
O corpo chega a doer da carga que a cabeça lhe mete em cima.
As mão eternamente geladas começam a suar, os olhos a arder, os pulmões pedem: AR!
E a verdade é que não há muito a dizer... as coisas estão tortas, desarrumadas. o caos é caos por dentro e do avesso... por mais que se tente arrumar, tem sido assim.
As lágrimas não caem quando se chora e a poeira acumula-se, como se o mundo fosse outro mundo, de outro qualquer.
A tempestade de dento agita-se mais um pouco quando parece não poder ir mais.
Não há controlo, não há sinfonia...
O avesso mete medo de tão disfónico, e não adianta tapar os ouvidos porque o ruído não vem de fora... e quanto mais silêncio, maior o volume... ensurdecedor.
Uma mão.
Não há, nem há lugar seguro para onde ir... Não deixam nenhum espaço ser meu porque o invadem com mil palavras que não posso refutar... porque são...verdade.
Ajuda-me em vez de dizeres que estou estúpida outra vez... acalma-me em vez de dizeres que eu estou a perder tudo outra vez.
Não vejo nada nem quando o sol se agiganta ao dia,
os pés não assentam,
medo
medo outra vez
As mão eternamente geladas começam a suar, os olhos a arder, os pulmões pedem: AR!
E a verdade é que não há muito a dizer... as coisas estão tortas, desarrumadas. o caos é caos por dentro e do avesso... por mais que se tente arrumar, tem sido assim.
As lágrimas não caem quando se chora e a poeira acumula-se, como se o mundo fosse outro mundo, de outro qualquer.
A tempestade de dento agita-se mais um pouco quando parece não poder ir mais.
Não há controlo, não há sinfonia...
O avesso mete medo de tão disfónico, e não adianta tapar os ouvidos porque o ruído não vem de fora... e quanto mais silêncio, maior o volume... ensurdecedor.
Uma mão.
Não há, nem há lugar seguro para onde ir... Não deixam nenhum espaço ser meu porque o invadem com mil palavras que não posso refutar... porque são...verdade.
Ajuda-me em vez de dizeres que estou estúpida outra vez... acalma-me em vez de dizeres que eu estou a perder tudo outra vez.
Não vejo nada nem quando o sol se agiganta ao dia,
os pés não assentam,
medo
medo outra vez
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